Paulo Pontes

Paulo Pontes é jornalista e já teve seus textos publicados na revista Roadie Crew e nos sites Obvious e ScreamYell. Atualmente trabalha em dois livros: um livro-reportagem provisoriamente intitulado “A Arte de Narrar Vidas", com perfis de grandes biógrafos brasileiros; outro contando as histórias dos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin).

Entrevista com Ivan Busic, baterista do Dr. Sin

Entre os dias 15 a 17 de agosto, aconteceu no Sesc Campinas o MPB – Metal Pesado Brasileiro, um evento realizado para mostrar a força do Rock/Metal nacional. Contando com grandes nomes do cenário,como, King of Bones, Andre Matos, Claustrofobia, Korzus e Dr. Sin, coube a esta última a tarefa de encerrar o festival. A banda é formada por Andria Busic (Baixo e Vocal), Ivaan Busic (Bateria) e Eduardo Ardanuy (guitarra).


Após o excelente show, a banda permaneceu no local para atender os fãs, que formaram uma grande fila e puderam tirar fotos e receber autógrafos dos ídolos. Logo depois, de forma extremamente solicita, o carismático e simpático baterista Ivan Busic me recebeu para uma entrevista, que você confere logo abaixo.

ivan.jpg Fotógrafa: Ana Catarina

Paulo Pontes: Ivan, na sua opinião, qual é a importância de um evento como o MPB – Metal Pesado Brasileiro, que está acontecendo aqui no Sesc?

Ivan Busic: Eu acho maravilhoso, porque fortalece sempre o Rock. O rock é feito de boas jogadas eu acho que a pessoa que teve essa ideia, de colocar o rock em alta, é louvável. Geralmente você vê as pessoas investindo apenas naquilo que está muito forte na mídia e que geralmente é ruim, não quero dizer que o rock é superior a nada, ou que eu tenha preconceito a nada, mas por que não valorizar o Rock n’ Roll? Senão fica sempre a mesma coisa, apesar de que Sesc tem muita cultura e muita coisa envolvida, tributos, chorinho, jazz e etc., então para o Sesc eu tiro meu chapéu, eu sempre cito o Sesc como algo exemplar.

PP: Por conta das redes sociais existe uma certa “aproximação” das bandas com os fãs e vice-versa, como você vê esta relação na internet?

IB: Então, em uma época onde as gravadoras não têm a força que tinham antigamente, é muito boa esta interatividade com os fãs, é claro que a gente não consegue falar com todo mundo e responder, as vezes abrimos o Facebook pessoal e abre 80 “janelinhas”, mas você não consegue responder todo mundo, dependendo se você viu a pergunta lá você responde. No caso, o Andria e o Edu nem entram na internet praticamente nunca, mas eu gosto, acho legal pra caramba, fico fuçando, gosto de ver as piadas, dando risada no Facebook, YouTube, acho muito legal. E é bom também, reflete muito as coisas da banda, do nosso trabalho, é como um espelho e é um termômetro.

PP: O Dr. Sin está gravando o novo álbum, em que fase do processo a banda se encontra?

IB: A gente tinha feito praticamente todas as bases, vamos supor que tivéssemos 35%, mudamos nosso estúdio do centro (de São Paulo) pra Moema, nesse processo parou e agora voltou com tudo, estamos gravando de novo.

PP: Tem uma data de lançamento, você pode adiantar alguma coisa?

IB: Cara, a gente tá louco para que o disco esteja pronto em setembro, tudo gravado e mixado.

PP: Todas as músicas foram compostas após o álbum “Animal”, ou tem algum som que não entrou no disco e estará no próximo trabalho?

IB: Foram todas compostas após o “Animal”.

PP: Existe uma cobrança pessoal ou da banda, não digo pressão, pois pressão dá uma conotação de obrigação, que não é o caso, mas a banda se cobra para desenvolver um trabalho sempre melhor, ou isso acontece de forma natural?

IB: Eu acho que a gente é muito chato sim, mas é com a gente mesmo. Mas é engraçado que por exemplo, a gente escuta uma música nova, ela é dez mil vezes mais simples que uma de um disco anterior, só que as vezes você imagina que este é o caminho para esse momento e isso está sendo exatamente o que gostaríamos que ouvissem da gente. Mas então, não fica uma cobrança em termos de notas, virtuosismo. E a gente tem essa mania de curtir sempre o trabalho atual, acho que toda banda tem, ou então no meio do processo você descobre uma música, que você vai gostar mais dela durante o processo do que você gostava no início, isso acontece e é muito legal, mas a gente é muito chato e se cobra muito para tentar sempre fazer um cd com uma qualidade.

Como a gente gravava os 4 primeiros, 5 discos fora, tentávamos buscar sempre uma qualidade próxima dos nossos ídolos, pra poder oferecer isso pra galera e também ficar feliz quando escutassem nosso som, então mantivemos essa “chatice”.

PP: Você falou em ídolos, em 2010 perdemos o Dio, vocês até fizeram uma homenagem a ele com a faixa “The King”. Você acha que o cenário atual é esperançoso para que esse legado do Rock/Metal se mantenha vivo, para que continue? Você acha que as bandas novas têm capacidade, eu digo, um dia nossos ídolos se vão, e ai?

