fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

Alquimista de cozinha

Na infância, ao redor de um tacho, Juliane descobriu sabores que hoje compartilha com os amigos


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A notícia é espalhada no Facebook: “fiz geleias no final de semana!”. Logo, dezenas de pessoas interessadas contatam Juliane Cristina Surdi Franco, à frente da Singolare Marmellate Artigianale. Ela apresenta vidros de diferentes tamanhos, que contém geleias de pimentão (vermelho e amarelo) com pimenta; morango com pimenta e baunilha em fava; e laranja com pimenta e baunilha em fava.

A ideia de fazer geleias artesanais exclusivas é nova, de certa forma, para Juliane. Mas nem tanto. “Nasceu de uma forma muito espontânea. Gosto de ser meio alquimista na cozinha e de criar sabores que ‘experienciem’ sensações e até emoções. Apesar de o ‘fazer geleia’ ser algo novo para mim, não é muito distante da minha vida. Na infância, a minha família se reunia ao redor de um tacho na casa dos meus avós para cozinhar frutas e geleias”, conta.

Onde a geleia é feita? A resposta de Juliane é a mais mágica possível. “Numa cozinha de bruxa, em caldeirão, onde tem ervas secas, fogo de dragão, língua de serpente, risos de aranha e outros ingredientes secretos”, brinca. Criar uma pequena fábrica de geleias na cozinha de casa aconteceu por conta dos filhos de Juliane. Eles gostam de doces, mas as opções no mercado são repletas de conservantes e aditivos não muito saudáveis.

Eis um dos maiores diferenciais das geleias de Juliane, empenhada em fazer geleias saborosas e também benéficas para a saúde. Mas a sua grande inspiração foram os molhos de pimenta do amigo Thiago Scussiato Merlo, da El Toron, quando um dia resolveu apimentar uma geleia de fruta para homenageá-lo. “Ele provou, gostou e eu continuei a criar e a cozinhar.”

Não é preciso falar dos benefícios do baixo teor do açúcar e da isenção dos conservantes. Porém, aos desavisados, aí vai. “Vivemos numa cultura com açúcar em exagero. Muitas vezes já não sentimos o sabor do alimento e sim do açúcar. Não é o caso aprofundar, mas todo mundo sabe que o açúcar em exagero não faz bem para a saúde. Uso o mínimo possível para ser uma geleia. Se pudesse, usaria menos ainda. Mas, como ele tem a função também de conservar, se faz necessário, justamente porque não uso conservantes artificiais. A ideia é ser o mais natural possível.”

A pimenta é um ingrediente que se repete em muitas das receitas de Juliane. Além dela, o gengibre não costuma faltar. Juliane está fazendo testes com outros condimentos picantes, que são realçadores de sabor e dão o toque diferenciado que ela procura. Vale lembrar que eles são termogênicos, ou seja, “emagrece, meninas!!”, lança.

Outro diferencial da geleia artesanal é que a fruta “mantém a sua personalidade”, como diz. “Acredito na sacralidade do alimento. O ato de cozinhar precisa ser harmônico. A comida não deve ser tratada como linha de produção (o que acontece muito na nossa região). O sabor de algo feito artesanalmente é mais acentuado do que algo industrial, é quase como se o preparo fosse ‘olho-no-olho’ enquanto que o industrial nem vê olhos.”

Juliane estuda a língua italiana e tem se apaixonado a cada dia mais por ela. “Como a geleia tem essa raiz um tanto ancestral para mim, achei que seria compatível usar o italiano para expressar isso. O nome Singolare significa ‘singular’, um sinônimo para algo único, especial, diferente.”

Ela tem planos para a Singolare. Um deles é bem ambicioso: exportar para a Itália. “Claro, tem vários passos antes, lembrando que ainda estou em fase de testes. Acabo de fazer o primeiro lote de vendas, que é na verdade uma ‘ação entre amigos’. Ainda estou na brincadeira, mas o meu desejo é tornar o negócio sério.”

Serviço

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