insólito

Pequenos grandes eventos

Larissa Caramel

Esta que vos escreve não possui compromisso algum com a verdade alheia.

Insólito impresso e ilustrado à venda:
https://www.chiadoeditora.com/livraria/insolito

Desabafo político

Sobre manifestações, opiniões e um pouco mais.


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O povo brasileiro, do qual também faço parte, em sua maioria, sofre de uma certa síndrome de Estocolmo.
O povo europeu, que há séculos vive à custa da exploração do chamado novo mundo que tão orgulhosamente afirma ter descoberto, como se tais localidades fossem de fato desconhecidas e desabitadas - povo que há pouco rejeitava empregos considerados indignos, atraindo imigrantes pagos para até mesmo passear com os cachorros - pois bem, este povo recentemente passou a experimentar os males do resto do mundo. E o meu povo brasileiro, quando vê notícias da comunidade europeia indo às ruas protestar contra o desemprego e aumento de desigualdade, sente pena, empatia, nada estranha no tardio grito de reclamação, e afirma que o brasileiro (por consequência, todos nós) é apático e não luta por seus direitos. Mas assim que parte mínima de nossa população resolve ir às ruas, de apáticos nos tornamos reacionários, vândalos, incapazes, nunca superiores.
Caros amigos de situação econômica confortável, eu entendo seu distanciamento em relação aos recentes protestos causados pelo aumento de preços nas passagens do transporte público, mas não aceito a opinião distorcida e mal estruturada que muitos cultivam sobre o assunto.
A conclusão de que o indivíduo escravo de nossa infraestrutura precária nada deve fazer além de se contentar em trabalhar duro, para então subir de classe e se endividar na compra de um carro que custa o dobro do que deveria, para de vítima passiva, tornar-se agravante do trânsito, no conforto meritocrata de seu ar condicionado, é tão deficiente que não pode sequer ser chamado de argumento. A meritocracia da suposta direita é quase uma aberração argumentativa. Inclusive, o conceito simplista e ingênuo de direita e esquerda, bem e mal, preto e branco, que a mídia tão eficientemente implantou na maior parte das mentes faz com que muitos, como eu, desistam de discutir política, ainda mais quando a política como ciência é precariamente resumida em política partidária. Aos mais atentos, cabe dizer que em matéria de diminuição da desigualdade econômica, o capitalismo bem gerido já se mostrou mais eficiente que outros modelos nos países ditos desenvolvidos (antes da recessão).
Sugiro para os que desejam construir argumentos sólidos, independente da inclinação política, que parem de basear suas hipóteses no que é televisionado ou espalhado por redes sociais. Procurem conteúdo que inspire e desafie o pensar, e não concluam cedo demais que a solução está nos livros didáticos, pois autores e instituições possuem sua própria agenda de interesses.
Nunca aceitem respostas simplistas e conclusões precipitadas. Sempre haverá um lado desconhecido e distante da realidade no processo de construção da verdade que nosso povo decide comprar e proteger.


Larissa Caramel

Esta que vos escreve não possui compromisso algum com a verdade alheia. Insólito impresso e ilustrado à venda: https://www.chiadoeditora.com/livraria/insolito.
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