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trilha sonora para suas ideas

Guilherme Espir

A música nunca está alta o suficiente, tampouco satisfeita, ela aparece algumas vezes aqui, no Insight sonoro, e cai todo dia no Macrocefalia Musical (macrocefaliamusical.blogspot.com.br) mas não... ela nunca está alta o suficiente.

Gary Clark "Blues" Jr.

O Blues é tudo que se tem quando paradoxalmente não se possui mais nada. É a única coisa que sempre está ali, seja em tempos de tormenta, calmaria ou felicidade. Você só precisa ser sincero com ele, do jeito que seu acordes são com seus ouvidos e coração.


O Gary Clark Jr começou a pertubar meu pacová. Nos últimos dois anos o guitarrista ganhou avassaladora popularidade, o que para um músico nunca é ruim, mas a forma que ele chegou nesse ponto muito me intrigou. Antes mesmo de ter um disco ele já tinha tocado em duas edições do Crossroads, feito aberturas para os shows do Clapton ao redor do mundo e aparecido em todos os programas de TV possíveis e imagináveis.

Quando seu disco finalmente saiu o sucesso foi imediato, mas foi seu conteúdo que me distanciou do Bluesman. Conhecia seu som na época que o negrão só tinha EP, e nesta época sentia uma outra energia quando ouvia seu som, um simples ato de sinceridade para com o Blues, que pelos excessos de burocracias de managers, o levaram até para a cerimônia do Rock And Roll Hall Of Fame, como convidado claro.

Em 2012 com o lançamento de ''Blak And Blu'' minhas suspeitas começaram. Já vi esse cara ao vivo, ele manda muito bem, mas no disco a coisa ficou muito Pop, e de Blues mesmo pouco se viu, porém novamente o ciclo se repetiu. Mais programas de TV, Lollapalooza Brasil e Chicago, e quando pensava que os caça níqueis iriam continuar a girar ele deu uma pausa, e uma pausa decente, uma pela qual sempre esperei, desconsiderem o ''Blak And Blue'', ''Gary Clark Jr Live'' (lançado dia 23 de setembro de 2014) é o inicio de tudo, e um início duplo.

GCJR LIVE COVER.jpg

Track List:
''Catfish Blues''
''Next Door Neighbor Blues''
''Travis County''
''When My Train Pulls In''
''Don't Owe You A Thing''
''Three O'Clock Blues''
''Things Are Changin'''
''Numb''
''Ain't Messin 'Round''
''If Trouble Was Money''
''Third Stone From The Sun/If You Love Me Like You Say''
''Please Come Home''
''Blak And Blu''
''Bright Lights''
    ''When The Sun Goes Down''

    Nos últimos 18 meses Gary e banda estiveram em uma tour que não teve pausa nem para idas ao banheiro, e enquanto os shows passavam o material para esse disco começava a ser selecionado. Temos aqui 15 grandes faixas, e em todas elas o americano confirma seu talento, e finalmente o faz com todo seu potencial, sem forçar nada na veia Pop.

    O problema não é ser comercial, o ponto crucial é fazer isso de uma forma benéfica, e em seu primeiro disco ele errou a mão neste aspecto, aqui não. Aqui tem ''Catfish Blues'', mais de dez minutos de ''Third Stone From The Sun/If You Love Me Like You Say'' e muita fritação com um dos pontos altos de seu show, o feeling de ''When My Train Pulls In''.

    Uma coisa que vale ser ressaltada aqui é a naturalidade de todo esse show, a energia é excelente e a banda que apoia seu fraseado é ótima, exalando entrosamento, e indo de acordo com os nortes da biruta do Blues, sem setlist, e sem overdubs. De fato senhores, o que se escuta aqui é Blues e nada mais.

    GARY.jpg

    Para os mais ferrenhos fãs deste cidadão vale destacar uma coisa, muitos o chamam de ''Salvador do Blues'', mas quem disse que o Blues precisa ser salvo? Ele é um bom guitarrista, faz belas apresentações, mas sem exageros, o Derek Trucks por exemplo toca muito mais e nem por isso ele vai salvar o Blues.

    São mais de 90 minutos de muito som, e o mais importante, mesmo sendo bombardeado pela mídia, o cidadão Clark não demonstra ter mudado. Acompanho sua carreira, vejo entrevistas e etc... O moleque tem cabeça boa, toca por que gosta, e a identidade de seu som é essa que sai pelas caixas, só não vamos exagerar, ele está segurando a onda e o Blues está nos falantes, o resto é o resto. Agora nos resta esperar pela confirmação deste bom momento no próximo trabalho de estúdio, sempre fazendo nosso papel de fã com moderação, é claro.


    Guilherme Espir

    A música nunca está alta o suficiente, tampouco satisfeita, ela aparece algumas vezes aqui, no Insight sonoro, e cai todo dia no Macrocefalia Musical (macrocefaliamusical.blogspot.com.br) mas não... ela nunca está alta o suficiente..
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