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Que a arte nos aponte uma resposta...

Cláudia Zalaquett

Formada em Rádio e TV e pós-graduada em Jornalismo Cultural. Trabalha com produção audiovisual e escreve para internet.
Contato: [email protected]

Assista "NO" (e volte no tempo!)

Longa-metragem chileno retrata as campanhas políticas do plebiscito de Pinochet.


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O cineasta chileno Pablo Larraín encerrou em 2012 uma trilogia sobre a cruel ditadura de Augusto Pinochet, vivenciada pelo seu país, com o filme NO. Antes, havia dirigido “Tony Manero” (2008) e “Post Mortem” (2010).

O filme reconstitui o histórico plebiscito de 1988. Sob pressão internacional, o ditador Augusto Pinochet, então presidente do Chile desde o golpe de 1973, se viu obrigado a convocar o povo para votar se ele poderia continuar no poder por mais oito anos: sim ou não. Isso explica o título do filme.

Para estrelar NO, Pablo escalou o ator mexicano Gael García Bernal, o qual interpreta René Saavedra, um jovem publicitário que foi convidado pela esquerda para realizar a campanha do “não” ao regime. Com pouquíssimos recursos e permanente vigilância dos agentes do governo, René criou uma estratégia audaciosa para vencer o plebiscito. Além de Gael García Bernal, o elenco também conta com os atores Alfredo Castro (Lucho Guzmán), Antonia Zegers (Verónica), Luis Gnecco (José Tomás Urrutia), entre outros.

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Ao assistir o longa-metragem, o espectador tem a sensação de voltar no tempo. Não apenas pelo tema que o filme aborda, mas também pelos recursos utilizados: imagens gastas, cores saturadas, muita contraluz e movimentação trêmula da câmera. Para realizar estes efeitos, NO foi filmado com câmeras antigas (formato U-Matic), além de recorrer a imagens de arquivo, exibindo as próprias campanhas políticas realizadas na época.

Tudo isso serviu como uma boa tática de Larraín para inserir o público no contexto do filme. Com uma direção de arte exemplar, o resultado é extremamente eficiente e traz a impressão de estar assistindo a um documentário realizado, realmente, em 1988 e que foi guardado durante todos esses anos.

O roteiro, escrito por Pedro Peirano, foi inspirado a partir da peça “El Plebiscito” de Antonio Skármeta. Entretanto, foi necessário realizar uma série de pesquisas e entrevistas adicionais para poder enriquecer o resultado da obra. Como mérito, NO venceu a Quinzena dos Realizadores de Cannes 2012 e concorreu ao Oscar 2013 na categoria de melhor filme estrangeiro.

Nota: Imagens extraídas do Google.


Cláudia Zalaquett

Formada em Rádio e TV e pós-graduada em Jornalismo Cultural. Trabalha com produção audiovisual e escreve para internet. Contato: [email protected]
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