it is alive

E se as artes fossem vivas?

Rodrigo Normando

Gosta do sentir o sabor de uma boa música. Adorador das folhas de outono.

Acordando para a vida

Após séculos de pensamento, sinto que não conseguimos diferenciar a realidade do sonho, e vice-versa. Waking Life traz de volta tudo que questionou as maiores mentes da história, e repensa cada aspecto. Um filme Cult que conta com diferentes finais, porque simplesmente toda sua história é um plano de fundo para a mensagem que se quer passar.


Waking Life – Acordando pra Vida – é uma animação de Richard Linklater. É, na verdade, uma obra de arte e um avanço no cinema, justamente porque o filme inteiro foi gravado, editado e entregue a 30 animadores que trabalharam as imagens do filme para que se assemelhassem à uma animação em flash. Entretanto, cada designer possui seu traço característico, tal mistura gerou, por fim, um filme de animação onírico e belo que evidencia as diferenças estéticas de cada artista. A história é simples, um jovem que não consegue libertar-se de seu sono, sempre que acorda encontra-se novamente preso, dentro de um outro sonho.

Waking Life.jpeg Cartaz do filme Waking Life, de Richard Linklater, lançado em 2001.

O mais interessante no filme, e o que se deve prestar mais atenção, não é a forma como decorre a história, mas sim os diálogos existencialistas, religiosos e políticos presentes na história. No início o protagonista é sumariamente passivo com todos os discursos que chegam a seus ouvidos, ele nem concorda e nem discorda. Mas parece que a áurea tremeluzente no espectro do filme altera a maneira como o protagonista se resolve, até o ponto em que ele admite estar apenas sonhando. Quem de nós sabe realmente diferenciar a realidade de um simples sonho? Certas vezes nossos sonhos são mais reais do que nossas próprias vidas. Este é o ponto que o filme propõe. Dissimular a própria existência a fim de encontrar a verdadeira realidade. Portanto , acorde, mas não para outro sonho, acorde pra vida e viva a sua existência. Um trecho do filme que exalta bem esse sentimento.

“O desafio é nos libertarmos do negativo... que nada mais é do que nossa própria vontade do nada. Uma vez tendo dito sim ao instante, a afirmação é contagiosa. Ela explode numa cadeia de afirmações que não conhece limites. Dizer sim a um instante... é dizer sim a toda a existência.”

waking-life-clouds.jpg Waking Life, de Richard Linklater. "Momento"

Algo parecido com o pressuposto da teoria das infinitas possibilidades, que assombra a física quântica atual. Quer dizer, ao optar pelo sim ou pelo não, criamos diversas possibilidades e destruímos diversas possibilidades que poderiam existir se tivéssemos dito “Sim”. Quando se diz “não” a uma possibilidade você não está simplesmente ignorando algo que poderia acontecer, mas sim deixando de lado outro futuro possível para a sua própria vida. Assim, Waking Life avisa, pelas palavras de Garcia Lorca:

- "Nesta ponte," adverte Lorca... a vida não é um sonho. Então, cuidado... cuidado e cuidado."

onthisbridge.jpg "On this bridge - Lorca warns -Life is not a dream, so beware and beware and beware" Waking Life. 2001

É um daqueles filmes que se você assistir pela segunda vez, certamente encontrá aspectos que não reparou na primeira vez que o assistiu. São tantas informações e tantos questionamentos que a ausência de respostas perfeitas explícíta a categoria Cult que o filme recebe, e a seriedade com que é admirado.

“All that we see or seem Is but a dream within a dream” E. Allan Poe

Trailer de Waking Life, 2001.


Rodrigo Normando

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