ideias de guerrilha

Um arsenal de ideias contra a resistência do ócio

Eduardo Silva Ruano

Redator na Obvious, Whiplash e La Parola. Sempre buscando novas inspirações para transformar ideias em palavras

Sexo Sem Luxúria Não é Sexo

Sexo bom é feito na sujeira, com baixeza, imoralidade e suor. Há um nível de desrespeito que os parceiros sexuais felizes admitem.


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Sexo bom é feito na sujeira, com baixeza, imoralidade e suor. Há um nível de desrespeito que os parceiros sexuais felizes admitem.

A sensação fervorosa de tesão, aplicada do modo selvagem das bestas, com uma pitada de prudência, tende a gerar as experiências sexuais mais inesquecíveis. Deixar-se levar pela luxúria e corresponder às vibrações de prazer com progressiva intensidade, até que o apogeu orgásmico justifique todo o esforço anestésico.

Não poucos homens compartilham o fato de que uma das coisas mais exuberantes da vida é fazer uma mulher gozar de tal forma celestial e sublime que o seu próprio gozo se torne uma questão facultativa. Aqueles gemidos de clímax bombeiam todo o cérebro com doçura e, só nesse momento, todas as angústias parecem ridículas.

O nível de satisfação do gozo é proporcional à qualidade do trabalho. Nesse sentido, as preliminares são detalhes fundamentais, servindo como investimento que vale tanto quanto seu retorno. Percepção do tempo esgotada durante a consumação sexual: eis a maneira correta de saber quando foi gostoso.

Muitas mulheres custam a atingir o orgasmo e tendem a julgar o desempenho de seu parceiro não apenas pela potência de seu gozo, mas principalmente pela capacidade de tê-las ajudado na superação daquela dificuldade, algo que se faz mais com jeito do que com força – em desacordo à dinâmica nos filmes pornô.

Existe uma tendência do sexo terminar logo após o homem gozar, sinal de egoísmo machista que muitas mulheres já dão como normal, mas que simplifica demais o ato e pode fazer o casal se acomodar em rotina.

Havendo consentimento e liberdade criativa – entre dois ou cinco, homem com mulher, homem com homem, mulher com mulher –, os portões do paraíso sexual estão abertos e a maioria gosta de lá dentro estar, saindo apenas para renovar o apetite e esfriar a cabeça.

Que comportamentos fazem as mulheres se sentir relaxadas, protegidas, desejadas e confiantes? Alguns homens vão para a arena da sedução sem mesmo cogitar essa questão; suas revoluções por sexo falham antes mesmo de entrar em marcha.

Uma reclamação feminina comum é que os homens estão muito apressados pensando apenas em peito, bunda e boceta, em vez de animá-las com carinhos e fetiches inusitados. Eles esgotam todo seu arsenal de energia sexual seguindo um roteiro padrão, e não se preocupam tanto em explorar outros territórios sensíveis espalhados pelo corpo. Essa ansiedade masculina reduz o tempo de aquecimento necessário para que a mulher se doe completamente.

Homens adoram ser pegos de surpresa com atos inovadores e mulheres têm uma imaginação sexual vastíssima que beira o sobrenatural. A imprevisibilidade na abordagem reduz a ansiedade ao deixar algumas expectativas fora de controle; reações fisiológicas ocorrem espontaneamente, dadas à pura naturalidade, o que faz reduzir o pessimismo atrelado à necessidade de perfeição de desempenho. Sexo saudável pouco concorda com fórmulas prontas e mantras orientais.

Algumas damas gostam de ser conquistadas e, assim, querem homens decididos e persistentes; querem tanto que a falta de iniciativa lhes é o primeiro critério de eliminação – se bem que, às vezes, elas presenteiam os mais audaciosos com silêncio para se sentirem deusas. E há também as que, cansadas da burocracia do senso comum, tomam para si a responsabilidade da conquista e, não raro, modelam as mais explosivas respostas masculinas a seu favor.

