insight sonoro

trilha sonora para suas ideas

Guilherme Espir

A música nunca está alta o suficiente, tampouco satisfeita, ela aparece algumas vezes aqui, no Insight sonoro, e cai todo dia no Macrocefalia Musical (macrocefaliamusical.blogspot.com.br) mas não... ela nunca está alta o suficiente.

Slash & a Casa do Pedrinho (Myles Kennedy)

O Rock nem sempre precisa ser conceitual. As vezes ele necessita fazer barulho, um barulho de qualidade claro, que mesmo não ''mudando o mundo'', expressa o estado de energia e força que um belo riff pode prover, quase como um desfibrilador, igual o que o Slash carrega dentro do peito.


O Rock acaba induzindo muitos à pensarem que a vida de excessos alcolizantes e overdoses pode ser grandiosa. De fato temos vários exemplos de músicos que passaram por batalhas realmente épicas para atingir o sucesso, e a culpa dessa emoção extra são as drogas e as bebidas. Mas não tem como, se um músico fez um grande trabalho em tempos de tormenta ilícita, pode anotar quando eu digo: ''Se ele estivesse careta seria melhor'', por que nenhuma droga canaliza a música melhor que a sobriedade.

Acredito no papel das drogas como estimulantes de pensamento, e que sob o efeito delas vários artistas tiveram ideias que talvez sóbrios jamais teriam, nem em seus devaneios mais complexos. Só que nem sempre é necessário estar chapado para pensar em alguma coisa. O Zappa não se drogava, e creio que ainda está para nascer um ser humano mais criativo do que o infelizmete já falecido guitarrista.

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São raros os casos onde você pode pegar trabalhos de grandes músicos e comparar as fases alteradas de ácido com as de hoje, sóbrias, tomando um café. Só acho que esse tipo de compração se torna válida, caso o músico em questão tenha feito um trabalho relevante chapado no passado, e que hoje, já limpo, continue em seu melhor momento e siga fazendo música de qualidade. E neste segmento de vida não tem ninguém mais credenciado que o Slash, e seu mais novo trabalho, o terceiro de estúdio, o ótimo ''World On Fire'' lançado dia 16 de setembro.

Line Up:
Slash (guitarra)
Myles Kennedy (guitarra)
Todd Kerns (baixo)
Brent Fitz (bateria)

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Track List:
''World On Fire''
''Shadow Life''
''Automatic Overdrive''
''Wicked Stone''
''30 Years To Life''
''Bent To Fly''
''Stone Blind''
''Too Far Gone''
''Beneath The Savage Sun''
''Withered Delilah''
''Battleground''
''Dirty Girl''
''Iris Of The Storm''
''Avalon''
''The Dissident''
''Safari Inn''
''The Unholy''

Citei as drogas nesse início de texto por que o Slash como bom companheiro de caras como Nikki Sixx dentre outros famosos viciados da década de 80 e noventa, também teve sua cota no submundo das substâncias proibídas, vale ressaltar inclusive que seus excessos com cocaína e Jim Beam renderam a ele um disfibrilador dentro de seu peito para evitar um ataque cardíaco quando as coisas começam a ficar agitadas demais, fora uma overdose claro.

E mesmo nos bons tempos o cidadão da cartola fez um trabalho ótimo, seu tempo no Gun's virou lenda, mas ele, (diferente de alguns membros da banda), não vive só do passado, fez sucesso ainda no Gun's com o Slash's Snakepit, apavorou os anos 2000 com o Velvet Revolver, mas só quando sua carreira solo começou, (que pelo menos ao meu ver) seu som foi trabalhado para finalmente render o máximo de seu potencial. E eu sinceramente não acho coincidência, que seu melhor período musical tenha aflorado depois que o guitarrista ficou limpo.

Slash encontra-se em sua melhor forma física e técnica sem dúvida alguma, e esse novo trabalho aparece com 17 temas excelentes, não tem um momento mais ou menos, é sempre oito ou oitenta, neste caso nos praticamente 80 minutos que a bola rola, eu diria que é 80 ou 80.

A força das linhas de guitarra são assombrosas, fui confirmar a line up dos Conspirators para ver se não tinha outra guitarra mas não, o som soa absolutamente firme, e não é de se espantar que no Gun's o Axl necessite de três guitarristas para fazer o que só um Slash produzia, aliás aqui se entende o motivo deste fato. O timbre da guitarra é muito coeso, e é fantástico ver como ele faz a base e entrelaça com solos e etc como se ele estivesse fazendo twin guitars com ele mesmo.

Em questões de estética o som não mudou do que era em ''Apocalyptic Love'' (2012) só está mais aprimorado e muito criativo, o entrosamento com o Myles segue cada vez mais afinado e não vejo essa colaboração parando tão cedo, inclusive a seriedade do trabalho é tanta que o guitarrista ficou fulo da vida quando falaram que era um projeto, ele mal chama de carreira solo, é de fato uma banda.

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Então por favor pessoal da ala ''reunião'', esse disco chega também para deixar claro (se é que ainda pairava alguma dúvida) que o Slash só vai tocar guitarra na casa do Pedrinho (Myles) e de ninguém mais, a coisa está séria, e se for para manter esse nível, eu tiro o chapéu, ou melhor dizendo, a cartola, para o Americano.

O disco começa visceral, a faixa título aparece com a disposição de um bêbado que acabou de receber glicose na veia, ''Shadow Life'' vem com pegada de balada, mas só segura o love por 10 segundos, ''Automatic Overdrive'' segue com os temperos do peso Rock 'N' Roll mundano, e tema após tema o som segue pesado, muda os tempos, Kennedy arrebenta nos vocais, e a identidade de ''Apocalyptic Love'' é mantida, absolutamente reconfirmada. Slash segue fazendo sua cartola e guitarra de gato e sapato, se você é guitarrista, por favor, preste atenção nos riffs e solos. Os caras destacaram oficialmente quatro singles, mas se eu trabalhasse em alguma rádio ia soltar o LP na íntegra.

O disco é bem longo e apresenta temas que chegam até a faixa de sete minutos, mas que de forma alguma tornam a audição desinteressante, o som é ótimo e cumpre a mística: disco bom passa rápido. Um dos únicos momentos mais tranquilos é com ''Bent To Fly'' por que de resto é um tapa na orelha atrás do outro, baixão na sua cara, ''Beneath The Savage Sun'', ''Withered Delilah'', ''Battleground'', ''Dirty Girl'', ''Iris Of The Storm''...

É um ritmo absurdo de música, os shows dessa Tour serão demencias, tem até faixa instrumental. ''Safari Inn'' é excelente, a síntese desse grande músico, uma pegada absurda e feeling na contramão, excelente disco. Vai Slash, estamos entre amigos, vai falar que ficar careta não foi bom pra você? Sem cigarro, sem Whisky, só guitarra, e que guitarra! Até a capa é muito boa, talvez um retrato da mente do compositor para com o derretimento de referências sonoras que esse trabalho nos brinda... E para você que achou o disco longo demais e repetitivo: blá blá blá Whiskas sachê.


Guilherme Espir

A música nunca está alta o suficiente, tampouco satisfeita, ela aparece algumas vezes aqui, no Insight sonoro, e cai todo dia no Macrocefalia Musical (macrocefaliamusical.blogspot.com.br) mas não... ela nunca está alta o suficiente..
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