IB: Os maiores do mundo realmente estão numa idade perigosa, porque já tem uma idade e fizeram história no passado, mas tem muita coisa que eu considero que vem ai, por exemplo, você pega hoje em dia um cara que assim, não é jovem mas tava na onda, o Myles Kennedy que tá tocando com o Slash, os trabalhos que o Zakk Wylde tem feito, o Black Stone Cherry, tem bandas muito legais segurando a peteca eu acho. Mas nada como um clássico, a gente fica sempre torcendo para os caras durarem mais do que podem.

Dr. Sin tocando a música "The King" no Estúdio Showlivre, uma homenagem feita pela banda a Ronnie James Dio, falecido em 16 de maio de 2010.

PP: Você lançou o excelente “Rock and Road”, seu primeiro disco-solo, como surgiu a ideia de fazer o álbum?

IB: Eu comecei a mostrar algumas músicas aleatoriamente para o meu irmão, na época do nosso outro estúdio, ai ele falou, “Pô, essas músicas tão muito legais, vamos gravar…vai ser seu disco solo” e botou essa coisa na minha cabeça, eu falei “Vamos, beleza”, porque eu comecei como vocalista lá em 80, por volta dos anos 80, eu era meio criancinha e comecei como vocalista, foi uma volta, um retorno ao vocal, bem legal.

Não fizemos muita coisa, acho que fizemos 3 ou 4 shows com o projeto, mas tá tocando bastante nas rádios, principalmente na Kiss Fm, com uma resposta muito boa da galera, e eu estou bem animado, a resposta do cd e da galera tá sendo muito boa.

Clipe da música "You Rule My World", presente no disco "Rock and Road"

PP: A música “Cry For Love” entrou na trilha sonora da novela Vitória (Record), como aconteceu este lance com a novela?

IB: Cara, foi um convite mesmo da galera que escolhe as músicas, recebi o convite e fiquei feliz, porque é sinal que a melodia é boa e tocante.

PP: Você tem material para mais um disco solo, ou nem pensa nesta possibilidade?

IB: Tenho, tenho. Umas “coisinhas” guardadas mais no meu estilo.

PP: O que você tem ouvido? Alguma coisa nova que tem chamado sua atenção?

IB: Eu ouvi o último disco do Soundgarden e gostei bastante…não consigo me lembrar de mais nada agora.

PP: E os clássicos?

IB: Ah, eu sempre estou com Rush no ouvido, Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath.

PP: Alguma coisa fora Rock e Metal?

IB: Sim, escuto bastante Country Music também, um Country mais tradicional, estilo Jerry Reed, Jerry Jeff, coisas assim que o pessoal nem conhece, mas que vale a pena depois quem puder ler a entrevista pesquisar, são grandes músicos de country. E escuto também bastante Jazz, por causa de parte da minha formação, gosto de ouvir trabalhos do Gene Krupa e do Buddy Rich.

PP: Aproveito para pedir que cite três bateristas que te influenciaram durante sua carreira.

IB: John Bonham, Ian Paice e Neil Peart.

PP: E três vocalistas?

IB: David Coverdale, Robert Plant e Freddie Mercury. Não são pessoas que eu acho que eu tenha estilo parecido, mas são pessoas que me inspiram e que me dão vontade de cantar quando eu escuto.

PP: Subir aos palcos nos dias de hoje, a sensação, a motivação, é a mesma que se tinha no início da carreira?

IB: Acho que é, acho que é. É engraçado, a única coisa melhor que você tem quando começa a carreira, é que em nenhum momento, em nenhum momento você pensa em outra coisa que não seja diversão, até porque você é meio “cianção” e então não tem as contas pra pagar e aquelas coisas, é mais legal eu acho. Você fica mais velho, burocracia pra todo lado e tal, então nossa válvula de escape é o ensaio, a gravação, o show, é quando a gente vira criança de novo, e isso é legal.

PP: Ivan, muito obrigado. Deixo o espaço para suas considerações finais.

IB: Eu agradeço a vocês pela força e a gente vai continuar fazendo o que sempre fizemos, a gente faz com um puta de um carinho o nosso som e a banda é assim, batalhadora pra caramba o Dr. Sin, acho que quem conhece sabe que é uma guerra e nós somos guerreiros pra caramba no Rock n’ Roll por amor mesmo, principalmente a essa coisa desse amor que a gente pegou escutando esses ídolos que eu falei pra você, sabe. Quando assistíamos ao “The Song Remains the Same” e falávamos, “Meu, como será que é tá num palco e fazer algo nesse estilo?”, e hoje a gente sabe que é uma emoção gigantesca, é um negócio indescritível, a mesma (emoção) que você sente assistindo seus ídolos é a mesma quando você tá tocando e vê a resposta da galera, é uma puta emoção, isso é impagável.


Paulo Pontes

Paulo Pontes é jornalista e já teve seus textos publicados na revista Roadie Crew e nos sites Obvious e ScreamYell. Atualmente trabalha em dois livros: um livro-reportagem provisoriamente intitulado “A Arte de Narrar Vidas", com perfis de grandes biógrafos brasileiros; outro contando as histórias dos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin)..
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