isso não é um blog

Isso não é uma descrição

Ygor Santos Melo

Arquiteto e Urbanista, engajado em não ser um peso para o mundo. Nessa toada, quem sabe, fazer dele um lugar melhor.

Fomos professores, agora seremos alunos.

Este não tem nada a ver com política e afins. Vamos falar de futebol, só. Para ser específico, vamos discorrer sobre a Seleção Canarinha e a falência da arte futebolística no pós-2002 da camisa, até então, mais temida do futebol.


blogs.diariodepernambuco.com.br.jpg Fonte: blogs.diariodepernambuco.com.br

Em 2002 fomos Penta Campeões de Futebol. Até então, tínhamos a Itália Tri e a Alemanha também Tri, o que não oferecia nenhum risco à camisa verde-amarela. Realmente não ofereciam, éramos favoritos para 2006, sobretudo depois de vencer a Argentina na Copa América de 2004, num jogo histórico.

Na Alemanha, em 2006, tínhamos o melhor jogador do mundo, Ronaldinho, aplaudido de pé pela torcida do Real Madrid, maior rival de seu clube, o Barcelona; tínhamos um camisa 9 fenomenal, vencedor 3 vezes do prêmio Melhor Jogador do Mundo pela FIFA; tínhamos o Imperador Adriano e Kaká, um jovem que despontava no Milan e seria, em breve, também melhor do mundo.

Entramos soberbos, com a soberba adquirida em 2002, e perdemos. Perdemos feio, novamente para a França e, para ajudar, com novo show de Zidane.

Em 2010, na África do Sul, entramos com o peso da camisa. Ainda éramos os "Penta Campeões", mas tínhamos Grafite no banco de reservas.

Entramos em uma Copa favoritos apenas pela camisa que vestíamos, a canarinha. Perdemos feio, de virada, novamente nas quartas, para a Holanda de Sneijder, o melhor meia-armador da temporada.

brasil-20141.jpg Fonte: deportv.gov.ar

A Copa é aqui, depois de 64 anos.

Uma seleção que não convenceu com Mano Menezes, porém que trazia a esperança de um novo título com a entrada de Felipão. Este comandou a canarinha no Penta e é, sem dúvidas, um grande técnico. Talvez o único no Brasil, atualmente, capaz de levar a seleção ao tão sonhado Hexa.

Estávamos prontos, pelo menos no papel, para exorcizar o fantasma do Maracanaço, que se refere à derrota de 2x1 para o Uruguai, na final da Copa de 1950, que rendeu o Bi aos vizinhos do Sul.

Após uma campanha nada convincente na fase de grupos, um jogo sofrido, vencido no pênaltis, contra o Chile e a vitória contra Colômbia, o Brasil é massacrado pela campeão Alemanha - O Mineiraço aconteceu. Na disputa do terceiro lugar, novamente foi alvejado por um outro grande ataque, o da Holanda.

O apagão não foi só de 6 min, foi de anos. O Brasil parou, achou que era Penta e poderia sentar e ficar tranquilo. Faltou humildade, faltou intercâmbio e disposição para aprender.

topicos.estadao.com.br.jpg Fonte: topicos.estadao.com.br

Por décadas a Seleção Brasileira deu ao mundo aulas de futebol. Campeã em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, era a melhor escola do esporte. Camisas 7 como a de Garrincha, camisas 10 como a de Pelé e camisas 9 como a de Ronaldo, dentre outros importantes nomes, foram expoentes de gerações de seleções que eram, sobretudo, equilibradas e coletivas.

A Alemanha foi derrotada na Euro de 2000 ainda na fase de grupos. Começou do zero. Investiu em categorias de base, em centros de treinamento e em treinadores. Hoje tem a melhor seleção do mundo, repleta de nomes jovens, aliados aos experientes. Nas três últimas copas veio como favorita e saiu entre as 3 melhores seleções nas últimas 4 edições, saindo com o título em 2014.

O que isso se chama? Renovação. Humildade para aprender com grandes escolas, inclusive a brasileira. A Espanha fez o mesmo, elevou o nível de seu futebol ao máximo.

Outras grandes como Brasil e Itália não quiseram aprender. Hoje sofrem a decadência.

rasunda_copa_58.jpg Fonte: futebolhistoria.blogspot.com

A ressaca da derrota tem que fazer as comissões por todo país pensarem um melhor futebol.

Os amantes desse esporte fantástico estarão torcendo para o retorno daquilo que fez o país do futebol gritar alegremente que a Seleção Brasileira era Campeã Mundial.

Que os brasileirinhos continuem jogando bola na rua, nas quadras, nas várzeas. Que surjam mais escolinhas, mais incentivo nas categorias de base. Que melhores treinadores sejam formados, sempre atualizados e ousados. Que o futebol brasileiro se renove e volte a ser aquele de uma década atrás, que vinha impressionado o mundo há décadas.

Que possamos formar desde o atacante ao goleiro, de Ronaldo a Marcos, de Neymar a Julio César. Que tenhamos muitos jogadores capazes de driblar um time inteiro, mas que saibam tocar a bola e dar muitas assistências.

Ensinamos muito, agora é a hora de aprender um pouco.

Meu vô sempre disse: jogador bão ganha jogo, time bão ganha campeonato.

A copa das copas se encerrou e deixou muitas lições, bem como um lindo espetáculo.

É bom saber que o futebol continua apaixonante.


Ygor Santos Melo

Arquiteto e Urbanista, engajado em não ser um peso para o mundo. Nessa toada, quem sabe, fazer dele um lugar melhor. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Ygor Santos Melo