imagens e letras

Diversidade Cultural

Olavo Saldanha

Escritor, poeta, escultor, fotógrafo e Designer, mas que ficou preso nos braços da odontologia. Tudo arte.

Antonio Guerreiro, o arquivo

Um dos fotógrafos mais solicitados da cena artística brasileira, criou seu glamouroso mundo da imagem numa era sem photoshop e viveu plenamente bem debaixo das armas da ditadura.


Em plena época da ditadura brasileira, Antônio Guerreiro conseguiu, durante muitos anos, registrar aspectos interessantes da história glamourosa da fama.

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Ele registrou esse glamour nas décadas de setenta e oitenta (Estima ter entre 300 e 600 mil negativos e cromos), em especial o universo feminino, onde também viveu seus amores; foi casado com Sônia Braga e com a inesquecível Sandra Bréa, além de ter namorado uma lista invejável de mulheres.

Com sua arte, Guerreiro capturou um Brasil em transe, esquisito mesmo,no momento entre os canhões militares e a sociedade que apostava num Brasil deslumbrante.

Com a Índia, de Gal Costa, capa de disco proibida e só depois autorizada sob condição escondê-la com tarja plástica preta, foram mais dezenas de outras capas. Muitas imagens se tornaram clássicas, como o cartaz do filme “Eu te amo” com Sônia Braga”.

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Guerreiro é espanhol de Madrid, e veio para o Brasil ainda criança. De Juiz de Fora, Minas Gerais, mudou-se para o Rio de Janeiro, ainda adolescente e lá desenvolveu sua carreira. Seu pai era o milionário industrial português que inventou as figurinhas de futebol nas balas e os chocolates em forma de guarda-chuva.

Em 1968 trabalhou no Correio da Manhã e posteriormente no Jornal do Brasil. De 1970 a 1972 esteve na França como fotojornalista da revista Manchete. Ao voltar tornou-se o mais requisitado fotógrafo do país.

Trabalhou para várias revistas, entre elas as masculinas Status e Homem, depois Playboy. Foram dezenas de capas de revistas e de discos de cantores brasileiros, Maysa, Gal Costa, Jorge Benjor, Nelson Gonçalves, Gonzaguinha entre tantos. Também foi fotógrafo de presidentes. Fotografou, por exemplo, o General João Figueiredo na intimidade e Lula em campanha.

Foi através da publicação do artigo sobre as capas de revistas de mulheres grávidas que tive o privilégio de entrevistar Guerreiro. No artigo “Grávidas e Lindas” apresentava capas de ensaios de famosas grávidas a partir do ponto de vista da Vanity Fair, que publicara em agosto de 1991 uma capa com a atriz Demi Moore nua ostentando sua bela gravidez. Pois bem, neste mesmo mês e ano saia, também grávida e nua e bela, na capa da Revista Manchete, a atriz Luma de Oliveira fotografada por Antônio Guerreiro.

 

         

 

Conversamos sobre o ensaio e sobre a vida deste mestre na arte da fotografia.

OLAVO SALDANHA – Como foi a criação do ensaio da capa da revista manchete em 1991 com a luma grávida e nua. A nudez gerou alguma questão de preconceito ou o país aceitou bem?

ANTÔNIO GUERREIRO – Essa questão da pose não acho que seja o ponto central, porque é simplesmente uma questão de estética e bom gosto. A grávida fica mais bonita de lado e tampar os seios é para deixar uma aura de inocência na foto. Acho que em 91 já existia uma certa liberdade de preconceito, então foi muito bem aceita. Logo depois, fiz a foto dela já com o filho do Eike Batista no colo, também foi capa de Manchete.

OLAVO SALDANHA – A capa me fez lembrar a Leila Diniz. Você conheceu bem a Leila? Ela era realmente este furacão de liberdade que a história conta?

ANTÔNIO GUERREIRO – Sem dúvida, ela foi responsável por muitas das liberdades que temos hoje em dia, fiz vários trabalhos com ela, em estúdio, externas e em teatro. As fotos da célebre entrevista dela no Pasquim também são minhas, fizemos um show dela com a Beth Faria onde a parte visual era minha, enfim, ela era muito querida, alegre e avançada para essa época.

