Fernanda Marcondes

Escrevo para que possamos - em um processo dialógico - tocarmos uns aos outros.

O que aprendemos em Grey's Anatomy

Mesmo diante dos maiores percalços vivenciados pelos personagens, eles nada fazem, que não continuar caminhando.


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Um dos grandes motivos do sucesso do seriado norte-americano esteja no fato de que as dores e as alegrias vivenciadas pelos personagens se parecem muito com as nossas. A alegria dos personagens consiste nas coisas pequenas do dia-a-dia, nas piadas bobas durante os almoços, nas brincadeiras sutis com os colegas durante o trabalho. Mas o que essa série tem de melhor é tornar cenários trágicos, superações.
A série se passa em um hospital e os personagens são médicos cirurgiões ou residentes cirurgiões. Eles lidam cotidianamente com desgraças, com doenças tenebrosas, acidentados. Perdem pacientes para mortes, e com isso veem famílias se despedaçando, casais apaixonados se separando, crianças perdendo sonhos. Mas utilizam esse cenário tenebroso como forma de superação. A doença e a morte são ruins, mas alegria alcançada com a cura e a melhora de um paciente supera qualquer derrota. A doença desafia a cura. A vida quer ganhar da morte.
Ademais dos próprios percalços encontrados no dia-a-dia de um hospital, a própria vida dos personagens é marcada por dores, perdas, derrotas, frustrações, amores em vão. Se há uma roteirista no mundo que mais consegue escrever catástrofes para vida dos personagens, essa é sem dúvida Shonda Rhimes. São inúmeros personagens que morrem ou vivenciam cenários trágicos, como tiroteios e bomba no hospital, queda de avião, acidentes. Além de outros problemas, como separações, traições, reprovação nos exames mais importantes da vida profissional, doenças de parentes e amigos, dificuldades de lidar com a pressão e com a morte de pessoas queridas, alguns dos problemas que de um modo ou de outro, todos nós já vivenciamos e vivenciaremos. Além de tantos outros inúmeros conflitos internos como estresse pós tráumatico, luto, síndrome do membro fantasma, alcoolismo, TOC, vícios e etc.
Diante de tudo isso, a vida pede calma. Calma e força, mas talvez e sobretudo esperança e paciência. Paciência para que mesmo diante dos piores problemas, não se esqueçamos de lembrar da efemeridade da vida e da certeza de que tudo é passageiro. Mesmo diante dos piores quadros, os personagens não possuem outra escolha que não continuar persistindo, tentando, lutando. Buscam novas alternativas, novos amores, novos caminhos. É a vida que segue mesmo diante dos nossos sofrimentos internos e dos nossos piores conflitos psíquicos. É a vida que continua mesmo quando os personagens acreditam estar diante de um cenário insuperável. E diante de tudo isso, eles não fazem nada, que não continuar caminhando e rindo das coisas bobas do dia-a-dia.


Fernanda Marcondes

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