Em seu provocante filme Ninfomaníaca (Vol. I e II), o diretor Lars von Trier defende que sexo sem amor é estéril como uma árvore sem a luz do sol. O amor não é requisito do sexo, mas, uma hora, a atividade sexual desprovida de amor torna apática a mais forte das paixões.

O objetivo racional do sexo é a procriação da espécie, sua preservação, algo que, no entanto, soa um absurdo incogitável para quem não quer ou não está preparado para responsabilizar-se por um filho. A maioria dos jovens pensa que, hoje, ter um filho significa desistir de seus projetos individuais.

Para amar uma pessoa é preciso respeitá-la, mas não é necessário amar todos que se respeita. O conselho bíblico "Amai o próximo como a ti mesmo" funciona se houver interesse e reciprocidade; caso contrário, será falso em sua própria manifestação.

Erich Fromm dizia que o amor verdadeiro é totalmente inclusivo, caracteriza-se pela falta de exclusividade, sendo a mais difícil e relevante das artes. Se o amor é uma arte e nem todos são artistas, muitos amantes estão sem rumo.

Respeito puro é considerar uma pessoa por ela ser pessoa, independente de seu trabalho, nível de alfabetização, raça, cor, sexualidade, condição financeira, inclinações políticas e religiosas, o que não significa que não haja desafetos e preconceitos de toda ordem. Alguns não conseguem imaginar um mundo em que o respeito chegue a esse patamar, porque não vivem nele. Ninguém é obrigado a amar quem não gosta e, se essa obrigação está implícita no amor verdadeiro pela humanidade, isso prova apenas que a falta de hipocrisia não é privilégio de ninguém.

Lars von Trier sugeriu que o amor deve vir antes do sexo para o melhor proveito deste. De fato, quanto há um sentimento de amor em consonância com o sexo apaixonado, a luxúria torna-se ainda mais gostosa e causa menos danos morais, favorecendo ambas as partes.

A pessoa não deve ser usada apenas como um meio para a satisfação de impulsos carnais animalescos, mas considerada um fim em sentimento, sem o qual não há a mínima possibilidade de fruição honrosa. Embora às vezes as pessoas sejam usadas como objetos sexuais – o que acontece no mercado de prostituição – e deixadas ao relento após essa utilidade, seria estupidez abominá-las, uma vez que cada pessoa tem o direito de fazer do seu corpo templo em que valem as próprias regras.

Prostituição é um negócio frio, sem graça, diga-se de passagem. Qual é o mérito de pagar por um sexo sem substância emocional genuína? São robôs transando com robôs e gozando em camisinhas de látex testadas por robôs. Não é dinheiro que compra o carinho de uma mulher, apesar de muitas acharem impossível amor sincero em um homem pobre.

Dentre os tipos de amor, o erótico é o que mais aprisiona, e por isso se vê muitos tentando viver bem sem ele ou morrendo por ele. Que besteira é essa, se a maioria se sente libertada enquanto feliz sexualmente? Felicidade sexual é produto do amor, mas o amor, se não sobrevive sem sexo, está destinado à frustração.

O amor procurado é improvável; ele profunda e simplesmente acontece através da combinação ótima entre abertura de fé interior e correspondência voluntária. Em se tratando de amor, quem quer acha, mas quase nunca no tempo solicitado, pois a maturidade amorosa é subjetiva e configura-se num processo oscilante, nunca como evento derradeiro. Essa maturidade tem menos a ver com idade e mais com ascese e coragem; há homens de meia idade se martirizando por falta de amor como crianças que não ganharam presente de aniversário da mãe, e adolescentes que valorizam seus pares com mais certeza de vontade que muitos veteranos de coração.

O sofrimento por amor é legítimo; quanto mais ele dói, mais se ama. Algo efetivamente oposto ocorre com sadismo, em que se procura aumentar a dor para compensar a carência de sensibilidade.

Todo grito de amor é um triunfo contra o silêncio do universo; não há melhor forma de quebrar o silêncio do que com esse sentimento, sem o qual seria impossível conceber uma raça superior.

