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A jukebox não pode parar...

Igor Lunei

Jornalista. Entusiasta da cultura Pop oriental. Apaixonado o bastante por música, literatura e cinema para tentar fazer desses assuntos o motivo de sua profissão. Fones de ouvido são como extensões de seu corpo.

uma injeção de alegria com novos baianos

Um álbum antigo, mas que soa tão recente quanto tudo o que mais novo e é uma receita certeira contra o desânimo.


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A vida não é perfeita. Em muitos momentos, muitos mesmo, as coisas não ocorrem como o esperado e descobrimos que ainda não estamos cicatrizados o suficiente, então nos afogamos em sentimentos ruins. Em um desses momentos que passei ultimamente, resolvi buscar uma boia nesse mar escuro.

A música brasileira é repleta de histórias incríveis, momentos mágicos e de uma quantidade absurda de álbuns doentiamente ótimos para qualquer admirador dessa arte. Dentre tantos que escutei nesses últimos dias, resolvi dedicar um post especial ao incrível “Acabou Chorare”, do grupo Novos Baianos, lançado em 1972.

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Engraçado ao dar uma pesquisada maior eu ter descoberto que o mesmo foi um dos maiores responsáveis pelas ideias musicais que acabariam se estabelecendo futuramente, sendo que ao escutá-lo em pleno 2014 noto o quão atual ele ainda se faz.

Dentre as faixas, “Mistérios do Planeta” e aquela que dá nome ao trabalho facilmente se enquadrariam no repertório da Tulipa Ruiz, seja pelo arranjo agressivo e trabalhado da primeira ou pela delicadeza da outra.

Já “A Menina Dança” – feita por conta das grandes cantoras que se destacavam naquela época – na voz inconfundível da ainda Baby Consuelo, a minha favorita, poderia ser sido gravada esse ano mesmo pela Vanessa da Mata que ainda estaria à frente de seu tempo.

“Besta é Tu”, “Tinindo Trincando”, a insana “Swing de Campo Grande” e a instrumental “Um Bilhete para Didi” retratam bem a imagem de grupos e artistas que usam de misturas com o Rock e tramas psicodélicas em meio a ritmos abrasileirados, como o samba, forró, baião. Mas me permito dizer que há muito mais veracidade no som dos Novos Baianos.

E “Preta Pretinha”, possivelmente o maior sucesso do grupo, é uma canção gostosa e viciante em qualquer época. O mesmo para “Brasil Pandeiro”, do Assis Valente, que foi uma regravação proposta a banda pelo João Gilberto, padrinho. É um som capaz de animar até uma visita ao dentista.

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No fim, ao notar tais influencias do álbum no cenário musical atual, recebi de brinde uma injeção de bons ânimos e energia para tocar em frente minha vida. A música realmente faz isso com as pessoas, ela tem esse poder. E o mais engraçado de tudo é o fato de o nome do álbum ser justamente uma crítica a um momento onde a música popular brasileira estava repleta de temáticas tristes, levando em contrapartida a alegria dessas novas canções.

Novos Baianos - Acabou Chorare (álbum completo)


Igor Lunei

Jornalista. Entusiasta da cultura Pop oriental. Apaixonado o bastante por música, literatura e cinema para tentar fazer desses assuntos o motivo de sua profissão. Fones de ouvido são como extensões de seu corpo..
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