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Que a arte nos aponte uma resposta...

Cláudia Zalaquett

Formada em Rádio e TV e pós-graduada em Jornalismo Cultural. Trabalha com produção audiovisual e escreve para internet.
Contato: [email protected]

Documentário Happy e a busca pela felicidade genuína

Muito se fala sobre a felicidade. Mas será que realmente sabemos o que é ser feliz? “Happy” nos ajuda a compreender melhor este assunto.


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Você sabia que cerca de 50% do nosso nível de felicidade é determinado pela nossa genética? E que as circunstâncias das nossas vidas, como por exemplo, emprego, dinheiro, status social e saúde, são responsáveis por apenas 10% deste nível? Muita gente se surpreende por ser uma porcentagem tão pequena. Mas ainda restam 40% de “espaço” livre, que é ocupado pelo nosso comportamento intencional e as nossas escolhas. Se você ainda não sabia dessa informação, não se preocupe! Eu também descobri há pouco tempo, depois de assistir ao esclarecedor documentário Happy.

porcentagens.png Ilustração retirada do documentário Happy

Lançado em 2011, o documentário foi idealizado pelo diretor americano Tom Shadyac, após ler um artigo que comparava os países em termos de felicidade. Este artigo constatou que os EUA, embora seja um dos países mais ricos do mundo, está longe de ser um dos mais felizes. Com isso, Tom sugeriu ao cineasta Roko Belic que dirigisse um documentário sobre a felicidade genuína e descobrisse quais são as verdadeiras causas e caminhos que nos levam até ela. Roko aceitou o desafio e, durante seis anos, buscou pessoas em diversas partes do mundo que pudessem contribuir com o assunto. Durante o processo de investigação e pesquisa, foram gravadas imagens e entrevistas valiosas na Dinamarca, Namíbia, Escócia, China, Quênia, Japão, Butão, Índia, Estados Unidos e Brasil.

Happy nos ajuda a entender a evolução dos estudos sobre a felicidade. Durante muito tempo, dentro da área da psicologia, especialistas acreditavam que este tema era muito frágil e vago, já que parecia impossível mensurar algo tão abstrato como a felicidade humana. Contraditoriamente, consideravam possível medir a depressão, e concentravam suas pesquisas em doenças mentais. Mas a partir da década de 1990, as pessoas, de um modo geral, passaram a se interessar cada vez mais por questões relacionadas à felicidade, mudando assim a visão da ciência. Com isso, surgiu um novo ramo científico, que busca analisar e descobrir quais são os componentes principais de uma vida, não apenas livre de doenças, mas também capaz de alcançar a felicidade profunda e verdadeira. Esse ramo é chamado de Psicologia Positiva e tornou-se a disciplina mais popular na Universidade de Harvard.

Embora tenhamos visto, no início deste artigo, que o dinheiro é um dos fatores responsáveis por apenas 10% do nosso nível de felicidade, muita gente ainda acredita que quanto mais dinheiro uma pessoa tem, mais feliz ela será. Para acabar com esse equívoco, Happy nos mostra que apesar da população dos EUA ser hoje em dia, aproximadamente, duas vezes mais rica do que há 50 anos, seu nível de felicidade se manteve praticamente igual durante todo esse tempo. Isso se deve a nossa capacidade de adaptação hedonista, que é um dos maiores inimigos da felicidade. Independente de qual seja a nossa condição financeira, temos o costume de nos adaptar rapidamente a ela e querer sempre mais. Muito mais.

Outra explanação importante que o documentário traz é a de que existem dois tipos de valores ligados às nossas escolhas. Eles podem ser classificados como “internos” e “externos”. Os valores internos são: evolução pessoal, relacionamento interpessoal e o desejo de ajudar ao próximo. Já os externos são: sucesso financeiro, aparência e popularidade. Na maioria das vezes, pessoas mais ligadas aos valores externos sentem-se menos satisfeitas e são mais ansiosas e deprimidas. Em compensação, as pessoas que dão mais importância aos valores internos, possuem maior vitalidade e têm menos chances de sofrerem depressão. Happy nos faz compreender que a escolha dos nossos valores é um elemento chave para a conquista da felicidade genuína.

Além das explicações teóricas feitas por pesquisadores e especialistas do ramo, o documentário é recheado de depoimentos que comprovam todas estas teorias e que, principalmente, nos emocionam. Habitantes das mais variadas partes do planeta expõem suas vidas e revelam como e porque se sentem verdadeiramente felizes. Pode parecer clichê, mas é através destas declarações que lembramos o quanto a felicidade está presente nos detalhes e nas coisas mais simples da vida. Vale a pena reservar 75 minutos do seu dia para assistir “Happy” e refletir se você está fazendo as escolhas certas em busca de uma vida mais satisfatória e feliz. E caso você já o tenha assistido, deve concordar comigo que este é o tipo de filme que merece ser visto de novo!

paisagem.png Cena do documentário Happy


Cláudia Zalaquett

Formada em Rádio e TV e pós-graduada em Jornalismo Cultural. Trabalha com produção audiovisual e escreve para internet. Contato: [email protected]
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