joana tavares

observações mundanas

Joana Tavares

WHEN you are old and gray and full of sleep / And nodding by the fire, take down this book, / And slowly read, and dream of the soft look / Your eyes had once, and of their shadows deep;

esculturas de mãos gigantescas


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Em pleno deserto de Atacama, no Chile, junto da rodovia panamericana, uma gigantesca mão ergue-se cerca de onze metros acima do solo arenoso. Na verdade apenas os dedos e uma parte da mão são visíveis; o pulso, o braço jazem abaixo da terra e dão-nos uma ideia do tamanho colossal do resto do corpo a que pertencem. Mas a ilusão não passa disso mesmo. Trata-se de uma escultura monumental do chileno Mário Irarrázabal feita de concreto reforçado com aço, tal como se fosse um edifício, ali colocada ostensivamente desde 1992. Mas esta obra não é um caso isolado.

No verão de 1982, na cidade uruguaia de Punta del Este, teve lugar uma workshop de escultura ao ar livre. Vários artistas participaram no evento, entre os quais um jovem chileno de nome Mário Irarrázabal, que escolheu a praia para construir o seu trabalho, ao contrário dos seus pares que optaram por realizar os seus na cidade. O local inspirou o artista, que concebeu e ergueu em seis dias apenas uma escultura colossal que representa as pontas dos dedos de uma mão de alguém que se afoga. Irarrázabal utilizou o concreto como material base, reforçado com uma estrutura de varas e aço e rede metálica e coberto com um revestimento plástico à prova de corrosão.

A força expressiva da obra logo levou a que fosse baptizada de Monumento ao Afogado ou ainda La Mano, e a que ali permanecesse até aos dias de hoje, enquanto que as restantes esculturas caíram no esquecimento. Mas o seu impacto não ficou por aqui. O escultor replicou a mão noutros locais do mundo, como Madrid e Veneza. Em 1992 realizou uma nova réplica na sua terra natal, o Chile. É essa mão colossal que podemos ver no deserto de Atacama e que a paisagem árida torna ainda mais perturbadora.


Joana Tavares

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