Talles de Lima

Publicitário, estudante de sociologia, paulistano do grajaú, ouvindo Belchior, olhando o trânsito e parando pra conversar.

Vilarejo

São duas horas da tarde e não há um cheiro, uma sombra, uma nuvem, simplesmente nada.


1063597_49304557.jpgOlhando a foto em que meu pai posava para a câmera de minha irmã, entrando na porta da casa onde nasceu... eu chorei.

Casa de barro seco, sem luz, globo ou qualquer coisa dessas modernas.

Minha linhagem é de homens fortes que sobrevivem desde o sertão até São Paulo. Como pode? Sem nunca ter andado por tais bandas minha alma cheira à terra seca, a barro e à água gelada, é como seu eu já tivesse corrido por ali.

O carvão queimado no canto, o chão rachado... A mulher na porta quebrando pedras provavelmente seria minha mãe ou irmã, são duas horas da tarde e não há um cheiro, uma sombra, uma nuvem, simplesmente nada.

Nada ficou pra trás, nem as cercas que pararam de “arrodear” o gado magro e passaram a aprisionar as saudades de um alguém comum que, como tantos outros, um dia volta pro seu lugar, pra sua terra, pra lembrar daquilo que nem por homem nem por Deus se pode ou se deve esquecer...


Talles de Lima

Publicitário, estudante de sociologia, paulistano do grajaú, ouvindo Belchior, olhando o trânsito e parando pra conversar..
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