imensidÃo multicultural

Uns dizem apenas palavras, outros dizem silêncios, e outrem gestos e eu escrevo!

Gisele Regina

Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras.

Ficção ou realidade?

Somos personagens de uma vida real ou de uma ficção? Já que construímos a identidade multicultural que temos internamente, e que se expande externamente para uma vida social idealizada desde tempos remotos. Vivemos então na realidade ou na ficção?


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Ao se olhar no espelho você visualiza uma figura da qual afirma ser você. E você é a única pessoa que não se vê. Então, provavelmente se baseia naquilo que o espelho diz sobre sua aparência. Quem é você afinal, senão uma personagem criada por você mesmo, ou criada pelas influências do mundo? Você pode ainda não ter autonomia necessária para se prejulgar, e julgar as coisas que já tem nomes é mais fácil para você aprender a distinguir uma coisa da outra. Seja qual for a coisa já criada há muito tempo, você se mede por aquilo que é inato e empírico.

Já se perguntou se você é o que você acha que é? O que somos no mundo em que vivemos? Meros personagens vivendo seus dramas e suas tragédias gregas? Sabemos de nós pela literatura cânone? O que de certa forma é a visão de outro humano imperfeito que deixou registro escrito sobre tudo o que conseguiu apreender sobre o mundo e a formação do ser humano enquanto um ser social. A realidade que conhecemos pode ser a ficção criada por outra pessoa, ou pelos nossos olhos (imperfeitos). Além do mais, fatos deixam de ser fatos, quando uma segunda pessoa o conta da sua maneira, então vivemos uma ficção?

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Ninguém é imutável, que eu saiba somente as leis de Deus é que são. Portanto, estamos em constantes ensaios na vida.

Além disso, somos apenas a representação da realidade, ou talvez, de uma realidade inventada pelos livros. Não há verdade universal aqui em nosso meio cheio de pessoas imperfeitas. A questão é: a realidade pode ser explicada por um simples ser humano cheio de imperfeições? O que os livros cânones explicaram com suas teses cheias de argumentos que faziam sentido, segundo suas ideias empíricas e inatas? De fato, a ficção faz parte da nossa vida, o que não reduz a possibilidade de uma realidade presente também, mas quem é que tem esse conhecimento? É um assunto sem fim.

Quando ensaiamos, por exemplo, a convivência em certo grupo de pessoas, temos que aprender isso obrigatoriamente, ser um ser social, não estamos construindo pontes superficiais para se adequar àquele momento? Ou mantemos uma distância, já que a convivência talvez seja desagradável, ou usamos uma ficção, utilizamos uma personagem para suportar o que vier daquele que não temos simpatia. Isso é realidade ou ficção?

Logo, a ficção e a realidade são partes da literatura (desde muito tempo), e a literatura é muito parte de nossa vida, ou seja, tudo o que temos escrito historicamente ou artisticamente. E ainda, tudo o que temos no presente, faz parte dessa representação ou dessa realidade. Vale então nos perguntarmos que tipos de conceitos nós temos da vida senão aquilo que conseguimos apreender? Pois a realidade está fora dos nossos sentidos humanos e, que ficção, sendo a representação da realidade, enumera várias diretrizes de como funciona ou não o mundo em que vivemos. Enfim, tudo em prol dessa dicotomia.


Gisele Regina

Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras..
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