Há uma necessidade da mulher simular resistência às investidas masculinas, pois pensam que a valorização pessoal será tanto maior quanto menos "fáceis" parecerem. Facilidade em quê? No Brasil, especialmente, os jovens que transam com várias mulheres são elogiados, pois deduz-se deles uma virilidade abastada, enquanto as mulheres recebem a pecha de vagabundas pelo mesmo comportamento. A eles se atribui o sucesso pela sustentação da poligamia erótica; a elas a reprovação pela vulgaridade e falta de discriminação.

A briga por concessões de poder tem vez no feminismo, para citar um caso de saúde pública. Bom lembrar que machismo também é praticado entre as mulheres, nem por isso elas deixam de ser donas de si mesmas ou prostram-se em complexo de inferioridade. O humanista sincero trata todos com igualdade, mesmo sabendo que homens e mulheres não são iguais, nem que a dignidade é um fim universalmente compartilhado, apesar de dever ser.

O regime de casamento tradicional religioso estimula o preconceito; é coercitivo em relação à mulher, pois coloca o homem num pedestal mais elevado que nunca esteve. Essa blasfêmia é amplificada em vários tipos de relação, não se restringindo ao matrimônio. Ele sente que precisa tomar medidas rigorosas para domar a complexidade da conduta de sua parceira; em contrapartida, sem a influência dela para abalar a estrutura seu senso de masculinidade se transformaria em pó.

Algumas famílias se unem para a tradição de compartilhar refeições e, após todos ficarem saciados, as mulheres não deixam um homem lavar a louça, por mais que este se predisponha e insista. Motivo de vergonha? Elas foram criadas assim, está embutido em seus valores domésticos e nenhuma propaganda feminista subtrairá sua disposição, pois o fazem com orgulho e determinadas pela própria iniciativa.

Se um homem realiza as tarefas caseiras, é imediatamente elogiado como exemplo de cavalheirismo, mas por que, quando a mulher o faz, não é congratulada? Pensa-se que ela não faz mais que a obrigação, e que ele, por quebrar um paradigma cultural, deve ser parabenizado. As mulheres têm razão em repudiar essa incoerência.

Os mais velhos dizem, com humor, que as mulheres são as criaturas mais letais da natureza, carregando consigo a sensualidade e volatilidade inerentes à competência de enlouquecer até o homem mais sensato da sociedade. Frase machista, absurda, mas também não se pode esquecer que Helena, a bela das belas, foi a causa da Guerra de Tróia; que o rei Macbeth foi manipulado por sua esposa a usurpar o trono do inimigo e, no final, terminou assassinado, deixando seu povo atormentado em medo e superstição; que a jovem Cleópatra seduziu o experiente monarca Júlio César só para usá-lo em suas empreitadas egoístas de poder; e que Ulisses tapou com cera os ouvidos de seus marinheiros sabendo da aproximação das sereias. Se, historicamente, o feminismo é uma reação de ressentimento ao patriarcado opressor, o patriarcado opressor teme que o sexo mais frágil não seja o feminino.

Ao mesmo tempo em que certa abertura ao encanto é necessária para aproveitar os prazeres sensacionais com vitalidade, os homens, por carência, são ledos escravos de seus desejos e, considerando que o sexual é de longe o mais inebriante de todos, basta unir o útil com o agradável para saber aonde isso leva. Na dramaturgia, ao lado de todo herói há uma mulher, e ao lado de todo vilão faltou um sábio.

Sexo é igual dinheiro: resolve muitos problemas e cria tantos outros. Os homens têm duas cabeças e, em geral, quando a de baixo está muito irrigada a de cima pensa pouco. Mas, dependendo do nível da paixão, o melhor é embriagar-se em sexo com reticências. Pouca gente lembra para que serve a castidade quando seu solo está fértil a ponto das sementes germinarem em qualquer clima. Em certas circunstâncias, irracional é não ceder à paixão e, diante do pecado, não pecar.

