Talles de Lima

Publicitário, estudante de sociologia, paulistano do grajaú, ouvindo Belchior, olhando o trânsito e parando pra conversar.

Buganvílias no interior

Manhã de inverno em Paris


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Domingo. Ainda é fevereiro. O frio da manhã inabitual mesmo para essa época do ano. Desperto, sem saber bem o porquê, levanto. Passo o café. Ajeito o cabelo. Saio. Tudo é silêncio na rua de casa coberta pelo sal.

No parque, pouco a pouco, os velhos enxadristas em suas cadeiras de roda começam a chegar:

- Bonjour

- Bonjour

Sentado em um banco, noto que as poucas lâmpadas da barraca que vende café e sonhos permanecem acesas, me lembrando que, às vezes, as coisas teimam em não clarear. São 8h15.

Do lado de fora, a florista desajeitada começa a pregar uma faixa que desafia o inverno em letras garrafais: "Buganvílias no interior".

Nessa hora, lembro de um grande amigo dizendo que a sabedoria tem um jeito besta de ser. Tem mesmo!

Em uma manhã fria e qualquer, me descubro solidário com o desespero da florista ao tentar convencer o mundo e a vizinhança do óbvio: mesmo quando a seca e a esterilidade são evidentes, coisas bonitas e coloridas florescem, resistem, no lado de dentro.

Moça, te juro, seu eu pudesse, faria uma faixa dessas pra mim e andava com ela por ai pra cima e pra baixo.

Desesperados somos todos.

Assim como as buganvílias, também não aprendi a gostar do frio, mas resisto!


Talles de Lima

Publicitário, estudante de sociologia, paulistano do grajaú, ouvindo Belchior, olhando o trânsito e parando pra conversar..
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