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dos neandertais aos tais: sobre machifêmea e os amancebos

Ribamar Junior

estudante de Jornalismo que prefere toddy ao tédio

De símbolo de libertação às mulheres da cerveja

como as pin-ups evoluíram e se destacaram desde o século XIX, desenvolvendo junto às artes visuais e a cultura midiática pautada na indústria cultural, uma nova perspectiva estética e visual, explanando os nomes que definiram este estilo. Desenvolvendo um olhar para a sociedade e seus valores diante do sistema patriarcal, contrastando com a atual publicidade abusiva do comercial de cervejas na mídia.


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Vestindo as paredes das oficinas mecânicas e estampando capas de revistas desenhando os desejos mais íntimos de gerações masculinas, de bisavô à neto, as pin-ups, evoluíram desde o século XIX se estendendo entre os campos culturais midiáticos e artísticos e até sociais. Pin-ups, na maioria das vezes, são modelos e atrizes, que representam em invenção e construção através imagens impressas em pôsteres uma mulher mítica, inclinada ao sexismo. Pintam imagens inocentes do universo feminino e habitual que causem na mente masculina, carregadas de um erotismo perspicaz, aéreo e imaculado. Consecutivamente em situações embaraçosas, as modelos, mostram suas curvas e sem hesitar aceitam as peças íntimas de fora permitindo a ninfa fantasia dos homens imaginarem atos sexuais. Com ascensão na década de 20 e com rastros desde o final do século XVI, o termo pin-up foi documentado a primeira vez em 1941. Primeiramente, foram responsáveis por uma dessacralização do lugar da arte, ao ocupar os armários dos soldados norte-americanos, fundo gavetas de meias masculinas e calendários de botecos sem deixar a astúcia estética artística de lado. Logo, estenderam-se em grande escala na década de 50, sendo o encanto da cultura pop e indústria cultural de massa, um retrato do american way of life. Popularizadas pela exportação e grande desenvolvimento do cinema hollywoodiana, as difusões estéticas midiáticas ditaram o que já vinha a ser padrão: mulheres belas, seios volumosos, quadris adornados, cintura fina e ar voluptuoso.

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Na década de 60 com o clima underground em acidez e com o surgimento da pop art, a composição com as pin-ups foi confinante. A aura ''Rebelde Sem Causa'' trouxe para as mesmas uma nova estética, além de preencher calendários, as modelos, habitavam nos rótulos dos produtos industriais, como maço de cigarros, refrigerante e utensílios domésticos, também ocupavam meios de comunicação como outdoors e a Play Boy. Ao lado da publicidade as mesmas desenvolveram junto a intenções do mercado um fetiche de comprar além do fetiche atrativo sexual. Nos anos 70, com o Movimento de Desbunde, que já vinha desde a década passada com o cenário Woodstockiano, a contra-cultura e a maior liberalização dos costumes pautou a disseminação das pin-ups no espaço, haja vista, o mercado pornográfico em elevação. A estética ilustrativa deu lugar ao audiovisual. Nos anos 80 e 90, com a extensão futurista de ideias e a cultura retrô e vintage que hoje é mainstream, há o retorno da cultura pin-up ainda mais fetichista.

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Os grandes nomes que definiram esse estilo e foram ao estrelato sendo ícones até hoje de inspiração em moda; foram Betty Grable como pioneira e uma das mais populares, Brigitte Bardot, entre os cem nomes mais influentes da moda, foi sex symbol nos anos 50, Bettie Page, que também se tornou famosa na mesma década por ainda que pin-up abordar uma temática fetichista é considerada ''Rainha das pin-ups'' e tem seu visual marcado pela franja e cabelos pretos luzentes; Twiggy, modelo e atriz britânica considera uma das primeiras supermodelos do mundo, com seus cílios postiços e cabelo loiro curto; e a Marilyn Monroe mostrando que ''O Pecado Mora ao Lado'' acentuando a temática pin-up, foi eternizada pela representação de Andy Warhol, é considera ícone pop e cultural pela sua clemência americana. Entre outras podemos citar, Carmen Miranda, Sharon Stone, Nicole Kidman e animação Betty Boop e a Jessica Simpson.

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Nos dias atuais, no campo das artes visuais e industriais: na fotografia e na filmografia, as pin-ups continuam na essência de muitas celebridades, sendo febre no consumismo e um resgate à moda. Acrescentamos uma coroa de flores em meio à franja na testa, batom vermelho a saia rodada. Um grande exemplo é a Lana Del Rey, que desde o seu primeiro álbum vem com aura vintage, que se aprofundou na fotografia do encarte do terceiro álbum Ultraviolence. Katy Perry teve seu estopim em sua primeira fase ''One of the Boys''. Outras como, Gwen Stefani, Dita Von Teese, ex-namorada do cantor excêntrico Marylin Mason e a imaculada rainha do pop Madonna, que às vezes aparece inspirada em Marilyn Monroe. O resgate é tamanho que a revista Vanity Fair, traz em suas páginas todo mês um especial com modelos e jovens atrizes, todas em look pin-up.

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Por outro lado, as pin-up não são só rostinhos bonitos e sensuais de mulheres formosas. As ilustrações de mulheres atraentes já seriam indícios de liberação feminina antes mesmo dos movimentos libertários dos anos 60, desvendando o poder do corpo da mulher na cultura popular. Feminismo e revolução sexual andavam lado a lado com as pin-ups. Apesar do seu contraste com a objetificação e instrução masculina, há a ascensão do prazer sexual feminino e algoritmo de sua forma publicamente. Assim, as pin-ups foram essenciais para elevação da imagem feminina, pois foram entrando aos poucos no universo ilustrativo cotidiano, patriarcal e aderindo a imaginação masculina, além de sexo casual imaginário difundiram sua imagem à libertação. Inseridas em um mundo em que os homens ainda nascem para comandar e dominado pelos valores masculinos, as pin-ups, usaram da sexualidade uma artilharia para ir além do sistema patriarcal e dominar os homens. Como símbolo patriota que vem ainda de um significado patriarcal, as pin-ups ao estamparem os armários dos soldados na Segunda Guerra Mundial, se desprendiam do machismo que era consequente do sistema e se tornavam ícones feministas ao renunciar o regime de gênero.

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Hoje já vemos alguns men-ups. Brad Pitt pode ser considerado pin-up masculino. O fotógrafo Rion Sabean, retratou pin-ups masculinos em ensaio fotográfico, como questionamento os papéis tradicionais de gênero na sociedade. O artista plástico Paul Richmann, levou ao pé da letra o assunto e ilustrou como seriam os homens pin-ups.

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Também, por outro lado, o que pode ser considerado pin-up do século atual, são as mulheres no comercial de cerveja, ainda que de forma não libertária, a objetificação da mulher como sexo decorativo baseada em demanda de lucro capitalista é um fato que ainda ocupa a publicidade, o que é condenável e abusivo tendo em vista a dignidade feminina, seus valores, suas conquistas e lutas até agora. Pin-ups antes consideradas ascensão do corpo feminino em busca de representatividade, hoje é abusivamente plastificada pela publicidade e contribui para a rotulação e manutenção do machismo como intenção patriarcal. cerveja020859.jpg


Ribamar Junior

estudante de Jornalismo que prefere toddy ao tédio.
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