Nícolas Milanes

Geógrafo, mas aspirante e inspirado de muitas outras coisas

O Rei da Comédia, ou: o Taxi Driver do Show Business

De um sonho ordinário ao ato extraordinário pela fama, atenção, e a sensação de talento, que está sempre presente em um pedaço de todos nós, em uma grande obra de Martin Scorsese.


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O Rei da Comédia (Martin Scorsese, 1982) conta da história de Rupert Pupkin, (Robert DeNiro )em uma odisseia conturbada de um homem que sonha em ser comediante.

Para realizar este sonho, Rupert acha que o caminho é participar do talk show de Jerry Langford (Jerry Lewis), um grande comediante da TV norte-americana, com fãs por todo o país, inclusive alguns que parecem não bater muito bem da cabeça.

Rupert encontra-se com seu ídolo Jerry Langford, e no meio de promessas de realmente ser um muito bom comediante, Jerry diz para Rupert ligar em seu escritório para marcarem uma hora, e conversarem sobre Rupert realizar seu sonho. Neste ponto, é difícil dizer se o grande Jerry Langford realmente acredita no aspirante Rupert Punpkin, ou se ele apenas quer se livrar do amador.

O filme segue na cabeça de Rupert extasiado pela possibilidade de aparecer na TV, e o filme apresenta conversas imaginárias e situações que seriam ideais para a carreira de Rupert. Neste momento, o expectador que uma vez já aspirou ser uma estrela da TV ou do cinema se identifica com a situação imaginária, e com essas simples sensação de quê os caminhos para o sucesso são fáceis.

Na visão da produção do programa, Rupert é apenas mais um em uma cidade como Nova York. Um homem extremamente insistente, a ponto de ser desagradável, que se diz comediante, mas aparentemente nunca subiu em um palco de um clube de comédia. Um programa de TV para milhões de expectadores, e acima de tudo seu apresentador, sofre uma grande pressão do público, dos executivos, dos convidados e da responsabilidade como um todo. Pupkin, assim como a maioria de nós, não consegue entender isso, e resolve tentar algo extremo.

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Como é de se esperar em um filme de Scorsese, o filme caminha para um momento caótico dentro um sonho comum de pessoas comuns. Eu prefiro não estragar a surpresa e contar o por quê, mas a comparação com Taxi Driver não significa mais do mesmo em momento algum, especialmente ao falarmos da atuação genial de DeNiro. Assim como quando se assiste Taxi Driver pela primeira vez, é possível ver os desejos a ambições do personagem principal cada vez mais aflorados para o extraordinário - mesmo que em um sentido ruim - em um mundo ordinário e corrido, onde nossos sonhos costumam ficar engavetados em nossos devaneios.


Nícolas Milanes

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