imagem cotidiana

Imagens que vemos (ou não) em meio ao caos (ou à calma)

Beatrice Bonami Rosa

Beatrice Bonami Rosa é artista plástica com uma paixão bem resolvida pelo desenho, fotografia e comunicação.

15 Artistas bizarros e suas obras nada comuns

Artistas na história da arte são reconhecidos pelas suas belas obras de arte cheias de mérito segundo os críticos, o povo e a academia. No entanto, há outro grupo de artistas que são reconhecidos pelas suas obras um tanto bizarras. Algumas dessas bizarrices são indeferidas até por leis, principalmente as que vigoram a favor da ética e dos direitos animais. Porém, outras são maravilhosas e há aquelas que marcaram vanguarda. Vamos checar algumas delas?


1. Marcel Duchamp – A fonte by R. Mutt – 1917.

Não podemos negar que o precursor das bizarrices contemporâneas foi o ilustre artista Marcel Duchamp. Mais especificamente com seu trabalho “A Fonte”, feito sobre seu pseudônimo de R. Mutt. As questões sobre “o que é arte” ou afirmações do tipo “isso até eu faço”, datam dessa época e se tornaram latentes com essa obra de Duchamp. E então, isso é arte, ou só pura esquisitice? São 100 anos de “A Fonte” e não conseguimos decifrá-la.

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2. Luis Buñuel e Salvador Dali – Um cão Andaluz – 1929.

Um homem afia uma lâmina e corta o olho de uma mulher, imitando uma nuvem que ao passar em frente à lua a parece cortar em duas. Um homem, vestido com peças de roupa de freira e uma caixa ao peito cai da bicicleta, na estrada, permanecendo imóvel. A mulher leva-o para casa, dispondo sobre a cama peças de roupa, que retira da caixa que ele trazia ao peito. O homem observa a sua mão cheia de formigas. A imagem mostra a nuvem de formigas que tornar-se a axila peluda da mulher, e depois um ouriço.

Ao se tratar do surrealismo, bizarrices não faltam. Mas esse filme O cão andaluz é considerado até hoje o diamante das experimentações fotográficas e videográficas além de ser extremamente vanguardista. Mas temos que concordar que até os dias atuais ele é bem estranho. Vale a pena conferir.

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3. Marina Abramovic - DO IT at e-flux – 1996.

O DO IT é um projeto do crítico e curador europeu Hans Ulrich Obrist, no qual os artistas cadastrados dão aos internautas um manual para realizar uma obra de arte. Vamos checar as instruções que a performer Marina Abramovic dá em sua sessão no DO IT para realização de um trabalho artístico:

Culinária Espiritual (1996)

Misture Leite fresco do peito. Com Leite fresco do esperma. E beba nas noites de terremoto. Sobre seus joelhos, limpe o chão. Com sua respiração. Inale a sujeira. Lave seus lençóis da cama com suco de limão.

Cubra seu travesseiro com folhas de sálvia. Com uma faca afiada. Corte profundamente o dedo mediano da mão esquerda. Coma a dor. Olhando a parede. Coma nove pimentas vermelhas. Leve 13 folhas de repolho verde inteiras. Com 13.000 gramas de ciúme. Vaporize por muito tempo em um pote fundo de metal. Até que toda água evapore. Coma antes que te ataque. Urina fresca da manhã. Borrife sobre os pesadelos.

Bizarro não? Por via das dúvidas não façam isso em casa.

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4. Chris Bürden – Um tiro em si mesmo –1971.

Um tiro em si mesmo? Exatamente. Chris Bürden em sua obra Shoot (Tiro) quis que ficasse registrado na parede da exposição a marca do tiro e o sangue da vítima. E então ele o fez: chamou uma pessoa para que lhe desse um tiro na abertura da exposição. E sim, ele sobreviveu.

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5. Guillermo Vargas Habacuc – A morte do cão – 2007.

Um cão morto? Arte? Infelizmente, esse episódio ocorreu. Em 2007, o costa-riquenho Guillermo Vargas Habacuc, até então considerado um “artista”, mostrou-se na verdade um assassino ao expor, em uma galeria de seu país, um cachorro amarrado até que morresse lentamente de fome e sede. Uma agonia que durou dias e foi contemplada passivamente pelo público. Como se não bastasse a “obra” foi repetida em 2008 e gerou protestos mundialmente contra a crueldade explicita e consentida pelo público, curadores e entidades legais. Alguns alegam que ocorreu, outros alegam que foi só um boato.

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6. Wim Delvoye - Porcos Tatuados – 2010.

A exposição intitulada ‘Porcos Tatuados’, do “artista” belga Wim Delvoye, provocou polêmica no Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Nice, na França. Sete porcos empalhados e tatuados causaram indignação de entidades de defesa dos animais.

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7. Doris Salcedo – 1550 chairs (1550 cadeiras) – 2003.

