jardim selvagem

Gotas de chuva sobre a folhagem

Michael Pantaleão

Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Descendo a ladeira: o Japão do pós-guerra embalado pelo Jazz em Kids on the Slope


Uma vista de olhos na mais nova produção que recebe a assinatura do grande Shinichiro Watanabe, e embalada pela trilha sonora de Yoko Kanno, que recria grandes clássicos do Jazz para transmitir os conturbados conflitos, amores e dúvidas de um grupo de adolescentes que, em meio ao "caos" em que vivem, aproximam-se pelo amor em comum: a música.

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Kids on the Slope (título em inglês para Sakamichi no Apollon) é uma série de mangá criada por Yuki Kodama e a mais nova obra de arte no que diz respeito à animação japonesa dirigida por Shinichiro Watanabe que, junto com a compositora Yoko Kanno, já haviam trabalho juntos no aclamado Cowboy Bebop.

O que essa animação possui de diferente da maioria para que merecer um artigo é que aqui os poderes mágicos e lutas surreais dão lugar ao Jazz. Encontramos aqui a história de um grupo de adolescentes que, vivendo no Japão do pós-guerra e cercados dos vestígios por ela deixados, acabam se aproximando pelo amor em comum à música e se afastando de si mesmos e de quem os ama devido aos próprios conflitos internos – deixando que o destino seja embalado por tristes canções.

Logo, é compreensível que a série (que acabou de transmitir seu último episódio) não tenha conseguido o mesmo êxito em popularidade massificada que algumas de suas irmãs de estúdio, desde que o tema – além da trilha sonora – não é o tipo que consegue o carisma do público mais jovem. Pelo menos não de primeira.

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Falar em Yoko Kanno e em ótimas trilhas sonoras é redundante, mas a compositora se superou ao unir a modernidade na produção de séries animadas na terra do sol nascente (onde o Pop e o Rock costumam embalar as cenas mais empolgantes) ao som clássico de artistas como Bill Evans, Chris Connor, Chet Baker, Art Blakey and the Jazz Messengers e Rodgers and Hammerstein em novas e polidas versões.

A ideia inicial do presente artigo era compartilhar as versões já comentadas com o intuito de compará-las às suas versões originais. Durante doze episódios, Kanno nos presenteou com peças que indubitavelmente fizeram com que muitos espectadores (talvez não tão) jovens se aventurassem no fantástico mundo do Jazz.

Deixo aqui uma prévia deste trabalho que merece ser apreciado. O resto pode ser conferido ao assistir à série, o que recomendo vivamente.

Bom proveito.

Versão original por Art Blakey and the Jazz Messengers aqui.

Versão original por Bill Evans aqui.

Versão original por Rodgers and Hammerstein aqui.

Versão original por Chet Baker aqui.

Versão original por Chris Connor aqui.


Michael Pantaleão

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