fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

“Aos poucos, nada é aos saltos”, conta escritora

Marinês Pinsson Panozzo, reconhecida em várias partes do Brasil, batalha por seu espaço no cenário cultural de Chapecó


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Dois anos de despertar. Dois anos carregados de reconhecimento. Marinês Pinsson Panozzo, professora desde o ano de 1987, deixou na infância o costume de escrever e queimar logo em seguida, sem deixar que ninguém pudesse conhecer um pouco do seu universo literário. Em 2012, a autora lançou o livro “Olhos do Coração”, ilustrado por Claudia Alessandra Ramos Moschetta, ao se comprometer com o seu legado. Deixar o seu legado. Anseio aprendido com o pai, que costumava deixar seus escritos espalhados pelos cantos e paredes da casa, em um desejo intenso de ser lembrado por algo bom.

A gaúcha, de temperamento calmo, recebe a reportagem em sua casa, no São Cristóvão, em um sábado típico, com direito a pão caseiro, em um final de tarde frio de maio. Foi naquela casa, em um período de licença do trabalho como professora, que ela percebeu que nenhuma doença é um problema, mas uma oportunidade. A oportunidade, para ela, foi escrever e, para tanto, notou que não é preciso ter um grande aparato e nem estar em uma capital, ao contrário do que sondava o imaginário infantil de seus alunos, que logo se entusiasmaram pelo fato de reconhecerem uma escritora assim, tão perto.

Voltemos ao passado, em 2012, quando o despertar como escritora lhe rendeu o segundo lugar com o poema “Boneca de Pano”, cujo tema era Emília, no III Concurso de Poesias Externo Academia Judith Mazella de Moura, da Academia Taubateana de Letras – Taubaté (SP). No mesmo ano, pela Academia Criciumense de Letras – Criciúma (SC), no XIII Concurso Literário, na categoria adulto, brilhou com o seu poema “Intrépida Gente”. No ano seguinte, em 2013, participou do 3º Concurso Literário Pague Menos – Fortaleza (CE). Com o tema amor, viva esse espetáculo, teve o poema “Amor e Ausência” publicado em uma charmosa coletânea. O ano de 2014 lhe trouxe uma nova experiência: no 3º Prêmio Literário de Poesia Portal Amigos do Livro e Scortercci Editora – São Paulo (SP), alcança uma publicação em uma antologia, com a poesia “Devaneio”.

No colo, Marinês pousa todo o reconhecimento adquirido no pequeno espaço de tempo. Tempo este que passa diferente quando ela escreve, pois horas se transformam em minutos, tamanha é a satisfação de encontrar a literatura em qualquer cantinho de sua casa, nesta atividade que não respeita o momento ideal, sendo que o único padrão é não ter padrão algum. Ela leva o nome da cidade, não só para o Estado de Santa Catarina, como para todo o Brasil e, em Chapecó, batalha por seu espaço no cenário cultural. E quem disse que santo de casa não faz milagre?

“Foi importante, para mim, este contato com outros lugares para saber se realmente estou escrevendo algo bom. Ou seja, estou testando as minhas habilidades. Mas, eu preciso trabalhar muito para ser reconhecida no espaço onde eu vivo. Aos poucos, nada é aos saltos. Tudo é muito devagar. Tudo é do pequeno para o grande.” Para ela, a profissão de professora se encaminha para um fim. Mas, assim como a pedagogia não tem fim, o desejo de se expressar e de ensinar em Marinês não se acaba. Por este motivo, há dois projetos em andamento na vida da escritora, que transita entre a literatura e a poesia (que não deixa de ser literatura).

Os fatos cotidianos a inspiram. Assim, estar dentro da escola é um prato cheio. “Observando o movimento da escola, as ideias vão fluindo”, revela. No silêncio da noite, Marinês encontra a solidão necessária para criar. Porém, muitas vezes, precisa se isolar em meio a um turbilhão para escrever, em um ofício quase ou completamente espiritual de se manter centrada e de se tornar, a cada palavra, um pouco mais escritora. “Quando eu escrevo, o que escrevo vem do meu sentir. É algo muito interno. Observo a própria natureza. Os movimentos que acontecem lá fora, junto aos movimentos internos meus, são traduzidos na escrita.”

Para quem nunca pensou em ser escritora, achando que isto era privilégio dos outros, Marinês já chegou bem longe. “Me vem muito à mente o que eu vou deixar. Que este pouquinho de mim deixe uma criança mais feliz, lendo um livro que eu tenha escrito; que a minha poesia possa estimular outras pessoas nesta produção.” Nas histórias criadas para a filha, Marinês notou que havia uma história de vida, hoje contada por meio da escrita. Histórias de um mundo subjetivo, que fogem daquele mundo material vivido por muitos.

“Faz falta este mundo subjetivo, faz falta as pessoas entenderem um pouco deste mundo de dentro também. Se vive em um mundo onde as pessoas se afastam pelo próprio materialismo. Nesta corrida de querer mais e mais, se esquece deste lado humano, deste mundo mais colorido. Escrever é voltar para dentro de si e ver que a vida pode ser algo além de uma passagem simplesmente”, acredita.


fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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