fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

Noite de glória

Porque não há nada melhor no mundo do que seguir com um coração valente, cheio de histórias para contar


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Há tempos não me via sozinha em noites de sexta. Enquanto penso nas presenças, na solidão e na procura, tento me encontrar. Porque assim como um dos meus escritores preferidos, nunca fui de sentir tédio comigo mesma. Eu sou um grande universo e pouco me senti perdida ou sozinha. Sempre fui de poucos amigos, porém bons. Em noites como esta, tenho o chocolate, o vinho e a música. O que pode ser melhor?

Acredito que quando não se sabe o que se quer, o melhor é esperar. Não sou muito boa nisto. Sou mais de criar, escrever e de principalmente agir. Elaborar planos não é comigo. Minha avó já dizia: “o que não tem solução, solucionado está.” Tenho amor neste peito farto, mas tenho me perdido entre o certo e o errado. Sabe quando a força de algo é maior do que as tuas certezas? Pois bem.

“Diz a lenda que trocou suas certezas por alguns sonhos mágicos...” Não há frase que fale mais sobre mim do que esta. Sonhos mágicos são comigo; certezas, nem tanto. Sou mais do canto da sereia, aquela que encanta com as palavras e com promessas de amor, que não sei como surgem, mas apenas surgem. Sei que sou mutável, mas há coisas em mim que duram muitos e muitos anos.

Há alguns rostos e gestos que guardo desde a infância. Há sentimentos que não morrem, independente da minha vontade ou da vontade de outros. Sentimentos que vem de longe, que procuram abrigo e um “sim”, que pode mudar vidas completamente. Sim, ainda acredito no amor, sou romântica e sensível, no fundo desta carapaça.

Se assusto com o meu jeito intenso e que se declara sem medo? Sem dúvidas. Mas, e daí? Viver uma vida morna nunca foi comigo. E sou honesta ao extremo. Se eu não estiver feliz, os envolvidos serão os primeiros a saber. Porque ainda acredito na justiça e na Lei do Retorno, na Lei Tríplice e na fidelidade, que vai além de sonetos bonitos.

Já sonhou em encontrar alguém que não vive de metades? Prazer. Quero o mundo em sua totalidade. Se não for assim, parto para outras escolhas ou para a liberdade absoluta. Não sou de ninguém, além de minha, até porque seres humanos não podem ser de outros seres humanos. Aprendi que a sensação de perda existe por conta da falsa sensação de posse. E o que é realmente nosso neste mundo?

Dou mais um gole na taça e ouço a glória de um dia intenso. Sim, e o que seria da vida sem a intensidade, sem o ponto de exclamação, sem a excitação de fazer aquilo que o coração pede? Deixe eu ser feliz. Viva e deixe viver. Não tente me prender em nenhuma caixinha coberta de razão, porque sou bem mais emoção. Não tente me dizer o que fazer, porque ninguém me conhece assim tão bem para saber o que preciso.

E se me encontrar na rua, sorrindo, sem nenhum motivo específico, pode ter certeza de que encontrei um caminho louco e novo para seguir. Estou seguindo o meu destino, mesmo que este seja tão confuso quanto um sonho. Se quiser vir comigo, segure a minha mão e voe, voe bem alto, como fazia quando dormia envolvido nos chamados “tecidos de flanela da infância”. Que o seu apego não prenda, não aprisione, e que você seja luz da manhã para os meus olhos cansados.

Porque não há nada melhor no mundo do que seguir com um coração valente, cheio de histórias para contar.


fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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