OLAVO SALDANHA – Você já teve trabalhos censurados? Até que ponto a censura limitava seu trabalho?

ANTÔNIO GUERREIRO - O primeiro foi a capa de Gal Costa, Gal India, que foi proibido, depois autorizado mediante uma cobertura de plástico preto, tipo um saco, e o disco dentro, aí bateu recordes de vendagem. Depois, durante os muitos anos em que trabalhei na Playboy. Aí eram coisas do tipo, só pode um peito, genitália não e outras coisas. A mim não limitava porque buscávamos outras formas de fazer as coisas de uma forma mais plástica, envolvente, sonhadora.

OLAVO SALDANHA – Qual a diferença na produção de um ensaio daquela época para hoje, está mais fácil, as produções são melhores?

ANTÔNIO GUERREIRO: As produções eram mais envolventes, até mega produções, como as que fiz com Betty Faria em Paraty, Sandra Bréa, Maria Zilda em Arraial d’Ajuda, Sonia Braga diversas vezes, o fotógrafo tinha total liberdade e por isso, era muito mais criativo.

OLAVO SALDANHA – Basta folhear uma revista da década de 1970 ou 1980 para perceber que, até para a nudez, o padrão de qualidade e beleza exigidos pelo fotógrafo era alto. Hoje nem tanto. Você percebeu este fenômeno?

ANTÔNIO GUERREIRO – Pois é, o fotógrafo era tão estrela quanto a fotografada, as chamadas de capa diziam : veja as maravilhosas fotos que o fotógrafo tal fez de fulana, as mulheres tinham um corpo mais bonito sem o exagero de hoje, a gente trabalhava com luz, ângulos, produção, maquiagem e não com o Photoshop que iguala todo mundo.

OLAVO SALDANHA – Houve perda no romantismo da era analógica ou a tecnologia não banalizou a fotografia?

ANTÔNIO GUERREIRO – Não acho que o romantismo da era analógica seja diferente da era digital, só mudaram os meios, mas a técnica, o olhar, o bom gosto, serão sempre os mesmos, independendo da mídia utilizada.

OLAVO SALDANHA – Você tem uma boa parte da história do Brasil nas suas mãos. Para que o Brasileiro tenha noção do potencial histórico, qual o volume desse material e o que pretende fazer com tudo?

ANTÔNIO GUERREIRO – O material é imenso, pois fotografei todo o mundo desde 1970 até os dias de hoje, já fiz uma grande retrospectiva com 150 painéis de personalidades no Museu Nacional de Belas Artes, aqui no Rio, e estou em busca do famoso patrocínio para editar o meu livro, que já tem um projeto pronto, agora é ir atrás.

Juca Chaves

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Leila Diniz

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Leila Diniz e Beth Faria

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Leila Diniz

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Nelson Rodrigues

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Chico Buarque e Marieta Severo

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Vinicius de Moraes

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Rita Lee

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Sônia Braga

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Maria Bethania

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Bethania, Melodia, Gal, Nara Leão, Odair José e Caetano

 Bethania, Melodia, Gal, Nara Leão, Odair José e Caetano

Geraldinho Carneiro e Cartola

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Com Elis Regina

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Secos e Molhados

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Gilberto Freyre

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Antonio Guerreiro, Elke Maravilha, Alfredo Grieco, Tom Jobim entre outros.

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Caetano, Gal e Bethania

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Com Daniel Filho, Eduardo Mascarenhas, Arnaldo Jabor

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Caetano e amigos

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Com Paulo Ricardo e Luiza Brunet

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Elke Maravilha e Dzi

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Baby Consuelo (do Brasil)

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Neville, Nelson Rodrigues e Sônia Braga

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Com Tonia Carrero

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Com Pierre Cardin

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Com o Pai e Irmã

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Hoje

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(Todos os arquivos de imagem foram cedidos gentilmente pelo próprio Antônio Guerreiro - Entrevista publicada originalmente no Imagens e Letras, blog do missivista)


Olavo Saldanha

Escritor, poeta, escultor, fotógrafo e Designer, mas que ficou preso nos braços da odontologia. Tudo arte..
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