Nícolas Milanes

Geógrafo, mas aspirante e inspirado de muitas outras coisas

Trate-nos bem, Mark Sandman

Mark Sandman foi um músico norte-americado nascido em 1952, na cidade de Newton e faleceu na Itália, em 1999, durante um concerto com sua banda Morphine. Sandman é considerado um dos mais inovadores músicos dos anos 90, e a banda Morphine apresenta um distinto som formado apenas por bateria, um baixo de duas cordas e um saxofone barítono.


Em um dia qualquer, vagando pelas profundezas das redes sociais, encontrei um post de um velho amigo, era uma música genial. Buena foi a primeira música que ouvi de Morphine, e aquele som formado apenas por uma bateria, um baixo de duas cordas, um saxofone que parecia fazer o papel de uma guitarra e uma voz grave - aquele simples conjunto foi viciante.

Recomendo ao leitor que, antes de prosseguir com a leitura, ajuste seus fones de ouvidos e coloque isto para tocar.

Não é fácil falar de Morphine. A verdade é que, tanto para ouvidos comuns, quanto para ouvidos atentos Morphine inova de maneira muito agradável. Mark Sandman, o lider e um dos fundadores da banda, apresenta uma voz agradável de se ouvir e um expressivo baixo que inova no jeito que é tocado.

Mark Sandman, porém, já havia começado sua impressionante história muito antes de Morphine. Mark foi um espírito artista desde jovem, o que causou bastante atrito e incompreensão por parte dos pais, e ao chegar a maioridade foi intimado - ou iria estudar, ou seguiria, por conta, o sonho de ser músico. O principal atrito gerado é a instabilidade apresentada - Mark Sandman nasceu em 1952 saiu cedo de casa, em uma época da popularização de diversas drogas, assim como de diversos movimentos contraculturais, e seus pais haviam crescido no período da Grande Depressão, um histórico período de pobreza nos Estados Unidos. Para eles, a estabilidade era mais importante do que um sonho.

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Mark saiu de casa e viajou pelos Estados Unidos, trabalhou como pescador, como cozinheiro, em construção civil, como taxista. Juntou dinheiro e viajou pela América do Sul. Os detalhes dos anos que passaram enquanto Mark Sandman esteve fora de casa são escaços, nem sua família sabia exatamente o que estava acontecendo, E foi justamente no Brasil que Mark adoeceu, e então retornou para Newton, sua cidade natal. Neste tempo, sua família o aceitou e o compreendeu de maneira diferente - ou pelo menos esforçou-se para isso, e Mark teve várias bandas diferentes, continuando com seu sonho.

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Foi quando formou Treat Her Right, uma banda que mistura um estilo blues, country, ainda que com uma sonoridade pop. O som já da dicas do que virá a ser Morphine, uma espécie de low-rock com expressivas gaitas e, apesar de um ar depressivo, letras motivadores de nosso comum dia-a-dia.

Treat Her Right lançou três álbuns e teve uma boa repercursão. A banda se desfez quando em uma apresentação, o bar em que eles tocavam pegou fogo. Mas Mark Sandman quis continuar com sua carreira musical. Foi quando formou com Danna Colley, um saxofonista barítono que chegou a tocar com Treat Her Right, a banda Morphine.

Morphine estourou, sendo seu ápice o álbum Cure for Pain. As coisas aconteceram de repente, e as pessoas sentiam-se extasiadas com o som inovador da banda. Não demorou muito para Morphine começar a se popularizar, fazendo shows sempre lotados e começando a fazer turnês em outros lugares do mundo, como a Europa e o Japão.

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Foi nessa época que a família Sandman passou por um dos períodos mais difícil de suas vidas. Mark era o primeiro filho de quatro irmãos. Em um tempo de 16 meses, seus dois irmãos mais novos vieram a falecer. Dana Colley conta que Mark sentiu bastante essas mortes, já que ficara anos longe de casa e sem poder acompanhar o crescimento dos irmãos. Mas o que parecia que ia abatê-lo, de certa maneira, lhe deu mais vida. Mark Sandman começou a fazer música como nunca.

E foi no dia 3 de julho de 1999, em um festival na pequena vila de Palestrina, na Itália, durante um show em um festival que ocorre todos os anos, que Mark veio a falecer, com apenas 46 anos de idade. Um ataque do coração levou Mark Sandaman ao chão junto de seu baixo, e colocou fim em um dos mais inovadores artistas dos anos 90, e deixou pais que já haviam enterrado dois filhos. Fim, pelo menos, a toda a sua genialidade inovadora, fim a algo que ainda poderia ser muito mais, que poderia ter influenciado muito mais o mundo. Mas não fim àquilo que ficou, a sua boa música e sua boa poesia.

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