Nícolas Milanes

Geógrafo, mas aspirante e inspirado de muitas outras coisas

James Murphy, toque os hits.

Um jornada musical não-cíclica, do nascimento pessoal ao funeral, com LCD Soundsystem.


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Lauren Ambrose é um nome que nunca estaria em um texto sobre LCD Soundsystem. Um nome que eu descobri por acaso, a uns 4 anos atrás quando eu assisti, ainda por acaso e sem pretensão alguma, o filme infanto-juvenil Onde Vivem os Monstros. O filme me marcou bastante (falarei dele em outra oportunidade) e por isso pesquisei sobre a história, sobre o livro o qual o filme é baseado e sobre os atores e dubladores de alguns dos personagens. Foi aí então que curiosamente cheguei na bela Lauren.

Na época o YouTube ficava cada vez mais popular, e pesquisei o nome dessa atriz para ver se encontrava alguma entrevista ou qualquer coisa sobre essa beleza e simpatia de pessoa. Entre outros, descobri então um vídeo onde a ruiva cantava New York I Love You But You're Bringing Me Down, do LCD Soundsystem. E assim começou, do jeito que acontece em filmes ruins, algo completamente fora de contexto me levou a uma excelente banda, que felizmente não era nada do que eu esperava. Ou poderia esperar.

New York I Love You porém me causou uma impressão diferente do que é LCD Soundsysten. Provavelmente porque na época eu ouvia muito Sinatra, Bobby Darin, Ray Charles e bandas naturalmente melódicas em essência como Counting Crows. Quando eu ouvi então, pela primeira vez Sound of Silver, segundo álbum de carreira da banda, eu estranhei bastante. Bastante mesmo. Demorei pra digerir a ideia e a genialidade de All My Friends, considerada entre as melhores músicas da primeira década do século XXI (e de base de apenas dois acordes) ou a mistura de sentimentos que envolve Someone Great.

Falando em especial de Someone Great, é uma música que soa como diferentes braços te puxando e diferentes direções e você querendo fazer aquilo que simplesmente tinha pra fazer. A experiência mais memorável que tenho ouvindo essa música é dentro de um supermercado, enquanto comprava algumas coisas pra uma viagem que ia fazer.

E quando uma música e uma banda transforma um momento comum em algo memorável, alguma coisa ali é muito especial. Alguns chamam essa coisa de Arte.

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Eu descobri de verdade e comecei a apreciar de verdade LCD Soundsystem quando o album This is Happening foi lançado. Depois disso pesquisei mais e mais sobre a banda. Descobri um grande amigo que também conhecia a banda, e tinha visto os caras ao vivo no Brasil uns anos antes, na época que nos conhecemos, e no mesmo ano que conversamos sobre isso, 2009 ou 2010, a banda havia feito outro show em terras tupiniquins, em algum festival em São Paulo

Esse amigo me contou um fato chocante: aquela havia sido a última oportunidade de ver os caras. LCD Soundsystem fez, em 2011, seu último show no Madison Garden Square, em New York City, que gerou um álbum ao vivo e um documentário chamado Shut Up and Play the Hits, que ronda os últimos momentos da banda.

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Apesar de fã, eu só fui assistir o documentário completo ontem. Eu não queria que a banda acabasse pra mim em momentos que eu mais precisava de sua música. Aos poucos, como toda fase musical pessoal, eu fui ouvindo menos e menos e menos.

E talvez isso só seja mágico pra mim porque essa jornada musical foi puramente minha. Eu assisti o documentário tentando entender um pouco sobre o fim da banda. Eu não sei se entendi ou se sei explicar o que penso. Mas parece que sinto que admitir que toda jornada tem um começo, um meio e um final, é o suficiente. É curioso como a última música que eles tocaram, na cena final do documentário, junto com a mensagem final do que exatamente aconteceu, é justamente a primeira música que ouvi de maneira completamente aleatório que, se algo mais interessante tivesse acontecido naquele momento de procrastinação, eu nunca reconheceria o nome de James Murphy, eu nunca teria uma excelente trilha sonora para momentos muitos específicos de minha vida. E eu reafirmo isso dizendo que ninguém nunca veio falar comigo sobre LCD Soundsystem, eu sempre fui o cara fã que falava empolgado para meus amigos.

Eu espero que esse seja um bom ponto final para minha jornada. É claro que eu ouvirei novamente a banda, mas que tudo isso sirva de uma boa lembrança, uma homenagem e agradecimento a jornada que me foi proporcionada.

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Nícolas Milanes

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