humano demasiado humano

todas as expressões artísticas nos transformam em andarilhos humanos. (demasiado humano)

Fernanda Frota

Fernanda Frota é estudante de jornalismo, cintila a alma por cinema, vive ao pé da letra a sutileza do Manoel de Barros. Acredita na arte da entrega, acredita que as palavras são como fogo, acredita. Levaria Nietzsche, Godard e Woody Allen para jantar.

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    A infelicidade como condição do ser humano.

    "O mal estar na civilização" foi escrito em 1930 por Sigmund Freud, partindo do pressuposto que o indivíduo é um ser infeliz, e que esse mesmo indivíduo vive á mercê de uma infelicidade permanente. Freud especula que mesmo com o advento da ciência, religião e arte como artifício de sublimação do sofrimento, o homem não obteve o contentamento da felicidade. A nomenclatura felicidade pode ser analisada a partir da ideia moderna existente nela, sabemos que todo ser humano tem um ideal de felicidade, e que o homem se posiciona diante da busca por esse ideal. A felicidade é um conceito conhecido pelo senso comum, porém, analisando de maneira análoga, é um objeto muito mais complexo e - pelo viés de Freud - utópico.

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    Todo mundo tem um lado Woody Allen.

    Falar do Woody Allen é pensar no sentido da vida e na ressignificação da morte. É passear pelas ramificações mais inacessíveis da psique. Woody Allen é um homem muito apegado ao cotidiano, com uma boa dose analítica, ele reconhece o que é necessário para um homem ficar de pé nesse mundo caótico, onde todo pedaço de matéria e cada totalidade do universo interfere diretamente na nossa vida.

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    Pierrot le fou - a dimensão infinita de Godard

    A composição cinematográfica se dá, em primeira análise, pela linearidade de um roteiro em uma história, a Nouvelle Vague surgiu, justamente, para romper com esse propósito de simetria, onde o desfecho do filme se baseava nos três pilares ordenados: começo, meio e fim. A nouvelle Vague rompe com esse padrão tradicional de enxergar o cinema, o diretor Jean-Luc Godard foi um dos precursores dessa proposta. A lógica-Godard não é para ser dissociada dos seus filmes, na verdade, é o tipo de composição que se aprecia, que se sujeita a tentar absorver, longe de querer encontrar uma linguagem-padrão ou uma significância concreta.

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    O ''espírito livre'' de Marina Abramovic

    Marina Abramović iniciou sua carreira no início dos anos 70 e, desde então, é considerada pelos amantes da performance art como um ícone. Suas obras estão correlacionadas ao limite, autocontrole e não-objetificação do corpo-mente. O seu corpo é seu objeto de estudo e experimentação, não como algo simplesmente profano, mas sim como alinhamento entre a espiritualidade e consciência corpórea. Abramović usa da busca pela autonomia e limite corporal-mental como instrumento máximo.

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    A embriaguez do perfume das palavras de Manoel de Barros

    O escritor sul-mato-grossense Manoel de Barros, ultrapassa a esfera pragmática do escrever, desmembrando a ''ciência exata'' do saber, transformando a mesma em algo divino, que exalta o abstrato como algo concreto, que eleva o cotidiano e a sutileza das coisas para um outro nível. Manoel de Barros entende que a rã, a borboleta, a árvore, a terra, o pássaro, são artefatos divinos, ao passo que merecem importância como parte fundamental da existência do ser humano.