imensidÃo multicultural

Uns dizem apenas palavras, outros dizem silêncios, e outrem gestos e eu escrevo!

Gisele Regina

Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras.

Não há conhecimento de si mesmo se não se permitir ficar só

Todos nós precisamos de um momento a sós, com nossa própria companhia, seja ela no auge do niilismo ou da fé. Ou seja, todos temos necessidade do conhece-te a ti mesmo para viver melhor, no equilíbrio da razão e a emoção.


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Somos seres individuais, dotados de racionalidade e de emoção. Ora somos um poço de lágrimas que não acaba mais, ora somos tão frios quanto uma pedra no meio do caminho em uma madrugada congelante. Entendemos isso sempre que acontece? Isso somos nós! E todas as vezes que a dor, bem como o amor, vem visitar a nossa alma indecisa é hora de nos recolher; pensar e sentir, sentir e pensar.

Eu estou tão acostumada à solidão e à multidão quanto o macaco com sua costumeira banana. E aprendi nesses meus últimos vinte e sete anos (vou fazer dia 22 de setembro ainda, mas já conta) que viver é se permitir conhecer o mundo ao redor sem se apegar a ele, ou seja, compreender que a matéria que existe (e que nós somos feitos de matéria) é mero acréscimo necessário à nossa evolução no planeta terra. Podemos sim ser felizes, pelos fragmentos que a vida oferece, se soubermos entender que a felicidade não está em nada, e sim na mais simples atitude interna de se conhecer.

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Vejamos alguns exemplos de alguns apegos “magros” dos que nos animam à falsa alegria de que a felicidade plena está em algo fora de nós:

O da riqueza material: é para nossa subsistência usar os bens materiais? Sim, de fato, mas só aquilo que realmente precisamos! E somente usamos o que precisamos para ser quem somos através do que adquirimos? (Pergunta aberta!) Porém, quando em excesso, nos leva a caminhos mais niilistas, do qual chegamos ao ponto de pensar: “Por que isso não me faz feliz?” E vem o vazio existencial. Se falta mais alguma coisa? Sim, falta saber para que acumular riqueza material? Para mostrar poder? Para quem? Ah, deve ser porque sempre há a necessidade de envolver mais alguém na história.

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O da beleza física: Claro, a beleza física! Sempre a beleza física! Causar boa impressão, para quem trabalha na área da beleza e da imagem social é preciso sim. Mas quando isso envolve a vida pessoal? Sim, eis a questão. Não culpe a sua genética, culpar tudo menos a si mesmo é fácil, na verdade é culpa do seu pessimismo. Eu, particularmente já me odiei quando era adolescente, fisicamente dizendo, pois sempre fui magra e alta. Daí, aqueles apelidos, tipo: Olívia palito, saracura, vareta de bambu e muito mais, era meu pesadelo, e eu fui obrigada a entrar em desespero (na adolescência qualquer motivo incomum é desespero). Jurei nunca mais usar shorts, e claro, eu sempre fui alta e isso ajudava a afinar minhas pernas. Mas, o tempo passou e, percebi que eu não mudaria (nem depois que tentei uma dieta para engordar e enjoava sempre, dava cólica intestinal, horrível!) pois eu queria ser menos magra por causa dos outros, (sempre para deixar de ser chamativa) e em relação a mim estaria tudo bem se eu continuasse magra. Então, passei a usar saia, e estava tudo bem. Quando comecei a aceitar que os shorts não combinavam comigo, passei a entender que nem tudo nessa vida é para mim, bem como para os outros. Podemos ser felizes nos aceitando do jeito que dá. O físico é mutável, também envelhecemos, mas a alma continua firme e forte. Embelezemos a alma, e não o corpo (seja razoável). Você não vai ficar sozinho na vida porque há algo em seu corpo que você não gosta (ou que uma roupa não cai bem, mas há outras)sempre tem alguém que vai nos aceitar como somos. O qUe importa está dentro, por isso não tenha medo de ficar só por um tempo. Você prefere ser alguém agradável e respeitoso sem ser tão vaidoso, ou ser lindo de morrer com assuntos nada a ver, sem nenhum tipo de conhecimento a acrescentar na vida de alguém? Se for a primeira opção, parabéns, você está no caminho.

