Paulo Pontes

Paulo Pontes é jornalista e já teve seus textos publicados na revista Roadie Crew e nos sites Roadie Metal e ScreamYell. É autor do livro-reportagem “A Arte de Narrar Vidas - Histórias além dos biografados", com perfis de grandes biógrafos brasileiros. Atualmente trabalha na biografia dos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin).

3 lições presentes no livro “Nosso Lugar”, de Tabata Amaral

Quero compartilhar com vocês 3 lições valiosas presentes em “Nosso Lugar — o caminho que me levou à luta por mais mulheres na política”, da Tabata Amaral, que podem te auxiliar a repensar escolhas, relacionamentos e a luta pela igualdade. Ah, a discussão aqui é sobre pontos que considero relevantes do livro. Não estou discutindo a atuação política da deputada Tabata Amaral, ok? Dito isso, vamos lá!


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Você sabia que, seguindo o ritmo atual, só alcançaremos a igualdade de gênero na representação política, em âmbito mundial, daqui a quase 100 anos? A cientista política, astrofísica e deputada federal Tabata Amaral é uma das muitas pessoas que, com razão, querem acelerar esse tempo. No caso da parlamentar, esse desejo vem — entre outras frentes — em formato de livro.

“Nosso Lugar — o caminho que me levou à luta por mais mulheres na política”, lançado este ano pela Companhia das Letras, resgata um pouco da trajetória de Tabata, desde sua infância até ela se tornar uma das deputadas mais votadas nas eleições de 2018. Trata-se de uma obra necessária não apenas para as mulheres que nutrem aspirações políticas, mas também para que todos — homens e mulheres — entendam o quão importante e benéfica é a maior representatividade feminina nesse meio.

Podemos considerar Tabata Amaral como um fenômeno político, pois, em 2018, ela se elegeu deputada federal como a segunda mulher mais votada no país. Um feito notável. Sua trajetória até chegar à Câmara dos Deputados reserva ao leitor bons aprendizados. Quero compartilhar com vocês 3 lições valiosas presentes em “Nosso Lugar”, que podem te auxiliar a repensar escolhas, relacionamentos e a luta pela igualdade.

Ah, a discussão aqui é sobre pontos que considero relevantes do livro “Nosso Lugar”. Não estou discutindo a atuação política da deputada Tabata Amaral, ok? Dito isso, vamos lá!

Lição 1 — Nossas escolhas podem impactar outras vidas

Tabata compartilha conosco a análise de “que a sociedade, em um país desigual como o nosso, quando não tira a vida, vai tirando de alguns de nós a capacidade de sonhar”. Difícil não concordar com essa afirmação. Foi com base nessa premissa — e com outros objetivos pessoais, claro — que ela, ao decidir estudar em Harvard, estabeleceu como meta e motivação a busca por caminhos que pudessem ajudar outras pessoas a terem as mesmas oportunidades que ela teve.

Essa foi sua forma de vislumbrar um futuro em que seus pares pudessem “reconquistar o seu direito de sonhar”. E, realmente, nossas escolhas, nosso trabalho e até mesmo nossas lutas e conquistas podem impactar outras vidas e trazer esperança para quem, às vezes, já perdeu o foco, não é mesmo?

Lição 2 — Diálogos e visões distintas são extremamente importantes

Aqui temos uma lição que, com certeza, tem sido de grande valia para Tabata em sua atuação como deputada federal, na qual precisa compartilhar projetos e soluções com pessoas que pensam de maneira diferente e têm uma visão de mundo contrária à dela, mas que acaba servindo para qualquer outra atividade profissional, pois é um aprendizado que envolve relacionamentos.

“Ao longo da minha vida, o fato de ter que transitar entre mundos completamente diferentes fez com que eu aprendesse não só a conviver, mas também dialogar e instruir-me com pessoas que tinham visões de mundo muito distintas da minha.” — Tabata Amaral.

E esse é um aprendizado extremamente importante para que projetos, trabalhos e ideias se concretizem. Saber se relacionar — e até mesmo aprender — com pessoas que pensam de maneira absolutamente oposta à sua forma de pensar, que têm opiniões que divergem das suas, é benéfico para o todo. Dentro do ambiente de trabalho, por exemplo, essa troca pode tornar as equipes mais eficientes.

Já, no âmbito nacional, como Tabata coloca, “muitas pessoas precisarão se unir para que o nosso sonho de um Brasil onde todos tenham as mesmas oportunidades possa ser concretizado”.

E é mais ou menos por aí que chegamos — principalmente os homens — à terceira lição.

Lição 3 — Os homens também devem lutar por mais mulheres na política

Sabe por quê? Com a contribuição de todos, inclusive dos homens, aquele prazo de quase 100 anos para alcançarmos a igualdade de gênero na representação política, que coloquei no início deste artigo, pode ser bem menor. Podemos colaborar para que não seja preciso esperar por gerações até que as mulheres, de fato, tenham suas vozes presentes na política. E isso vale para mais igualdade no mercado de trabalho também.

“Além disso, os meus estudos começaram a me mostrar que, se as mulheres estivessem realmente representadas na política, o mundo seria um lugar muito melhor. E ele seria melhor para todos, não apenas para as mulheres — por isso que essa batalha deve ser dos homens também.” — Tabata Amaral.

E é bem por aí mesmo. Só para citar dois exemplos, pesquisas apontam que uma maior representatividade das mulheres na política, além de abrir espaço para pautas ligadas aos direitos das mulheres, entre elas, o fim da violência de gênero e igualdade salarial, também colabora para uma maior saúde da população.

Principalmente em ano de eleições, “Nosso Lugar” se mostra um bom aliado da sensatez e da democracia, através de uma narrativa fluida, em tom autobiográfico, e com uma linguagem acessível.


Paulo Pontes

Paulo Pontes é jornalista e já teve seus textos publicados na revista Roadie Crew e nos sites Roadie Metal e ScreamYell. É autor do livro-reportagem “A Arte de Narrar Vidas - Histórias além dos biografados", com perfis de grandes biógrafos brasileiros. Atualmente trabalha na biografia dos irmãos Andria e Ivan Busic (Dr. Sin)..
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