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A culpa como força motriz da resistência sexual é dirigida em algumas religiões, em especial na cristã. O historiador Leandro Karnal brinca em seu livro Pecar e Perdoar:

"Para afastar os padres do sexo, em determinado momento, a Igreja proibiu-lhes o casamento. Minha fala é que, para afastar alguém do sexo, a única coisa 100% eficaz é o casamento."

A proibição do desejo, ao tentar promover valor na castidade, o reforça. Prive um homem de comer e ele não pensará em outra coisa senão em alimento. Prive um homem de água e ele sonhará com uma fonte de água fresca. Prive um homem de sexo e sua mente será enxurrada com fantasias perversas. Mas ninguém pode ser privado da intenção do pecado, que provém da consciência moral (livre).

A partir da frase “Errar é humano”, o perdão passou a ser visto como uma atitude de livramento; sem a ideia de pecado, ninguém daria conta de ser moral. O brilhante Santo Agostinho não à toa rogava:

"Senhor, tornai-me casto; mas não ainda."

É por causa do sexo que se está vivo hoje e com ele se fará a vida. O papo católico do "sexo apenas para fins de reprodução" é um estímulo a muitas crentes que, proibidas moralmente de fazer amor quando bem entenderem, o fazem mesmo e com muito mais vontade de chupar, sentar e gozar do que se não fossem expiadas.

Desde tempos antiquíssimos, há na sociedade um movimento moralista de repressão da sexualidade. Esta pauta interessou Michel Foucault a maquinar sua obra A História da Sexualidade. Ele diz, com ênfase, que uma sociedade que se propõe a incitar o discurso censurador de sexo como algo secreto e proibido já está reprimida, o que demonstra sua ambição profunda por canalizar a vontade de poder sexual se manifestando. Enquanto nas comunidades cristãs o sexo tem sido objeto de controle e vigilância ao longo dos séculos, há uma verdade do erótico como hemoglobina no sangue da existência. O discurso de fazer sexo de acordo com a identidade pessoal apoia o que inúmeros psicanalistas vêm dizendo: "Para saber quem você é, decifre sua sexualidade".

Sexo não é tudo na vida; a insatisfação de vida sem sexo dá o falso entender de que seja uma obrigação e, em simultâneo, reprime o ato sexual, gerando mentes confusas para se libertar de suas amarras e descobrir do que são capazes de fazer com seu eu erótico. Os discursos repressores, ao tentarem erradicar os prazeres infrutíferos, falham, na opinião de Foucault, pois levam à multiplicação da perversão, alocada na solução moral concernente. Do movimento conservador antiliberal da sexualidade surgiram, em reatividade, novas culturas sexuais e diferentes modos de fazer amor.

Na modernidade, outro tema que vem à tona, infelizmente, é o da traição. Algumas pessoas, por terem sido traídas, exilam-se em seu interior, na escuridão do local mais afastado, e de lá voltam mudadas, quando voltam. Mesmo péssimas, ainda podem contar com o apoio da própria consciência, se foram fieis do início ao fim. Já o traidor, por mais que confiem nele e se sinta poderoso, não está, em si, seguro, pois sua consciência foi envenenada pelo constrangimento e ele pode se enganar quanto quiser, até que se redima.

Pressupor que a má consciência é daquele que foi traído, não de quem trai, é típico do homem que usa a vontade de amor como disfarce da pureza de seu espírito, enquanto ele mesmo é a definição de imundície.

Traição, quando envolve paixão, é o motivo mais perigoso, pois os traídos talvez se revoltem como justiceiros revolucionários acima da lei. Ao pensar com o coração em vez de com a cabeça, oferecem à vingança a oportunidade de ser enganados mais uma vez, agora por si mesmos, revelando como ainda estão suscetíveis àquela cegueira que os fez confiar na pessoa errada. Se, por outro lado, abandonam a necessidade colérica de fazer mal ao culpado (traidor), com perdão estarão mais treinados a não se deixar persuadir por ser ingênuo ao praticar a generosidade.

