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Que a arte nos aponte uma resposta...

Cláudia Zalaquett

Formada em Rádio e TV e pós-graduada em Jornalismo Cultural. Trabalha com produção audiovisual e escreve para internet.
Contato: [email protected]

Tenha esperança, mas não espere

Sabe aquele velho ditado de que a esperança é a última que morre? Nos dias de hoje, mantê-la viva tem sido um grande desafio.


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E motivos talvez não faltem. São as notícias de violência e corrupção que vemos diariamente sair na mídia. São os obstáculos que aparecem no meio do caminho e nos fazem perder a direção. São as desilusões que colecionamos ao longo da vida e, para nos proteger, preferimos não criar expectativas.

Mas, ainda assim, existe mais um problema por trás de todos os outros problemas e que, praticamente, passa despercebido pela maioria de nós: a esperança tem sido interpretada de forma errada.

Costumamos confundir “ter esperança” com “esperar alguma coisa” e é ai que está a nossa falha. Outro dia, assistindo a uns vídeos pela internet, encontrei uma entrevista do professor e filosofo Mario Sergio Cortella, que refletia justamente sobre isso. Ele reforçava um dos ensinamentos do educador Paulo Freire e dizia o seguinte:

“A coisa mais importante que você e eu podemos ter na vida, quando a gente não tem nenhuma outra coisa, é a esperança. Mas tem que ser esperança do verbo esperançar, porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera”.

Quantas vezes, por exemplo, queremos encontrar um novo trabalho, mas ficamos estagnados esperando uma vaga cair do céu? Quantas vezes desejamos encontrar a pessoa certa, mas não nos permitimos conhecer alguém? Quantas vezes sonhamos com um país melhor, mas esquecemos de fazer a nossa parte? Quantas vezes, simplesmente, esperamos que alguma coisa aconteça, mas não fazemos nada para ela acontecer?

Portanto, ter esperança, definitivamente, não é esperar! Esperar é passivo, é deixar a vida levar, é abrir mão da nossa responsabilidade e jogar toda culpa no destino. Já esperançar, que dá origem à palavra esperança, é a capacidade de levantar quando algo quer nos derrubar, de enfrentar um problema ao invés de desistir, de sempre buscar uma saída mesmo quando tudo parece não ter solução.

Se a fé move montanhas, as nossas atitudes movem o mundo. E o que o mundo precisa é de gente disposta a fazer acontecer. Gente que vai atrás, que constrói, que evolui. Gente com esperança, mas que não espera.

Mãos à obra!

Nota: Texto escrito por mim para o site Sala de Ideias.


Cláudia Zalaquett

Formada em Rádio e TV e pós-graduada em Jornalismo Cultural. Trabalha com produção audiovisual e escreve para internet. Contato: [email protected]
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