imensidÃo multicultural

Uns dizem apenas palavras, outros dizem silêncios, e outrem gestos e eu escrevo!

Gisele Regina

Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras.

NOS BASTIDORES REALISTAS TERRÁQUEO E ESPIRITUAL COM EÇA DE QUEIROZ

Se Eça de Queiroz vivesse ao Século 21, continuaria a pensar que “é o coração que faz o caráter”.


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Eça de Queiroz, que ajudou a dar vida ao realismo de Portugal, nasceu em Póvoa de Varzim, no distrito de Porto, no dia 25 de novembro em 1845, vindo a falecer em 1900. Formou-se em Direito e alçou voo pelo jornalismo. Depois, sua carreira política evoluiu quando participou da Conferência do Cassino em Lisboa, mais programada por Antero de Quental, sendo uma forma de debater os grandes temas da época de Portugal; Eça ainda quis apontar suas teorias sobre uma nova literatura “O Realismo como nova expressão da arte”, da qual anexou a ideia de a literatura ser um produto social condicionado ao determinismo. Além disso, nessas reuniões, também houve a participação de Augusto Soromenho, e Adolfo Coelho, nas conferências realizadas, já que teve intervenção das autoridades em relação às próximas conferências, visto que os temas iam contra os princípios da Igreja e do Estado. E foi nesse período que Eça escreveu O Crime do Padre Amaro, publicado em 1875, no contexto de Leiria onde foi administrador municipal, e que fotografou com suas retinas o que via e ouvia.

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O livro foi o melhor romance realista da época, e polêmico, que mexeu com as mentes primitivas as fazendo pensar, com o intuito de revelar cenas da vida portuguesa, na cidade, deixando mais evidente a traição ao celibato, não só a luxuria e a gula. Como tudo é questão de costume, e mesmo assim o ser humano rejeita a novidade para que não tenha que sair do comodismo, devagar ele se adapta ao novo, visto que é isso que o homem procura sempre.

Se o moderno é ser paradoxal, há enigmas a ser desvendados a todo o momento. Dentro de uma sociedade em que se metamorfoseia e se joga no mar de conflitos existenciais. Em meio a essas organizações burocráticas, a respeito do hoje, é uma matança à natureza e as células do corpo, já que gera estresse num ambiente imediatista. Ainda, se Eça de Queiroz vivesse ao Século XXI, não mudaria sua opinião, e continuaria a pensar que “é o coração que faz o caráter”.

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O realismo traz uma queixa do que está escondido, tirando de cena o romantismo, que floreia e alimenta aquilo que ninguém faz de verdade: agir com respeito e ser honesto. A estética em Portugal resume-se em trazer uma literatura mais como produto social em exímia evidência; como um artista que vai representar uma obra de acordo com a realidade que vê. Como exemplo, um amador que grava seus próprios vídeos e põe no You Tube, mostrando a vida do que jeito que ela é.

Há um debate de lutas por uma verdade real contra o convencionalismo, à medida que as mentes exprimem a reforma política, econômica e cultural. Porém, há bombardeios de defesa nas elites. A Igreja é a instituição que manda e o povo obedece, já que quem tem o conhecimento litúrgico são somente os Padres. E no contexto de Leiria, época em que Eça de Queiróz é a voz do povo.O Crime do Padre Amaro caí como uma bomba e assusta os hipócritas e oportunistas.

No romantismo havia o Herói do povo, a escrita era subjetiva, como exemplo, no trovadorismo, em que se retratava a sociedade medieval; entre fidalgos e a realeza, mascaradas pelo convencionalismo. Isso porque eram romances de conhecimento estrangeiro, trazidos da experiência do Berço da França, e com o passar do tempo foram se adaptando ao nacionalismo de Portugal.

Ser moderno é viver uma vida de paradoxo e contradição. É sentir-se fortalecido pelas imensas organizações burocráticas que detêm o poder de controlar e frequentemente destruir comunidades, valores, vidas; e ainda sentir-se compelido a enfrentar essas forças, a lutar para mudar o seu mundo transformando-o em nosso mundo. É ser ao mesmo tempo revolucionário e conservador: aberto a novas possibilidades. (MARSHALL, Tudo o que é sólido desmancha no ar a aventura da modernidade. São Paulo, Cia. das Letras, 2005. Pág. 7)

Muda-se a aparência portuguesa após a “Geração 1870”, no que diz respeito à estética literária, a literatura não é mais um produto de consumo da nobreza, para seu momento de ócio, ela passa a ser uma fonte de verdades não vistas ou ignoradas no meio social em que se vive. Pois antes, os escândalos da sociedade eram tapados e ignorados quando em ambientes sociais.

(...) Assim ele vai, corre, procura. O quê? Certamente esse homem, tal como o descrevi, esse solitário dotado de uma imaginação ativa, sempre viajando através do grande deserto de homens, tem um objetivo mais elevado do que a de um simples flâuner, um objetivo mais geral, diverso do prazer efêmero da circunstância. Ele busca esse algo, ao qual se permitirá chamar de modernidade (...) (BAUDELAIRE, Charles. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006, Pág. 881).

Eça de Queiroz, segundo o espiritismo, começou a psicografar outras verdades, outras questões em relação ao mundo em que sentia conhecer, mas não tinha certeza. Depois de alguns anos desencarnado, ele escreve "Getúlio Vargas em Dois mundos", e segundo a sinopse do livro, "É uma obra que percorre importantes e polêmicos fatos da História, da época em que Vargas foi presidente do Brasil. E vai além: descreve seu retorno ao plano espiritual pelas portas do suicídio; o demorado restabelecimento das forças e da consciência, até ser capaz de analisar o encadeamento dos fatos de sua última trajetória terrena, intimamente relacionados com amigos e desafetos de tempos imemoriais."

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Este livro foi psicografado pela Médium Wanda Canutti, e segue outros nomes, para quem se interessa pelo mundo dos espíritos:

- Obrigado Maria - Usura - Sempre é tempo - Renascendo do ódio - Que amor é esse? - Depende de Nós - Em Nome de Deus - Um Episódio da Inquisição - Amor sempre vence - Almas a Caminho da Redenção - Mariana ou Marie Anne? - Medida drástica - Feixe de Luz - Amor e sacrifício - O valor das experiências - Reparação - Um difícil propósito - Tudo pela música - Meu filho E outros. eca1.gif


Gisele Regina

Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras..
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