fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

Esboço de um amor que permanece

Ele veio marcado de tinta, com um símbolo celta, com crenças em druidas e levezas, com mil gostos em comum


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Mesmo sem saber, eu já preparava o terreno e o futuro para recebê-lo. Previsto pelo pêndulo, meu dragão particular surgiu em minha porta vestido de perfeição. Digo perfeição, mesmo reconhecendo que algum dia verei um defeito seu. Ele veio marcado de tinta, com um símbolo celta, com crenças em druidas e levezas, com mil gostos em comum. Ele veio lindo e com um abraço que se encaixa no meu.

Por vezes, penso estar sonhando. Não fosse pelo perfume que invade e permanece, acreditaria no sonho, o deixaria no mundo de Morfeu. Veio selvagem, um guerreiro, ainda que de pele macia. Aquelas mãos guardam anos e anos de trabalho árduo; aqueles olhos escondem toda a vida, plenamente vivida. Só tem 26, mas a sua alma deve ter centenas de anos. E nossas almas, complementares, devem se conhecer de outras existências. Se ele foi guerreiro japonês, eu fui gueixa; se ele foi mago, eu fui bruxa.

Tenho medo de perdê-lo na multidão de novo, então o escondo só para mim, sem querer sujá-lo com presenças. Dias e noites, dois corpos que se unem como se fossem um só. Em vários momentos, dentro de mim ele geme. É em mim que ele sente todo e qualquer ápice. Corpo, coração, mente, alma e espírito em sintonia, daquela que acontece só uma vez na vida.

Numerologia perfeita, de nome e de nascimento. Na astrologia, o dia em que a água e o ar se misturaram, como em uma tempestade em tarde de domingo. Moro nos seus braços, ávida por encontrar e desvendar segredos. Vigio o seu sono, sem acreditar na sua presença, no travesseiro ao lado do meu. E são noites e mais noites insones, sem reclamar por nenhum segundo.

O chamo de amor, pois é isto o que ele é. Coberto de amor dos pés à cabeça, uma doçura escondida na autoridade de líder. Submissa aos seus encantos, vou com ele e o levo para onde eu for. Meu corpo guarda marcas de um amor que deixa saudades, antes mesmo de ir embora. E ele sempre volta, como pássaro que encontrou o seu ninho, em meio a tantos outros ninhos sem afeto algum.


fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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