
Romancista e poeta, Michel Houellebecq traz ao papel, e consequentemente aos nossos pensamentos, a realidade do homem. Homem em geral. Os habitantes das grandes sociedades modernas, que se encontram em eterna dualidade a respeito do próprio ser.
Razão ou Emoção? Qual seria o caminho “correto” a seguir?
Segundo Platão e Descartes, por exemplo, deveríamos valorizar apenas a Razão, pois é ela quem nos leva ao verdadeiro conhecimento; à Verdade, com “V” maiúsculo. Já segundo Nietzsche a Razão é o grande mal da nossa sociedade. Através dela esquecemos nosso lado animal, essencial à nossa sobrevivência, é através das emoções que sentimos o mundo tal como ele é, e nos sentimos tal como somos.
Mas voltando ao Houellebecq, o que tem de tão especial em seus escritos? Quais seriam essas ideias tão perturbadoras merecedoras de todo um artigo?
Através de seus romances e poesias, Houellebecq entra em nossa carne, circula em nossas veias e perturba nossa razão em busca de qualquer resquício de emoção. Fruto de uma sociedade que esnoba a sinceridade (seja na palavra, seja nas ações ou mesmo nos sentimentos – já não nos conhecemos como outrora.) e vangloria a falsa imagem e a racionalidade extrema, suas personagens são a expressão mais pura e intrigante dos sintomas dessa vida que perecemos (Inevitável compará-lo com o cineasta David Lynch, ou mesmo com Lars Von Trier.).
Questionamentos a respeito da função da vida no homem, ou da utilidade do homem na vida entremeiam os enredos repletos de argumentos ora científicos ora sádicos. Não há meio termo, não há equilíbrio, não há felicidade. Apenas pequenos prazeres efêmeros, o peso mórbido e sufocante da rotina insignificante. E por fim a morte.
Um gênio, na minha humilde opinião. Afinal Michel Houellebecq, mesmo estando imerso nessa realidade, consegue perceber e traduzir em palavras grande parte das frustrações psicológicas e carências afetivas que sofremos os homens. E ao mesmo tempo cita, com grande sabedoria, soluções para todas (ou quase todas) essas angústias.
“Eu sou como a criança que não tem mais direito às lágrimas.” Michel Houellebecq
Deixo em destaque, como sugestão de leitura dois de seus romances:
1998 : Les Particules élémentaires, Fayard
2005 : La Possibilité d'une île, Fayard
E uma compilação de poemas:
1992 : La Poursuite du bonheur, La Différence


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