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trilha sonora para suas ideas

Guilherme Espir

A música nunca está alta o suficiente, tampouco satisfeita, ela aparece algumas vezes aqui, no Insight sonoro, e cai todo dia no Macrocefalia Musical (macrocefaliamusical.blogspot.com.br) mas não... ela nunca está alta o suficiente.

Jazz, Vender Bala no Farol e o Grafite da Intervenção Urbana

John Donne disse uma vez: ''Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo''. E comprovando que um homem sozinho não faz verão, o Classitude se multiplica tal qual um arquipélago para unir forças em prol de algo maior.


Lembro que quando era criança e ficava reclamando das coisas minha mãe sempre falava: ''Você acha sua vida difícil? Vai vender bala no farol''. Na época não entendia 100% o que ela queria dizer com isso, a única coisa que me lembro é que eu parava de reclamar na hora, mas só ontem, dia 08 de novembro de 2014 que pude entender o que minha doce senhora dizia.

Sabe quando você está com o carro parado no farol e começam a surgir pessoas com panfletos e vendedores ambulantes? Pra tudo na vida existem dois lados, e no sábado pude ter certeza disso. Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já rejeitou um panfleto no trânsito ou disse não a algum ambulante durante a pausa obrigatória de seu veículo em algum semáforo, sem ao menos lhe dar o benefício da dúvida.

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Quando o semáforo acende a luz verde você segue seu caminho e abre o vidro, feliz da vida graças ao ambulante que não vai mais lhe render nenhuma dor de cabeça, mas e o ambulante, onde ele fica? Ele continua no semáforo, vivendo entre os intervalos de cada parada, com no máximo 60 segundos para falar com o maior número de pessoas possíveis, e escolher bem, mesmo sem paradoxalmente conhecer ninguém e ainda conseguir algo, UFA!

Veja só que tarefa, e tem gente ainda reclamando da vida! Experimente vender 400 garrafas de água e 17 pacotes de Halls no farol para você sentir na pele a indiferença das pessoas, e ao mesmo tempo o suporte de outras, que passam de meros desconhedicos para grandes incentivadores dentro de um espaço de 30 segundos. Sábado, dia 08 de novembro de 2014 pude ver de perto essa inversão de papéis e essa psicologia reversa no trânsito de São Paulo, e tudo graças ao meu artigo sobre o coletivo Classitude, e o convite do próprio projeto para me ter em uma de suas costumeiras ''Blitz'' na movimentada Avenida São Miguel, próximo ao posto BR da Águia de Haia.

O incontável Classitude só aumenta, inclusive enquanto batuco meu teclado um novo membro deve estar adentrando a mesquita social do grupo, e fiquei bastante feliz pelo contato e por ter ajudado os caras de alguma forma, fora que agora eu de fato sei o que eles passam para poder sustentar o sonho de gerenciar todas as milhares de metas e tarefas para conseguirem fechar uma bela internvenção urbana no dia 07 de dezembro, tudo em prol da CADV a casa de apoio à criança com câncer vida divina, localizada no bairro de Ermelino Matarazzo.

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Para simplificar o processo gostaria de comparar meu sábado como um membro do coletivo com uma tentativa de ouvir Free Jazz. O Free Jazz é como se fosse o Rock Progressivo da visão Miles Davis da jam, logo, trata-se de um som de difícil audição e absorção, porém depois que se acostuma o mesmo corre tão bem como uma cachoeira, e neste dia de Blitz minha experienência foi plenamente comparável aos percalços de mestres como Ornett Coleman, começou bem complicada e se deu por encerrada de forma maravilhosa.

Chegar no farol as 11 da manhã e ficar até quatro horas da tarde foi difícil, mas chegar no QG dos caras e ver que a ação foi um sucesso, e notar o sorriso no rosto de cada um me trouxe um sentimento de renovação ímpar, já não estava nem cansado e pensei muito à respeito durante minha volta para casa, ao som do (já nem tão petulante assim) Ornett Coleman.

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Percebam que o Classitude é o meu destaque, mas que neste texto os caras vão também servir de base, de puro e tangível exemplo. Os senhores já pararam para perceber como as interveções urbanas estão causando impacto em nosso dia-a-dia? Já notaram como a malha de eventos aumenta cada vez mais, e sai dos circuitos para encontrar o céu dos parques e avenidas?

O evento que o coletivo vai sediar no próximo dia 07 é prova disso, e o mais bacana disso tudo é saber que o lance virou tendência de uma tal forma que muitas pessoas nem percebem mais, e quem ganha com isso somos nós, sempre existem barreiras para criar algo nesse molde, mas quem disse que a vida é fácil meu amigo?

Experimente vender água no farol o dia todo e depois me fala, água e Halls dois reais e recompensas incontáveis, esse é o rolê do Classitude, melhor que free Jazz, melhor do que água e até melhor do que Halls, é promover música e arte. Sábado que vem tem mais, não sei se eu vou conseguir presenciar novamente, mas sei que eles estarão lá mais uma vez, Passe pela avenida São Miguel e conheça o projeto, um brinde geladinho à CADV e obrigado pelo contato, Classitude!


Guilherme Espir

A música nunca está alta o suficiente, tampouco satisfeita, ela aparece algumas vezes aqui, no Insight sonoro, e cai todo dia no Macrocefalia Musical (macrocefaliamusical.blogspot.com.br) mas não... ela nunca está alta o suficiente..
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