Em 2003, a artista plástica colombiana Doris Salcedo viajou até Istambul, a capital da Turquia, para criar esta obra. A instalação foi realizada durante a 8ª Bienal Internacional de Artes da cidade turca. Foram usadas 1.550 cadeiras, dispostas entre dois prédios de uma rua da região central da cidade. Com essa obra, Doris quis fazer uma homenagem às vítimas de guerra. Incrível não é?

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8. Hermann Nitsch – 6 Day Play (Espetáculo de 6 dias) - 1980. Não tem exatamente uma obra bizarra ou estranha do artista Hermann Nitsch: praticamente todas são grotescas, fortíssimas e nojentas. Conhecido como o “artista escatológico” ele “trabalha” em espetáculos performáticos com muito sangue e vísceras animais contrapondo a questão sexualidade (em sua maioria orgias), religião e o próprio sangue. É motivo de protesto de boa parte das ONGs de proteção animal no mundo desde 1962 a 1998. São cenas fortes! Suas obras já foram intervindas por várias leis de cunho ético e são consideradas “hereges” pelas instituições religiosas.

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9. Christo e Jeanne Claude – Série Envelopamentos – 1960 – 1990.

O que você faria se um dia você precisasse ir à prefeitura de sua cidade e se deparar com ela envelopada? Sim, toda coberta por um tecido branco como se estivesse embrulhada para presente. Essa é a série de obras mais latente dos artistas Christo e Jeanne Claude em que eles envelopam vários lugares famosos como: Pont Neuf (Ponte 9) em Paris na França; o parlamento alemão em Berlim; A costa marítima de Sidney na Austrália; e por aí vai. O objetivo dos artistas era silenciar esses monumentos que tanto são importantes e gritantes dentro dos contextos dos transeuntes. E vamos falar, eles conseguiram.

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10. Piotr Pavlenski – Fixação – 2013. O artista russo Piotr ficou conhecido no ano passado como maluco pela sua obra “Fixação”. Na performance, ele se sentou nos paralelepípedos da Praça Vermelha de Moscou – Rússia e pregou seus testículos com um martelo no chão da praça. “Coincidindo” com o dia da Polícia Russa, Pavlenski ficou imóvel por mais de uma hora olhando para baixo numa ação que ele próprio classificou como “metáfora da apatia, indiferença política e fatalismo da sociedade russa atual”. No dia da ação faziam 10 graus. Bizarro não é?

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11. Rodrigo Braga – Fantasia da Compensação – 2008.

O artista Rodrigo Braga ficou conhecido por nada menos que costurar um rosto de cachorro em seu próprio rosto. As ONGs de proteção animal intervieram e Rodrigo afirmou com ajuda do Abrigo para animais, que o cachorro já estava morto e ninguém foi procurá-lo durante seu estado terminal ou depois de sua morte. Como a obra de Habacuc, há aqueles que afirmam que a transformação foi física e outros que dizem que foi edição digital. Confira a modificação (dá até um arrepio!!!):

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12. Artur Barrio - Três livros e meio, 2000.

O artista ambiental Artur Barrio fez esculturas em pedra intituladas “Três livros e meio” e as instalou em lugares ermos e inóspitos nos confins do mundo. São esculturas que só podem ser encontradas com coordenadas de GPS com latitude e longitude específicas. Uma delas encontra-se em algum lugar do Rio Grande do Sul no Brasil. Uma arte camuflada que ninguém vê. Estranho.

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13. Walter De Maria – Campo de Raios (Lightning Field) 1977.

O que você diria sobre um artista que faz arte com os raios de uma tempestade? Sonho ou pesadelo? Bom, é realidade! O artista Walter de Maria posicionou em um campo aberto nos Estados Unidos (com grande incidência de descarga elétrica) postes magnéticos que atraem raios. Foi uma instalação de quilômetros e De Maria fotografou a atração dos raios de tempestades. Estranho, porém magnífico e maravilhoso! Veja as fotos:

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14. Yves Klein – Antropometria – 1960.

O artista francês Yves Klein produziu um tom de azul pelo qual ele era apaixonado. Em sua série de trabalhos, em Antropometria ele dispõe a tinta em um plano, de tal forma que modelos se banhassem da tinta e depois marcassem seus corpos na parede. Mas é claro que não foi só isso. Na abertura de uma exposição ele ofereceu um drink que deixava a boca azul e mais: fez com que os convidados urinassem a sua cor azul por dois dias seguidos após a exposição. Uma boa maneira de impregnar sua cor, literalmente!

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15. Piero Manzoni – Merda de artista – 1961.

Merda de artista? Vai saber... O artista italiano Piero Manzoni distribuiu latas lacradas com o rótulo “Merde d´artiste” ou “Artist´s shit” pelo mundo na década de 1960. É o cúmulo do conceitual. Se era mesmo merda? Ninguém foi corajoso o suficiente para abrir. Então, resta obedecer ao rótulo da lata. E só para constar: essas latas assinadas valem uma fortuna hoje!

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Beatrice Bonami Rosa

Beatrice Bonami Rosa é artista plástica com uma paixão bem resolvida pelo desenho, fotografia e comunicação. .
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