insight sonoro

trilha sonora para suas ideas

Guilherme Espir

A música nunca está alta o suficiente, tampouco satisfeita, ela aparece algumas vezes aqui, no Insight sonoro, e cai todo dia no Macrocefalia Musical (macrocefaliamusical.blogspot.com.br) mas não... ela nunca está alta o suficiente.

A Proeza Contemplativa dos Psicodélicos

Existem novas bandas trilhando o caminho do perpétuo. Novos grupos que aos poucos registram grandes trabalhos, e que o fazem de forma tão natural, coesa e sincera que com certeza serão lembrados. E enquanto muitos falam que só nos anos 70 a coisa era de verdade, os espertos ficam quietos e apenas gozam da boa música de nosso tempo... Quem reclama ainda não percebeu que são novos tempos, novos sons e padrões, viva o Chris Robinson Brotherhood e sua liberdade musical e proesa atemporal.


O ano era 2012, lembro-me que musicalmente falando fora um belo ano, muitas bandas do cenário Doom/Stoner surgindo num dos maiores boom generalizados do estilo, grupos estes aliás que hoje são líderes no selo de qualidade do gênero.

E fora isso tivemos os Grooves das outras cenas que entraram somando, também com grande qualidade, teve bastante Heavy, rolou Blues-Rock com um disco muito bom do Rival Sons, (''Head Down'') Jack White, Tame Impala, Bonamassa... Mas que me perdoem os citados e não citados, nada disso chegou perto do estrago do Chris Robinson Brotherhood.

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Primeiro teve o ''Big Moon Ritual'' lançado no dia 5 de Junho, que basicamente é um cosplay de Grateful Dead blueseiro, e instrumentalmente longitudinal e lisérgico, que fez os amantes dos '70 delirarem. Me lembro até hoje do meu pai me ligando de dentro da galeria do Rock falando desse disco. Baixei o mesmo e apenas tive o trabalho de fritar, ah mas como fritei, a menor música do disco tinha sete minutos e três segundos, ''Tomorrow Blues''... Eu tenho um fraco por uma jam.

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Fui ouvindo o disco e o tempo foi passando, nem me liguei em pensar num próximo trabalho, aquilo era tão bom que cheguei até a pensar no sacrilégio de parar só com este, mas aí me lembrei que quem estava na chefia da boca era Chris Robinson, e lembrando de sua fantástica carreira solo sabia que a jam continuaria, e seguiria com aquele mesmo clima de eternidade que tanto aprecio.

E três meses depois teve mais, teve ''The Magic Door'' no dia 11 de sembro, e num som mais chill out, com doses alarmantes de improvisação mantendo as notas... Eu me perdi num semi coma, é impressionante, até a arte de ambos os discos é uma obra prima, e 2014 marca meu repeteco de 2012, pois a banda deu sequência na Jukebox psych.

''Phosphorescent Harvest'' fecha a trinca deste elixir espiritual, mas desta vez com mudanças, o Nirvana vem acompanhando com climão de Psicose da Bay Area de São Francisco (reparem na capa)... Imaginem se eles colocam mais um na praça daqui três meses? Seria muita viagem, hoje é dia 29 de Abril, esperemos por Julho! A banda começou no Blues, temperou de leve com uma psicodelia suave, e agora veio em forma de divindade Hippie, três escolas diferentes com três resultados exuberantes, uma jam que de fato, só olha para frente, sempre mudando, e com a mesma qualidade.

Line Up:
Chris Robinson (vocal/guitarra)
Neal Casal (guitarra/vocal)
Adam MacDougall (teclado/vocal)
Mark Dutton (baixo/vocal)
George Sluppick (bateria)

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Track List:
''Shore Power''
''About A Stranger''
''Meanwhile In The Gods...''
''Badlands Here We Come''
''Clear Blue Sky & The Good Doctor''
''Beggar's Moon''
''Wanderer's Lament''
''Tornado''
''Jump The Turnstiles''
''Burn Slow''
''Humboldt Windchimes'' - Bônus na versão em CD

Comparando a sonoridade dos dois discos anteriores é bem claro que agora o Rock Psicodélico impera na sonoridade deste trabalho, e a capa é apenas mais um detalhe, fora isso a banda ainda lançou um anel de LED junto com as edições em CD, (limitadas) e prensou um dos vinis mais lindos que vi nos últimos tempos, uma bolacha rocha lindíssima, e meus amigos, o som ficou muito mais pesado.

