ideias de guerrilha

Um arsenal de ideias contra a resistência do ócio

Eduardo Silva Ruano

Redator na Obvious, Whiplash e La Parola. Sempre buscando novas inspirações para transformar ideias em palavras

Os Ansiosos e Sonhadores da Geração Y

As principais características, ideias e aspirações dos jovens profissionais e futuros líderes da geração Y.


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Em ambientes de trabalho espalhados por todo o mundo, convivem hoje três gerações: os Baby Boomers (nascidos antes de 1965); a Geração X (nascidos entre 1965 e 1980) e a Geração Y (nascidos entre 1980 e 2000).

Muito se tem dito sobre as características que diferenciam uma geração da outra e, de fato, há uma grande divergência de perfil e interesses entre essas gerações.

A geração Y, em perspectiva, tem demonstrado uma disposição profissional menor que as anteriores, não porque as pessoas que fazem parte dela são naturalmente mais ociosas, mas sim devido à forma precipitada que elas lidam com as expectativas de longo prazo e emoções associadas ao trabalho.

Para os jovens profissionalmente ativos da geração Y, os maiores benefícios aparentes parecem ser estabilidade e uma carreira promissora. Esses trabalhadores são mais autocentrados, hedonistas e platônicos; expostos a um vasto e maior conjunto de informações com as quais sentem que devem lidar de forma acelerada, por vezes desesperada, para assim não perderem seus maiores objetivos de vista.

Uma dificuldade evidente entre os profissionais da nova geração é a ansiedade exacerbada ante os novos desafios e para a devida manutenção de sua felicidade. Em muitos casos, os jovens da geração Y priorizam o lado pessoal em relação às questões profissionais. Eles geralmente têm muita pressa e um enorme senso de urgência, mas nem sempre sabem exatamente o que precisam fazer, pois estão sempre questionando a si mesmos e sobre aquilo que querem.

Os jovens da geração Y não são o futuro, são o presente. No entanto, eles demonstram um desejo fervoroso de "ir", ao invés de "ficar".

De acordo com o gestor Luís Fernando Martins, da empresa Hays:

"A geração Y é muito conhecida por ser ambiciosa e sedenta por conhecimento. É importante que os jovens dessa geração tenham sangue frio e pé no chão, para que assim possam aproveitar as oportunidades de um aprendizado mais robusto e sólido, e também consigam compartilhar mais experiências com sua liderança."

A geração Y é conhecida por mudar de emprego sempre. Uma pesquisa realizada ano passado pela empresa americana de desenvolvimento executivo Future Workplace disse que os jovens esperam passar por 15 a 20 empresas, em média, durante a carreira. O lado bom disso é que eles podem conhecer diferentes filosofias e culturas organizacionais. O lado ruim é que tal estratégia é arriscada e não permite a formação de uma carreira sólida.

Profissionais com pouco tempo de casa recebem tarefas de menor relevância, e só depois de ganharem a devida experiência tornam-se preparados para assumir responsabilidades maiores. Os jovens da geração Y que desejam ter vários empregos e experiências na trajetória profissional correm o risco de nunca serem líderes, apenas meros subordinados, possibilidade que a grande maioria deles rejeita.

Em termos de motivação, a geração Y parece ser menos resistente e insensível, contudo, é mais autonômica e empreendedora.

De acordo com diversas pesquisas recentes, dinheiro é o fator menos valorizado por profissionais da geração Y, enquanto novos desafios e perspectivas de crescimento na carreira são os aspectos mais levados em consideração.

A especialista Célia Foja, diretora da empresa People + Strategy, oferece dicas de como manter o profissional da geração Y motivado:

"Temos hoje dentro das empresas uma nova geração: mais criativa, empreendedora, disposta a aprender coisas novas e quebrar paradigmas. Nós não temos um conflito de gerações, e sim um encontro de gerações. Para motivar esses jovens é preciso dar feedback, pois essa é uma geração que busca saber o que fez certo ou errado, e o que poderia fazer melhor. Esses jovens precisam de horizontes."

Célia ainda lembra que os profissionais mais jovens possuem uma sede ávida por novos aprendizados, virtude que os gestores precisam aproveitar:

"Os jovens têm hoje uma crescente necessidade de interação e compartilhamento de impressões e vivências, sem que isto represente automaticamente um vínculo de longo prazo. Pode ser um espaço ou um formato de aceleração de aprendizagem, se bem direcionado."

Flexibilidade e tecnologia

Grande parte das pessoas que fazem parte da geração Y valorizam a flexibilidade. De acordo com estudo feito pela empresa CompTIA, os profissionais da geração Y querem atuar em empresas que oferecem condições de trabalho flexíveis e opções de trabalho remotas, mesmo que isso signifique ganhar um salário menor.

