Fernanda Marcondes

Escrevo para que possamos - em um processo dialógico - tocarmos uns aos outros.

Afinal, o que as mulheres querem?

Queremos, afinal, o genuíno direito de poder ser mulher, em toda sua essência, em toda a sua magnitude, em um mundo de direitos iguais aos dos homens.


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Nós queremos sentir prazer. Não queremos que o nosso clitóris seja decepado. Queremos o direito de poder transar com quem queremos e quando queremos. Queremos não transar, e que não sejamos forçadas a isso. Queremos o direito de ser virgens até sentirmos maduras ou até encontrarmos o parceiro certo, e não queremos ser julgadas por isso e nem que seja visto como belo só por uma questão moralista. Não iremos aceitar sermos sujeitadas a beijar alguém a força no carnaval ou na balada. Queremos que seja reconhecido juridicamente o nosso direito de abortar. Não queremos ser presas, nem morrer ou simplesmente sentir medo ou desamparo só porque abortamos. Queremos ser donas do nosso corpo, e não que ditem regras sobre nós. Queremos ter o direito de casar, ser donas de casa e ter muito filhos. Mas também queremos o direito de ser solteiras. Não merecemos ser abusadas sexualmente, psicologicamente, fisicamente em um relacionamento possessivo em que o parceiro nos culpabiliza e ainda finge nos amar.

Queremos participar dos espaços públicos. Queremos ter voz ativa na política. Estamos cansadas de termos nossa voz abafada em casa, no trabalho, na faculdade só por sermos mulheres. Queremos dar a nossa opinião e queremos ser ouvidas. Estamos cansadas de afirmarem que somos intelectualmente menos favorecidas. E já não aguentamos ouvir homens querendo falar por nós ou ditar o que é melhor pra gente. Nós é que sabemos da nossa luta e dos nossos anseios. Não queremos nos restringir ao espaço doméstico. Não queremos trabalhar o mesmo tanto que os homens e receber menos.

A rua também é nossa. Não queremos mais nos poupar de andar a noite sozinhas. Não queremos ter um vagão rosa no metrô e no trem só para nós. Queremos reivindicar o nosso direito de poder andar nas ruas, de ficar sossegada no transporte público. Não merecemos ser estupradas. E merecemos, menos ainda, ouvir que merecemos ser estupradas só por causa do tamanho do nosso short. Não queremos ouvir cantadas nas ruas. Queremos ser motoristas de carro, de ônibus, de caminhão e também das nossas próprias vidas.

Queremos o direito de gargalhar. De rir na altura que quisermos rir. De falar no tom que quisermos dizer. Não queremos que ditem regras sobre etiquetas ou bons modos. Iremos contar piadas. Iremos beber cerveja se quisermos, e não é feio só porque somos mulheres. Iremos praticar os supostos esportes masculinos e cantar o hino do nosso time favorito. Não queremos que nos enquadrem em estereótipos de barbies ou princesas, somos mulheres reais. Não aceitamos termos pejorativos como “loucas” ou “desequilibradas”. Queremos ser respeitadas. Não queremos que ditem regras sobre os nossos cabelos ou cinturas, pernas ou bumbuns. Somos todas lindas.

Queremos, afinal, o genuíno direito de poder ser mulher, em toda sua essência, em toda a sua magnitude, em um mundo de direitos iguais aos dos homens.


Fernanda Marcondes

Escrevo para que possamos - em um processo dialógico - tocarmos uns aos outros..
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