Talles de Lima

Publicitário, estudante de sociologia, paulistano do grajaú, ouvindo Belchior, olhando o trânsito e parando pra conversar.

Joe Cocker, Beatles e meus Anos Incríveis

Anos Incríveis. Uma série de TV que apresentou ao mundo as angústias e delícias da adolescência, traduzindo com beleza e profundidade uma geração marcada pela guerra, pelo sonho do American Way of Life e pelo Rock and Roll.


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Ainda nos anos 80, a mais contestadora das gerações foi traduzida, por incrível que pareça, na simples abertura de uma série de televisão. E eu nunca mais fui o mesmo.

Falo isso porque graças aos 60 segundos da abertura de The Wonder Years, na TV Cultura, pude ouvir Joe Cocker pela primeira vez em minha vida, com sua voz rouca e alucinada cantando With a Little Help From My Friends.

Música dos Beatles originalmente gravada com Ringo Starr nos vocais, mas transformada em hino a partir da versão de Joe, eternizada no Woodstock de 1969. A partir de então, meu universo de escola, cinema, clube e televisão foi invadido pela intensidade, pelo desespero do Mr. Cocker e pela desconfiança de que a vida reservava espaço para momentos de angústia, guitarras e gritos desafinados.

Até porque, se a abertura de Anos Incríveis já despertava sentimentos tão fortes, o conteúdo de cada episódio era ainda mais, com o perdão do redundante trocadilho, incrível. Capaz de superar as exigentes expectativas de um menino de 12 anos prestes a descobrir o Rock and Roll.

Lembro de como rapidamente Kevin Arnold, Winnie e Paul tornaram-­se familiares a mim, parecendo meus verdadeiros amigos, com vozes e comportamentos estranhos, compartilhando das mesmas angústias frente aos problemas ligados à escola, à chatice dos irmãos mais velhos e aos romances (se é que dá pra chamar de romances) infantis.

Hoje, quando penso nessa série que considero a melhor que vi e vivi, fico surpreendido pela profundidade com que os temas eram abordados, pela forma que os idealizadores Carol Black e Neal Marlens encontraram para apresentar a história de um adolescente tendo como pano de fundo o sonho americano durante a guerra do Vietnã.

Além da melancolia impregnada na narração de um adulto que, como todo adulto, ao olhar pra trás percebeu como aqueles foram de fato anos incríveis, feitos de natais em família, meninas de franja e músicas para dançar.

Como dito na última frase do último episódio da série:  "Crescer é algo muito rápido. Um dia você usa fraldas e no outro você vai embora. Mas as memórias da infância permanecem com você. Lembro-­me de um lugar, uma cidade, uma casa como várias outras casas, um quintal como vários outros quintais, em uma rua como várias outras ruas. E o fato é que, após todos estes anos, eu ainda olho para trás e penso: "foram anos incríveis".

Obrigado Joe Cocker, obrigado Ringo e obrigado Kevin Arnold... a vida segue with a little help from my friends!


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Publicitário, estudante de sociologia, paulistano do grajaú, ouvindo Belchior, olhando o trânsito e parando pra conversar..
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