Paulo Pontes

Paulo Pontes é jornalista e já teve seus textos publicados na revista Roadie Crew e nos sites Obvious e ScreamYell. Atualmente trabalha em dois livros: um livro-reportagem provisoriamente intitulado “A Arte de Narrar Vidas", com perfis de grandes biógrafos brasileiros; outro contando as histórias dos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin).

Far From Alaska: o novo orgulho do rock nacional

Pouco mais de 4 anos de existência. Um disco elogiadíssimo e videos extremamente bem produzidos. Um som difícil de ser rotulado, ainda assim visceral, de qualidade, criativo, empolgante. E como se tudo isso não bastasse, premiada recentemente como "We are the future" (artista revelação), na primeira edição do International Midem Awards, realizado durante uma das maiores feiras ligadas à industria musical do mundo, a Midem, em Cannes (França).
Essa é a Far From Alaska, banda formada em Natal/RN, por Emmily Barreto (vocal), Cris Botarelli (synth, lap steel e voz), Edu Filgueira (baixo), Rafael Brasil (guitarra) e Lauro Kirsch (bateria).


Far From Alaska 1.jpg Far From Alaska. Foto - Divulgação

É claro que a Midem foi abordada nesta entrevista com o baixista Edu Filgueira, mas também falamos um pouco sobre o novo disco, a cena do Rock em Natal e São Paulo, entre outros assuntos. Confira!

Paulo Pontes: Bom, vamos começar falando do International Midem Awards. Como rolou esse lance da participação da banda em um evento tão importante para a música mundial, e ainda receber o prêmio “We are the Future”?

Edu Filgueira: Fomos inscritos no projeto MIDEM Artist Accelerator, juntamente com mais de 5 mil artistas ao redor do mundo, e fomos contemplados, ficando entre os 12 finalistas para se apresentar em Cannes. O resultado não poderia ter sido melhor, por votação popular ficamos em primeiro lugar. Tocamos na noite de abertura do festival e, de quebra, ganhamos o prêmio pela escolha do júri. Até agora está difícil de processar (risos).

PP:Vocês chegaram a conhecer o som dos outros participantes no prêmio? Algum destaque em especial?

EF: Sim, escutamos todos! Muita atenção a banda Al Bairre, da África do Sul. Pessoal gente boa e ótimos artistas também!

PP: A banda já sentiu os efeitos positivos dessa participação? Já rolou convites para tour, shows, participações, enfim?

EF: Estamos colhendo os frutos agora. Fizemos muitos contatos e agora temos de fazer o acompanhamento, marcar reuniões e dar andamento ao que foi plantado lá.

PP: O som do Far From Alaska possui um amálgama de influências, climas e sonoridades. Como funciona em estúdio, durante o processo de criação? Cada um carrega uma característica sonora específica para dentro da banda, ou todos possuem os mesmos gostos e abertura para novos elementos harmônicos e melódicos?

EF: Sem querer, o processo de composição ficou meio caótico. Temos gostos bem diferentes uns dos outros. Então, isso fomenta um caos, às vezes orquestrado, mas na maioria das vezes desordenado. Não temos fórmula nenhuma e isso dá bastante trabalho (risos).

PP: Quanto ao próximo álbum, vocês já podem adiantar algo? Podemos esperar um trabalho nos mesmos moldes de modeHuman?

EF: O próximo álbum... “rufem os tambores”... Não temos a menor ideia do que vai sair e isso está sendo propulsor das ideias. Não creio que vai sair parecido com o modeHuman, mas posso te falar que tem tudo pra ficar estranho - de forma positiva.

FarFromAlaska_JomarDantas_2014_alta.jpg Far From Alaska. Foto - Jomar Dantas

PP: Após um disco tão bem elogiado e presente em inúmeras listas de “Melhores do ano”, como foi o caso de modeHuman, existe uma certa “pressão” interna, ou pessoal para desenvolver um trabalho tão bom quanto este? Vocês têm essa preocupação? Creio que seja uma responsabilidade e tanto, ainda mais depois do prêmio angariado pela banda.

EF: Falando pessoalmente, no início do ano eu estava sentido essa pressão, mas hoje mudei um pouco o pensamento. Se você se força a fazer algo envolvendo arte, já pensando no resultado final e em como o público vai receber, as chances de decepção são maiores. No entanto, quando se faz algo pra agradar a si primeiro, tudo flui melhor.

PP: Qual tem sido a importância da internet e das plataformas de músicas por streaming para o trabalho do Far From Alaska?

EF: Em termos de divulgação a internet pode ser sua melhor aliada. No nosso caso não foi diferente, ficamos conhecidos primeiramente na internet para depois sairmos em tour. Acho que não tem como fugir desse mecanismo.

PP: Quais foram as principais diferenças que a banda identificou entre a cena do Rock em Natal e a de São Paulo?

EF: Acho que a proximidade entre os músicos. Lá em Natal, por ser bem menor também, toda a cena se conhecia e interagia com frequência, isso leva a uma mistura e incentiva novos projetos saírem do papel com outras ideais, foi o nosso caso. Em São Paulo, a coisa é muito maior, e, por conta disso, o distanciamento entre as pessoas é maior também.

PP: Quanto à parte lírica, onde e como encontram inspiração para as temáticas das músicas?

EF: Não somos muito poéticos e pensadores no que diz respeito às letras (risos). O fato é que contamos histórias que passam (ou não) conosco. Coisas simples, mas que significam pra nós e que, por mais incrível que pareça, tem gente que também lê e associa com sua própria história.

PP: O Far From Alaska já se apresentou em diversos festivais espalhados pelo Brasil, todos com bandas e fãs dos mais variados estilos. E vocês sempre foram muito bem recebidos, o que mostra o quanto a banda possui a capacidade de transitar entre diferentes públicos. No segundo semestre irão participar de mais um fest que prova isso, o Maximus Festival, nitidamente criado para os fãs da música mais pesada. Como avaliam e a que atribuem essa receptividade pelos mais diversificados fãs?

EF: Acho isso sensacional! Pelo fato de escutarmos coisas diferentes, acabamos por trazer nossas influências pra dentro da banda, então cada “tribo” escolhe o que lhe agrada nas músicas e respeita essas diferenças.

PP: No Maximus Festival, especificamente, alguma banda do lineup que os influenciaram de forma expressiva? Quais dos nomes presentes no Festival mais os agradam?

EF: Nossa, respondendo de minha parte: Rammstein e o Disturbed. Me influenciaram muito!

PP: Agradeço a entrevista e deixo o espaço aberto para suas considerações finais.

EF: Poxa, obrigado pela atenção! Pra quem quiser saber mais sobre nós, acesse nosso site. Far From Alaska (1).jpg Far From Alaska. Foto - Divulgação


Paulo Pontes

Paulo Pontes é jornalista e já teve seus textos publicados na revista Roadie Crew e nos sites Obvious e ScreamYell. Atualmente trabalha em dois livros: um livro-reportagem provisoriamente intitulado “A Arte de Narrar Vidas", com perfis de grandes biógrafos brasileiros; outro contando as histórias dos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin)..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/musica// @obvious, @obvioushp //Paulo Pontes