fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

Livro para sair da estante

Uma história real e esplendorosa, que mostra o poder de transformação do pensamento


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Foram os R$ 40 mais bem gastos da minha vida. Encontrei “Um Sopro de Ternura” no supermercado, em um dia que se tornaria triste. Porém, a dor foi menor página a página, tamanha a força daquelas palavras. O romance espírita de 450 páginas, de Marcelo Cezar, pelo espírito de Marco Aurélio, não merece ficar na estante.

Decidi, após devorá-lo em dois dias, que ele passaria pelo maior número de mãos que eu pudesse encontrar. A moça da capa me fisgou. Os olhos doces pintados, a boca bem marcada, o ar vintage, tudo serviu para eu amar esta obra, de poucas inconsistências e imagens de época. Me encontrei em Valentina, uma das “personagens” do romance, que se passa, em suma, na década de 1930.

Uma história real e esplendorosa, que mostra o poder de transformação do pensamento. Passei a encarar o fato de que tudo pode estar bem em meu mundo. Não, não se trata de um livro de auto-ajuda, mas de uma história que te faz pensar e sentir a vida de forma diferente, mais iluminada.

Traz a São Paulo após a Revolução, antes de se tornar a metrópole cravejada de museus de hoje. A importância da arte, principalmente para as classes menos favorecidas, a importância de compreender as mazelas desta e de outras vidas, a importância de ouvir os amigos espirituais. Tudo isto em uma obra rica em detalhes e em profundidade, uma joia rara dos nossos tempos.

O que não ser também está contido neste livro. A obsessiva Selma, o vagabundo Jaime e a interesseira Dinorá nos mostram a face mais decadente da vida. “Personagens” que contrastam com outros, que dão grandes exemplos de exceções no mundo: amor, caridade e ternura. Leia, simplesmente.


fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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