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Pesado não no sentido de que agora a banda faz um Heavy Metal, mas no sentido de que com essa nova cozinha em vigor, as Trips são ainda mais duradouras e os insights são bem fritos, o senhor terá flashbacks em reverberação escutando este conteúdo, e o melhor é que as passagens de groove seguem no mesmo patamar dos trabalhos registrados anteriormente, e aqui toda a densidade do aparato psicodélico é mais um Plus pra sentir a letargia, a aceleração e desaceleração chapada que a banda insere em trechos realmente de tirar o juízo.

Começando com muito impacto ao som de ''Shore Power'', que podendo ''assustar'' ouvintes de primeira viagem, pode causar um impacto negativo em relação a uma fuga sonora se comparado ao som que a banda fez nos primórdios, mas é questão de um minuto pra fermentar a cozinha e chapar o ouvinte no primeiro play, os efeitos entram densos, seguram a levada, tudo fica mais lento, viajado, e daí pra frente você já vira fã do Psych Brotherhood.

Anel de LED:

Outra coisa que muda bem as regras do jogo e favorece os resultados é que nesse disco temos a melhor performance de Adam MacDougall desde sua estréia tecladística-pian[istica com esta formação do grupo. Aqui o cidadão lota o disco com ótimas linhas, e com esta nova abordagem ganha muito mais espaço para explorá-las, e o faz durante o disco todo, seja fazendo a base para o clima relax de ''About A Stranger'', apoiando os inegáveis benefícios criativos de um LSD em ''Meanwhile In The Gods...'' Ou ainda climatizando seus ouvidos ao som de ''Badlands Here We Come'' para facilitar a poesia de Chris Robinson nos vocais, que assim como MacDougall também faz um ótimo trabalho, aliás a banda toda como um todo só melhora a cada novo disco.

Som sem ponto fraco, você escuta a guitarra de Chris, a bateria de George Sluppick, a base de quatro cordas de Mark Dutton, (com um groove que sempre cai de pé), e recebes ainda a honraria de escutar os solos de Neal Casal, que reprozindo uma guitarra ala Jerry Garcia, conduz seus solos da mesma forma que o mestre, lentamente, na raça, sem efeitos externos, com feeling, e aquele chorinho que só quem conhece sabe.

Obras primas como ''Clear Blue Sky & The Good Doctor'' mostram isso, a guitarra entra e você para e tenta prestar atenção apenas em um canal, mas é duro manter o foco, ''Beggar's Moon'', ''Wanderer's Lament'', o Country de ''Tornado''... Que feeling, não tem como não imaginar um show dos sonhos desses caras com o Dead, é excelente.

''Burn Slow'' é uma das melhores músicos que o grupo já gravou, e uma das melhores que ouvi neste ano, o solo de Neal é digno de ser ouvido separadamente, a voz de Chris Robinson, a leveza e cuidado de cada um dos músicos... Backing vocals em plena harmonina e equalização temporal. O primeiro minuto é só pra arrepiar o ouvinte, os outros seis são para expandir as mentes, e brotar ideias surreias, tal qual uma missa Hippie patrocinada pelas divindades Psicódelicas...

Nossa, é complicado fechar o último parágrafo, mas se os senhores saíram da hipnose fechem com o instrumental lunar de ''Humboldt Windchimes'', a faixa bônus da versão em disco, essa é pra deixar claro que esses caras realmente fazem de tudo, boa viagem, camada por camada na Trip cósmica de Blues.


Guilherme Espir

A música nunca está alta o suficiente, tampouco satisfeita, ela aparece algumas vezes aqui, no Insight sonoro, e cai todo dia no Macrocefalia Musical (macrocefaliamusical.blogspot.com.br) mas não... ela nunca está alta o suficiente..
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