fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

Ruas de Buenos Aires, um reviver

Dama inesquecível, jamais de uma noite apenas, Buenos Aires é o meu refúgio


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Quem anda pelas ruas de Buenos Aires respira cultura, história, arquitetura e resquícios do Velho Mundo. Buenos Aires é uma cidade inacreditável. Comer uma media luna, tomar um café no El Gato Negro e conhecer o túmulo de Carlos Gardel, são momentos que jamais vou esquecer. Andar pelas ruas ouvindo o movimento das orquestras, dos artistas de rua e dos dançarinos de tango, são emoções indescritíveis. Toda vez que eu pegava o Subte e ia para qualquer estação, sentia uma liberdade que jamais pude antes experimentar. As pessoas leem o tempo todo, elas vão às ruas e sacodem as barras de ferro que as separam da igualdade e elas vestem a camisa de causas desconhecidas para nós.

Moradores de rua vendem revistas de jornalismo cultural. Nas bancas, o Clarín que atravessa os anos, ganha atenção toda a manhã. Quando o frio de maio vem, ele vem incisivo, ele lembra os ares da Patagônia, ele fere a pele com a força dos ventos do Sul. As pessoas levam um semblante indiferente, usam o que gostam, não se importam demais com a opinião alheia. As ruas têm árvores que as abraçam por inteiro. Há ruas dedicadas às livrarias, mais antigas do que o próprio tempo. Buenos Aires apaixona além dos arredores da Florida. Buenos Aires é toda linda, toda esculpida, toda feita para impressionar.

Quando estou longe dela, penso naquela cidade plana como um refúgio. É nela que encontro energia. As lavanderias abarrotadas de roupas estranhas, os filmes B passando nas salas escuras, o tempero inigualável das pizzarias. Sonhei em ser escritora em Buenos Aires, mas Buenos Aires trava as mãos quando se está perto dela. Somente longe, posso falar daquelas cores, daqueles cheiros, daqueles graffitis do submundo, das feiras de artesanato que se estendem pelas ruas, das palomas das praças suntuosas e das gramas das universidades que abrigam almas inquietas.

E Buenos Aires abriga muitas almas inquietas. Há bairros dedicados aos inquietos, aos estudantes universitários de todo o mundo que, não importa por quanto tempo passem em B.A., nunca a absorverão por completo. Não há quem absorva a cidade por completo e consiga descrevê-la por completo, pois Buenos Aires é um mistério de muitos becos, de sobradinhos coloridos ao entardecer e de doces alfajores de chocolate.

A capital argentina é, para mim, uma galeria de sonhos, que descobri minimamente em pouco mais de duas dúzias de dias. Da janela de um hostel, toda a manhã parecia um presente, um labirinto que me levaria aos desejos mais profundos. Para quem não a ama ou não a conhece, só lamento. Buenos Aires é a lembrança de dias felizes, salpicados de especiarias exóticas, cujo gosto jamais vou substituir.


fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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