fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

A lolita brasileira

Anita é eterna. Em seu sobrado de cidade pequena, cria um universo que desperta a imaginação dos espectadores, que a colocam em um cantinho especial da cabeceira


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Mel Lisboa pode não ter entendido tanto fascínio em torno de Anita, mas os fãs enxergam a lolita muito além da técnica. Anita é fascinante por diversos motivos, entre eles o fato da atriz ser desconhecida até então. Quem assiste "Presença de Anita" tem a nítida impressão de Anita existir, de Mel Lisboa ser Anita, a moça de 18 anos que mora em um sobradinho de uma cidade pequena, carregada de paixão e de um apelo sedutor inigualável.

Ela mexe com a imaginação popular, provoca suspiros e desencadeia fantasias. Embora pareça apenas uma menina, tem uma alma antiga, já que demonstra um vasto conhecimento de mundo e um grande apreço pela música clássica e francesa. Anita trouxe magia à década de 2000 e permanece sendo admirada nos dias de hoje, eterna em seu esplendor.

No dia 31 de agosto de 2001, dia do final da minissérie, lembro-me de estar em um antigo pub da minha cidade natal, o Basquiat. No térreo, homens e mulheres de idades diferentes assistiam ao final da trama, iniciada no dia 7 daquele mês. Foram apenas 16 capítulos mas, para os fãs, uma vida. Hoje, no YouTube, a constatação: "Presença de Anita" foi traduzida para diversas línguas, tendo sido vendida para países como Equador, Honduras, Nicarágua, Peru, Portugal e Uruguai.

A minissérie foi escrita pelas mãos hábeis de Manoel Carlos, baseada no livro homônimo de Mário Donato, publicado pela primeira vez no ano de 1948. O furor em 2001 foi tanto que, do dia para a noite, a então acadêmica do Curso de Cinema, Mel Lisboa, virou símbolo sexual. Pudera. Anita e Fernando, vivido por José Mayer, protagonizam cenas intensas no sobrado, lugar de um crime passional, repleto das energias mais profundas e destrutivas.

Anita é uma menina desinibida, que não raro aparece de calcinha branca na varanda. Nas mãos, um cigarro e um café. No corpo, tatuagens em pontos estratégicos. Ela tem aura de musa, servindo de modelo para o velho pintor Armando e para o escritor Fernando, que encontra a inspiração que procurava para o seu romance tórrido. Em cada canto do sobrado, um objeto rico de histórias e magia, como a sua Conchita. Anita não herdou somente os discos e os livros do velho Armando, mas também a sabedoria.

Anita é a lolita brasileira, meio menina, meio mulher, um misto de sensualidade e ternura em um espírito vivo, que permanece no sobrado da nossa memória cultural. Ela ganha vida, ganha forma e eternidade na lembrança de pessoas do mundo todo, que entram no universo criado por ela, de tantos cômodos e apelos.

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fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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