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Ygor Santos Melo

Arquiteto e Urbanista, engajado em não ser um peso para o mundo. Nessa toada, quem sabe, fazer dele um lugar melhor.

514-21: tantos dias que perdemos (o golpe)

Não, não houve revolução. Tiraram Jango, foram contra a constituição. Um abismo obscuro se intensificou na nação. Hoje, 50 anos desde o ocorrido, sofremos dores daquela aflição.


super.abril.com.br.jpg Fonte: super.abril.com.br

Guerra Fria. Socialismo x Capitalismo. Para os EUA: América do Sul: quintal norte-americano. As tensões aumentam, Jânio sai e Jango entra sob um regime parlamentar. Dia 1 de Abril os militares golpeiam nação e povo, mas dizem que foi revolução. O Brasil afunda, a aflição cresce, o medo se dissemina. Muito medo. A Revolução foi, ano a ano, do povo. A resistência deve ser, dia a dia, nossa. Lembrar é resistir. Resistir para que aquilo não aconteça novamente.

www.correiobraziliense.com.br.jpg João Goulart discursando. Cena do documentário “O Dia que Durou 21 Anos”, de Camilo Tavares.

Não foi só o governo de João Goulart que desencadeou a insatisfação da ala conservadora. As agitações e a ideia de Golpe não foram repentinos, aconteceram depois do acúmulo de muitos fatores do período republicano pós Getúlio Vargas. Em 1955, Juscelino Kubitschek assume a presidência da república e desenvolve um governo que lhe rende uma grande popularidade. Entretanto, no seu mandato já há esboços de Golpe, como o episódio de Jacareacanga, encabeçado por Haroldo Veloso.

O sucessor de JK é Jânio Quadros, presidente eleito com números altíssimos de votos, mas que logo renuncia ao cargo, numa fracassada tentativa de retorno. Com o cargo vago, cabe ao jovem vice-presidente Jango assumir. Todavia, pelo fato deste estar, quando Jânio deixa a presidência, na China, as agitações militares aumentam e eles tentam impedir a posse, mas o governador do Rio Grande do Sul na época, Leonel Brizola, garante que Jango volte e assuma legitimamente o poder.

2000-000521-_19810415.jpg Tancredo Neves, Leonel Brizola e João Goulart Fonte: oglobo.globo.com

19 dias antes do Golpe, Jango discursa na Central do Brasil. Tem seu discurso aberto por José Lelis, do sindicato dos metalúrgicos, o qual foi muito aplaudido pelos 150 mil presentes. Leonel Brizola, que também estava presente, faz um discurso fervoroso, criticando as direitas e direcionando ataques a Carlos Lacerda, governador da Guanabara.

Ele também ataca o congresso "... o povo brasileiro olha para um dos poderes da República, que é o Congresso Nacional, e recebe um NÃO, porque é um poder controlado por uma minoria de latifundiários, reacionários, privilegiados e ibadianos. É um congresso que não dará nada a mais ao povo brasileiro".

De forma contundente, Brizola termina: quem tem o povo ao seu lado, nada tem a temer.

breve parte do discurso de 1h e 5 min de João Goulart, realizado na Central do Brasil, no dia 13 de março de 1964

20:45 do dia 13 de março de 1964: João Goulart sobe ao palanque. Lá, ele defende as "reformas de base", a bandeira de seu governo. Estas (não ainda com este nome), que entraram em discussão, em 1958, com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), visavam alterações políticas, sociais e econômicas, a fim de diminuir as desigualdades. Foi no governo de Jango que suas definições tornaram-se claras. Reforma fiscal, bancária, administrativa, urbana, universitária. REFORMA AGRÁRIA, o carro-chefe, que visava eliminar os conflitos pela posse da terra e garantir o acesso à propriedade de milhões de trabalhadores rurais.

ultima-hora.jpg Fonte: vidaquesegue.com.br

Outros oradores também defenderam as reformas, dentre eles o chefe da Casa Civil, Darcy Ribeiro, e o presidente da União Nacional dos Estudantes, José Serra.

"O governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma seus propósitos inabaláveis de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira. Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social E, AO LADO DO POVO, PELO PROGRESSO DO BRASIL." (Goulart)

Jango também propunha uma reforma constitucional. Acreditava numa sensibilidade dos parlamentares. Nesta parte ele estava errado.

20080311-13 de março de 1964 - blog - br.jpg Fonte: www.jblog.com.br

Esse 13 de março, para os militares, foi o estopim. 6 dias depois, os oposicionistas organizaram a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade". Uma manifestação reacionária, conservadora e cristã. Um episódio triste, que demonstrava que a direita não queria Jango, não queria manifestações de esquerda. Não sabiam de nada.

marcha-ditadura.jpg Marcha da Família com Deus pela Liberdade Fonte: http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/

A marcha significou que a religião, uma boa parcela do povo e o interesse dos EUA formavam os pilares para que o golpe acontecesse.

Em Juiz de Fora, dia 28 de março, Olímpio Mourão Filho e Odílio Denys, dois generais, se reuniram com Magalhães Pinto, governador de Minas Gerais. O Golpe tomava forma. Dia 31 de março Olímpio marcha em direção ao Rio com suas tropas e, no caminho, encontra com as tropas do governo, onde se unem e continuam. Jango, ao se deparar com aquilo, vai do Rio, para Brasília, e depois para o Sul, a fim de evitar um combate armado. Logo em seguida, se refugia no Uruguai.

Auro de Moura Andrade, que era senador, declara vago o cargo de presidente, antes mesmo de Jango partir para o exílio. Ranieri Mazzilli assume a presidência, assim como previa a constituição de 1946.

Jornal-do-Brasil-ditadura.jpg Fonte: veja.abril.com.br

Dia 2 de abril foi organizado o "Comando Supremo da Revolução", composto pelo brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica), o vice-almirante Augusto Rademaker (Marinha) e o general Artur da Costa e Silva, representante do Exército, homem-forte do triunvirato, e que viria a ser o segundo presidente da ditadura militar. Essa junta permaneceria no poder por duas semanas. Houve oposição de grupos mais alinhados à esquerda, como a UNE, a CGT, a JUC e a AP. Milhares foram presos irregularmente e casos de tortura, sobretudo no Nordeste, já aconteciam nos primeiros dias de regime militar. Gregório Bezerra, líder comunista, amarrado e arrastado pelas ruas do recife é prova disso.

gregorio_bezerra.jpg Gregório Bezerra foi um dos maiores nomes da resistência pernambucana ao Golpe Fonte: jonalggn.com.br

Dia 15 de abril Castelo Branco assume. Os AIs começam, a aflição também. Mas o povo e a democracia venceriam! Sempre vencerão!

abaixo-a-ditadura.jpg Fonte: canal.blog.com


Ygor Santos Melo

Arquiteto e Urbanista, engajado em não ser um peso para o mundo. Nessa toada, quem sabe, fazer dele um lugar melhor. .
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