Para esses jovens, a perspectiva de liberdade acompanha um desejo por autonomia que os faz desejar um ambiente sem pressões externas, no qual possam operar segundo suas próprias necessidades e métodos. Sendo assim, a possibilidade de trabalhar alguns dias em casa e outros no escritório é vista por eles com bons olhos. Uma das justificativas dessa solicitação seria o livre-arbítrio para usar redes sociais, ferramentas enraizadas no cotidiano de jovens, principalmente os que têm idade entre 18 e 30 anos.

Segundo relatório da pesquisa, as informações divulgadas nas mídias sociais são atrativas e servem como distrações potenciais para os jovens da geração Y, em contrapartida, esse hábito representa um real motivo de preocupação para as organizações. Como revela um profissional da CompTIA:

"A maioria dos trabalhadores em todos os grupos etários (64%) acredita que a mídia social gera impactos negativos na produtividade no trabalho."

Quando falamos sobre jovens da geração Y, eles são os que nasceram entre a década de 1980 e 2000, então, foram (e são) direta e fortemente influenciados pela internet. Esses novos trabalhadores, por serem altamente tecnológicos, têm uma dinâmica de comunicação completamente diferente das gerações anteriores. Hoje em dia, um jovem consegue ver televisão, trabalhar no computador, conversar em redes sociais e, de quebra, ainda ouvir música. Essas características híbridas e recém-adquiridas conferem a essa geração um status de exclusividade no que tange a vivência com a tecnologia.

Os pertencentes da geração Y, em especial os mais jovens, consideram crucial a integração das mídias sociais com o trabalho, e sentem que suas habilidades, competências e aptidões devem sim ser compartilhadas publicamente como forma de demonstrar valor (e possivelmente serem reconhecidos) por suas conquistas.

Três quartos dos millenials consideram a tecnologia um fator importante na escolha de emprego, em comparação com pouco mais da metade dos Baby Boomers, de acordo com a pesquisa da CompTIA. O relatório publicado indica também que, à medida que o mundo se torna mais digital, as empresas com a melhor tecnologia estarão em melhor posição para competir e contratar trabalhadores mais jovens.

Outro dado apontado pelo estudo da CompTIA é que o e-mail continua sendo a forma mais dominante de comunicação no local de trabalho, mas novas formas de interação como Skype e mensagens de texto instantâneas estão sendo cada vez mais utilizadas, especialmente por trabalhadores com idade inferior a 50 anos.

Hábitos, ideias e sonhos comuns dos jovens da geração Y

O vício de construir relações profissionais líquidas é evidenciado como uma das características da geração Y, que troca de empregos com mais frequência, estabelece relacionamentos horizontais por meio da internet e, em geral, têm dificuldades em se sujeitar a tarefas consideradas subalternas.

Atualmente, é notável que os jovens da geração Y organizam-se em comunidades físicas e/ou virtuais; eles têm comportamentos e valores coletivos que buscam desenvolver. Preocupam-se com informações atualizadas e em compartilhá-las regularmente. Relacionam-se com pessoas (e informações) de forma abrangente, mas também superficial. Costumam ser restritivos aos temas que não lhe interessam. São individualistas, mas não necessariamente egoístas.

Trata-se de jovens com menor capacidade de lidar com frustração de expectativas, justamente por ser uma geração que se cobra demais.

Sidnei Oliveira, autor do livro Geração Y, afirma o seguinte:

"O jovem da geração Y não sabe lidar com frustrações. De alguma maneira, a sociedade e a família mudaram o discurso e a forma de lidar com os filhos, protegendo eles de decepções o máximo possível. Essa proteção faz com que os jovens sejam mais frágeis no mercado de trabalho. Eles entram nesse mundo qualificados em termos acadêmicos, mas não têm tanta força para suportar a realidade profissional. O jovem espera que o mundo corporativo trabalhe a favor dele, ou que os gestores ajam como os pais, dividindo a responsabilidade, protegendo e oferecendo benefícios antes de lições e consequências. Só que a vida real funciona bem diferente."

Em uma geração de idealizadores, é esperado um senso de orientação. Muitos jovens se sentem presos em ciclos viciosos de ação e realmente precisam de referências que não têm encontrado. Segundo Oliveira:

"O que os jovens mais precisam nesse momento é de mentores. Hoje, a geração Y tem muita dificuldade de olhar para alguém mais velho e enxergá-lo como alguém de referência, como um líder que de alguma maneira possa inspirá-lo a tomar uma decisão ou caminhar em uma direção. Não é aconselhar, é inspirar. É diferente de dar um conselho ou palpite."

*Com informações da UOL e Exame


Eduardo Silva Ruano

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