Por que o homem, assim que se casa, perde uma porção de seus amigos? Eles constituem uma ameaça ao seu casamento sagrado? Deixaram a vida de solteiro e, portanto, também aqueles com quem construiu antigos hábitos associados à solteirice? Se o homem se casa e dispensa seus amigos, independente das exigências de sua mulher por exclusividade de tempo e mimo e da sua reprogramação de manias, eles eram apenas afetos de moda. A irmandade genuína resiste a qualquer segredo feminino; nenhuma mulher destrói uma amizade masculina construída com verdade e, se destruiu, nunca foi amizade.

A infidelidade é uma praga em tempos líquidos. Aplicativos de encontro, por exemplo, estimulam a administração da contabilidade de afetos para compensar a lacuna sentimental de cada usuário em particular; partem do vazio existencial para oferecer o serviço. A lógica é transar com quem animar e, quanto mais contatos, maravilha, maiores as chances de dar certo com alguém, dado que haverá quem desapareça. Essa vulnerabilidade é bem explorada pelos magnatas de cassinos, que lucram exponencialmente ao programar suas máquinas de azar com combinações matemáticas que produzem um jogador bem afortunado para duzentos e cinquenta desgraçados. Duma passagem da Divina Comédia de Dante, tem-se:

"Todos tiveram a mente tão ofuscada pelo amor às riquezas na vida terrena que não despenderam nada com equilíbrio."

Se algumas pessoas se conformam à liquidez, deve haver certos prazeres em nadar nela. Poligamia é uma escolha consciente, vive-se bem com ela quem pode, mas ainda está para nascer alguém que não sinta ciúme ao dividir sua essência mais íntima com vários. No mundo atual, ninguém é insubstituível, então toda incerteza estratégica tem impacto negativo muito maior do que há centenas ou milhares de anos, quando os relacionamentos eram arranjados entre menos candidatos.

Se o amor é uma atitude empoderadora, e a política nada mais é do que a ciência que trata da busca de poder, é permitido dizer, parafraseando Maquiavel e, antes dele, Dante, que, em circunstâncias de caos no amor, posicionar-se neutro é a pior escolha. Porque, ao fim do confronto, o vencedor não quererá recompensar quem nunca o ajudou à consecução da vitória, nem o perdedor poderá contar com quem o deixou na mão no momento que mais precisava. O único limbo que faz a diferença é o agnosticismo, mas isso na religião; em se tratando de política nas relações amorosas, quem não toma partido termina abandonado (na melhor das hipóteses).

"No inferno, os lugares mais ardentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempos de crise."

Pode-se insistir que, se existe disputa, não é mais amor. Claro que é. A exclusão do poder na equação do amor dá resultado nulo. O esquecimento do orgulho é traço típico do poderoso de amor, já que os homens são frágeis demais para dispensar o amparo das relações de poder.

Não se pretende defender que o amor se faz na guerra de influência, mas, seguramente, a ausência de conflito leva qualquer relacionamento ao comodismo destrutivo. Os casais que nunca brigam não produzem admiração, e sim aqueles que conseguem resolver seus problemas a partir de um pacto de cumplicidade, abdicando de certas motivações egoístas – para não pôr em perigo a saúde de sua parceria –, mas não de todas – o que faria delas miseráveis de amor próprio.

Por fim, quer-se lembrar do falecido escritor Charles Bukowski, que ficou famoso pela sinceridade estrondosa, devassidão, melancolia e luxúria. Os mais próximos diziam que ele era um amor em pessoa, um homem sensível e terno apesar da sisudez pessimista sobre o mundo. Chutando baixo, uns 95% dos que o conheceram pessoal ou indiretamente odiaram a experiência; para ele, não infelizmente, pois sustentava uma misantropia que, talvez, fosse apenas uma forma de fazer marketing pessoal, por mais contraditório que seja. Um dos temas que ele gostava de discorrer era sexo; não um sexo educado, mas aquele feito na escandaliza, com base na putaria, excelente forma, dizia ele, de evadir-se da monotonia existencial. Uma de suas cômicas frases resume bem a luxúria em pessoa:

"O sexo está chutando a morte na bunda enquanto canta."


Eduardo Silva Ruano

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