imensidÃo multicultural

Uns dizem apenas palavras, outros dizem silêncios, e outrem gestos e eu escrevo!

Gisele Regina

Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras.

Ilha da Magia. Você sabe o porquê desse nome?

A Ilha de Santa Catarina é rica em causos assombrosos e fantasiosos, relatados pelos ilhéus que não sabiam explicar cientificamente o que viam e ouviam - e se não era algo imaginário - e também, passada de geração a geração desde a época dos portugueses que habitavam Desterro. E por isso, Florianópolis ficou conhecida como Ilha da magia.


FlorianopolisPonte Hercílio Luz

Conforme os nativos da ilha contavam histórias, Franklin Joaquim Cascaes registrava e fazia ilustrações de acordo com o assunto do imaginário ilhéu. Foi o primeiro a registrar a literatura oral na Ilha de Santa Catarina.

Franklin Cascaes.jpgFranklin Joaquim Cascaes - Pesquisador da cultura açoriana, folclorista, ceramista, antropólogo, gravurista e escritor brasileiro.

Os colonos portugueses quando chegaram à ilha, perceberam aspectos que geravam medo e com isso se começou uma série de superstições para se protegerem. E quando os ares estavam estranhos e o corpo exibia uma alteração anormal a se constatar, corriam para as benzedeiras para se curar.Dizia-se que quando alguém se sentia prejudicado em algum momento de sua vida, era alguém fazendo feitiços contra a pessoa, tendo uma impressão ruim deveriam ir à benzedeira. A mesma relatava para a pessoa que estava “enfeitiçada”. As benzedeiras relatavam que ganhar um presente tinha que pegá-lo com a mão esquerda porque ela não estava associada a forças negativas para aquele mal não penetrar a pessoa. Esse lado esquerdo funcionaria como um mecanismo e bloqueio contra esse mal.

Qualquer barulho era identificado como algo sobrenatural, algo fora do comum. Naquela época as estradas eram de chão, largas, compridas, e isso os deixavam com medo de se aventurar nas noites, e que esse tal medo os dominava fazendo-os ficarem sempre em alertas e imaginando coisas.

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Para uns eram: fantasmas, assombrações, vultos, certas aparições sem definição e, para outros eram: bruxas que se transformavam em borboletas, em mulheres bonitas e irresistíveis capazes de atrair e fazer um homem desejá-las muito; lobisomens que se transformavam na lua cheia, e mudavam de forma como a de cachorro e porco, e diversas superstições. Além disso, havia outros mitos na ilha, embora o forte de Cascaes fossem os contos de bruxas.

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Pescadores saiam de madrugada para pescar e viam “coisas” que não sabiam explicar, e então contavam para suas famílias quando voltavam pra casa os “causos”. Tudo acontecia sobre o alto mar e nos lugares escuros. A ilha, neste período, era imensa por ter tão pouca gente, a sensação era de vazio no sentido de não haver muitas casas, porque as freguesias eram longes umas das outras, e a falta de estradas colaborava para o isolamento das mesmas freguesias. E só tinham contato com quem era da própria comunidade, e as outras, como eram distantes, dificultava que se encontrassem.

Lembro que certo dia, depois de eu ter escutado meus irmãos falarem sobre bruxas, o pé grande e assombrações, fiquei pensando muito naquele assunto e nessa época eu deveria ter uns seis anos de idade ( por volta de 1994). Eu costumava dormir com a luz do corredor acesa que ficava de frente para meu quarto. E depois de pegar no sono, de repente, despertei de um pesadelo e sentei na cama, olhei para a janela e parecia que do outro lado tinha alguém, e nesse momento olhando com mais atenção, vi uma sombra com formato de chapéu de bruxa, aqueles chapéus compridos e pontudos, gritei desesperadamente e minha mãe veio me socorrer. E toda essa lembrança equivale a eu ter sido criada por uma família tradicional, que segue os costumes de seus ancestrais, e ainda guardam algumas destas superstições para contar aos que fazem parte da sua história.

A ilha da magia então foi crescendo, e com o crescimento populacional, o cenário da cidade foi se modificando devido ao novo ritmo na urbanização, nos bairros, nas ruas, nos morros. Logo começaram a vir pessoas de todos os lugares, e assim a cidade começou a ter outros donos que encontraram na cidade o lugar ideal pra buscar qualidade de vida, alguns pra realizar seu sonho buscando um pedaço de chão pra sobreviver e outrem pelo seu encantamento. Se você não é de Floripa, se dê uma oportunidade de conhecer esta cidade maravilhosa. Cheia de magia e linda por natureza, e não menos importante, cheia de histórias para ser contadas.

Segue um video retratando uma obra de Cascaes, sobre o conto Balanço Bruxólico, bem peculiar à cidade em seu linguajar.


Gisele Regina

Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras..
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