O de precisar ter amigos para sair: Há muitos lugares que sozinho não faz sentido mesmo, como uma festa, por exemplo(já vi algumas vezes pessoas sozinhas indo à festas, mas a independência e a confiança era tanta que conseguiam conversar com qualquer pessoa e ainda, ser agradáveis). Mas, há aquelas pessoas que não sabem de fato aproveitar a própria companhia. Querem estar sempre perto de alguém quando estão ao público (às vezes, até em casa) e não suportam ficar sozinhos. Tudo bem, ninguém é igual, e isso é normal pra caramba. Porém, o que excede não faz bem para a saúde, como de não saber ficar sozinho para nada, e o de querer ficar sozinho para tudo. Como eu já disse antes, o social faz parte da nossa vida, é assim que trocamos experiências; aprendendo mais um pouco o que não conseguimos entender em nós, nos outros. Por isso, passear sozinho é mais um momento a sós, como: uma caminhada perto de casa para exercitar o corpo e a mente; um passeio com o cachorro (ou o animalzinho que você tiver); também um giro no centro da sua cidade para comprar um livro (ou perto da sua casa, como quiser) para adquirir novos conhecimentos, e até conversar com alguém que você nunca viu. E assim vai. Depois que você descobre que o apego é somente uma insegurança e medo de ficar no niilismo, você entende que a vida tem mais sentido quando você consegue ter opinião sem a influência de ninguém e de nada.

O de achar que o relacionamento amoroso é tudo o que você tem ( pra quem tem um): E você tem sua rotina: vai trabalhar (ou fica em casa mesmo); vai pra faculdade (escola, que seja), e ainda rola um barzinho à noite com uma galera legal (para quem gosta disso, é só um exemplo, pode ser em qualquer outro lugar com qualquer outra pessoa) e, não sabe decidir nada sem que a pessoa que você se relaciona amorosamente não dá a opinião dela. Certo, quem é você afinal? Você, ou o outro? Ser indivíduo é justamente o sentido literal da palavra: individual. Somos dotados da inteligência do momento, mas isso não quer dizer que não podemos nos aperfeiçoar. Todos temos vontade de estar com alguém, dividir um colchão na sala assistindo a um filme debaixo da coberta numa tarde de inverno. E quem sabe, dizer: “não vivo mais sem você”,de tão gostoso é um momento assim, tudo bem, isso não é errado, o errado é viver isso na realidade. As pessoas estão em nossas vidas para nos acrescentar algo que não aprendemos ainda, à medida que o tempo passa. Elas são importantes, todas, mas não podemos viver na dependência de ninguém para decidir que isso é felicidade. Há outros campos importantes na vida: família, amigos, dedicação pessoal; isso faz parte dos pedaços da sua individualidade. Por isso, se você ama alguém aprenda a deixar essa pessoa estar sozinha um pouco, o muito faz mal, o pouco também, seja razoável e não deixe sua vida para viver a do outro. No final tem sempre o que sofre mais por ter aprendido a se apegar, e não ter conhecido a companhia de si mesmo.

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Esses pontos são só exemplos, relevantes, em que vivemos desde sempre. A boa notícia é que isso dá pra ajustar ao longo da vida. Quando somos apegados a qualquer coisa que não se deixam ficar só, não vemos as opções de crescimento pessoal. E se você tem um dom, qualquer um que seja, o estar sozinho é a melhor ora de expor. Geralmente os artistas e os literatas foram as pessoas mais solitárias enquanto desenvolviam seu cognitivo. Mas, a situação atual me deprime, vejo e sinto muita dependência emocional e racional ao meu redor. Desde cedo na minha vida aprendi muito sobre a solidão, desprezei muito a multidão, depois de um tempo eu comecei a gostar da multidão e odiar a solidão. E, chegou um momento em que eu não podia mais viver sem os dois. Isso me deixou triste sem saber o porquê, e depois de muito aprendizado cheguei a conclusão que, estar apegado a algo que não pode ser inteiramente seu é ilusão, e isso me levou à reflexão: o que excede cega os olhos da alma, e daí vem a dor, da qual desconhecemos a origem exata, simplesmente porque a cegueira daquele momento não nos deixou ver o que estava sobrando demais.

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A vida é um processo contínuo de aprendizagem, onde nada é completo, perfeito ou inteiro, pelo simples motivo de estar sempre em construção. E o que construímos hoje com a ajuda dos bens materiais, da beleza física por causa de alguém, dos amigos ou do romance que tivemos, amanhã pode ser que teremos de terminar a construção sem nenhuma das opções acima. Enfim, se conecte consigo mesmo que você vai descobrir riquezas internas.

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Gisele Regina

Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras..
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