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Onde o cool e o cult se encontram

Rodrigo Ferreira

Rodrigo Ferreira é um pesquisador apaixonado por cinema, música e literatura. Ocasionalmente, escreve contos e artigos científicos. Sonha em publicar um livro um dia

De onde vem a criatividade?

Elizabeth Gilbert, autora de Comer, Rezar, Amar, faz uma análise de como a sociedade moderna enxerga a criatividade. A opinião dela sobre o assunto vai fazer você refletir.


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Já faz alguns anos desde que assisti pela primeira vez a essa apresentação da escritora Elizabeth Gilbert para o TED Talks. Elizabeth Gilbert, para quem não se lembra, é a autora do best-seller Comer, Rezar, Amar (Objetiva, 2008), que vendeu mais de 8 milhões de cópias ao redor do mundo. Nessa apresentação, a autora faz uma análise de como a sociedade moderna enxerga a criatividade.

Elizabeth chegou a esse questionamento justamente por conta do grande sucesso de seu livro. Todos vinham perguntar como ela se sentia, sabendo que dificilmente conseguiria escrever um livro com semelhante sucesso. Achavam que isso talvez poderia produzir tanto medo e ansiedade sobre os próximos trabalhos que ela não conseguiria lidar com a pressão.

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A escritora, após refletir sobre o assunto, chegou à conclusão de que isso poderia acontecer se ela adotasse o modelo criado pela sociedade moderna, onde o autor, ou qualquer profissional criativo, é o único responsável pelo sucesso (ou fracasso) de seu trabalho. Modelo esse que defende que toda a criatividade, toda a inspiração vem do homem, sendo ele a sua única fonte. "Com a Renascência, nós tivemos essa grande ideia, e a grande ideia era: vamos colocar o homem no centro do universo".

Elizabeth cita as antigas civilizações romana e grega para mostrar que nem sempre foi assim. Nessas sociedades, se entendia que a inspiração era divina, que a fagulha de criatividade era externa ao homem, sendo ele apenas um vaso, ainda que usassem diferentes nomes como gênio ou Deus para designar essa influência. De acordo com essas culturas, esse "gênio" se aproximava e ajudava o artista em sua obra. "De fato”, ela diz, “pela primeira vez na história, nós ouvimos as pessoas se referindo a esse ou aquele artista como sendo um gênio e não tendo um gênio." A autora acredita que isso é um grande erro.

Para ela, o modelo atual é tão nocivo ao ego humano que o compara a "engolir o sol". Não é à toa que atualmente ouvimos tantos nomes para definir celebridades como gênio, estrela, astro e por aí vai. Talvez alguns egos possam dar conta de tanta adoração quando tudo vai bem, mas quando o fracasso chega a história é diferente, e muitos acabam com as próprias vidas. Elizabeth acredita que as crenças antigas são mais equilibradas. Quando se tem sucesso, não se tem todo o crédito, mas também não se amarga todo o fracasso sozinho. Não importa se chamam de gênio ou fagulha divina, o homem não é sozinho a fonte da criatividade. Como o nome já diz, a inspiração vem de fora, e quem sabe não encontre no futuro vasos mais humildes?


Rodrigo Ferreira

Rodrigo Ferreira é um pesquisador apaixonado por cinema, música e literatura. Ocasionalmente, escreve contos e artigos científicos. Sonha em publicar um livro um dia.
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