Paulo Pontes

Paulo Pontes é jornalista e já teve seus textos publicados na revista Roadie Crew e nos sites Obvious e ScreamYell. Atualmente trabalha em dois livros: um livro-reportagem provisoriamente intitulado “A Arte de Narrar Vidas", com perfis de grandes biógrafos brasileiros; outro contando as histórias dos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin).

Heavy Metal, cocaína, ascensão, declínio e reabilitação: a história do Black Sabbath contada por Mick Wall

Poucas foram as bandas que conquistaram o mundo. Menor ainda é a quantidade delas que podem ser consideradas como precursoras de um estilo musical. O Black Sabbath está nesta seleta lista. A banda é designada como “criadora do Heavy Metal” e, quer você queira ou não, esta é uma afirmação extremamente plausível.


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Porém, nem só de boas recordações e momentos positivamente importantes vive uma banda desse calibre. Neste caso em específico, isso pode ser confirmado no excelente livro “Black Sabbath – A Biografia” (”Black Sabbath: Symptom of The Universe”, 2013, no original), escrito pelo renomado jornalista britânico Mick Wall (que tem no currículo outras biografias: “Led Zeppelin: Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra”, “Metallica – A Biografia” e “AC/DC – A Biografia”) e lançado no Brasil pela Globo Livros.

Mick, que durante anos foi assessor de imprensa do Black Sabbath, traz em seu livro relatos impressionantes e muitas vezes deprimentes de como são as coisas fora dos palcos, àquelas que poucos têm acesso e acabam até mesmo surpreendendo os fãs mais devotos. O leitor leva um choque ao descobrir como foram os bastidores do Sabbath.

É difícil entender como uma das figuras mais importantes da história do Rock, o vocalista Ozzy Osbourne, era tratado como um palhaço, uma marionete. Também sofrível era a situação do baterista Bill Ward, tido como um verdadeiro idiota pelos seus companheiros, principalmente pelo guitarrista Tony Iommi, que muitas vezes o humilhava. Os relatos das “brincadeiras” que Iommi fazia com Bill são tão deprimentes e insanos que nos fazem pensar: “Nossa, são esses os caras que mudaram a história da música pesada?”. A resposta é: sim, são eles mesmos.

Além de mostrar a ascensão da banda, que se tornou referencia mundial até os dias atuais, Mick Wall transmite de forma clara como os quatro integrantes da formação clássica – Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward – não tinham a menor responsabilidade e preocupação com os negócios, fator que é exemplificado na maneira com que a banda perdeu todos os direitos sobre suas criações em determinado momento da história.

Toda essa falta de responsabilidade e comprometimento com os negócios pode ser facilmente associada a um fator crucial: drogas, mais especificamente a cocaína. E muita, mas muita cocaína. Ela foi um dos pontos-chave para o declínio que a banda sofreu durante os anos, e que culminou com a demissão de Ozzy após o oitavo álbum, “Never Say Die!”, de 1978. Segundo os relatos do biógrafo, a quantidade de drogas utilizada em toda a trajetória do Sabbath é descomunal, quilos e mais quilos de cocaína.

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Os outros integrantes que passaram pelo grupo também estão presentes no livro, principalmente o vocalista Ronnie James Dio, responsável por colocar novamente o Black Sabbath no topo das paradas com “Heaven and Hell”, de 1980. Ele deixaria a banda em 1982 (após um outro grande álbum, “Mob Rules”, e um ao vivo essencial, “Live Evil”), e retornaria para uma segunda passagem em 1992, no disco “Dehumanizer”. Sua história é contada até o momento de sua morte, em 16 de maio de 2010.

Uma personagem que merece toda a atenção na história do Black Sabbath é Sharon Osbourne, esposa e empresária de Ozzy. A forma como ela guiou a carreira solo do marido após sua saída do Sabbath, e a maneira com que obteve os direitos pelo nome da banda – de forma inacreditável, diga-se de passagem -, mostra toda sua habilidade e domínio com o show business.

Também merece citação a importância que Mick Wall confere a Randy Rhoads, primeiro guitarrista da banda solo de Ozzy, figura importantíssima para o sucesso do, então, ex-vocalista do Sabbath. Randy foi descoberto por Ozzy em uma audição para sua nova banda, e gravou com o vocalista seus dois primeiros álbuns, “Blizzard of Ozz” (1980) e “Diary of A Madman” (1981), sendo eternizado em “Tribute”, ao vivo gravado em 1981 e lançado postumamente em 1987 (Randy Rhoads morreu num acidente de avião em 1982, aos 25 anos).

Recheada de histórias gloriosas, hilariantes, deprimentes, inacreditáveis, além de níveis estratosféricos de cocaína e muito Heavy Metal, “Black Sabbath – A Biografia” é leitura obrigatória não só para os fãs dos “pais do Rock pesado”, mas também para amantes de música em geral. Um livro sensacional.

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Paulo Pontes

Paulo Pontes é jornalista e já teve seus textos publicados na revista Roadie Crew e nos sites Obvious e ScreamYell. Atualmente trabalha em dois livros: um livro-reportagem provisoriamente intitulado “A Arte de Narrar Vidas", com perfis de grandes biógrafos brasileiros; outro contando as histórias dos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin)..
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