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Escrever é perigoso.

Érika Bazilio

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Família para quem?

Um estatuto em votação na Câmara dos Deputados está prestes a retirar o direito à adoção de milhares de crianças. Simplesmente porque um político quer definir o que é família ou não.


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Está em votação no site da Câmara dos Deputados a seguinte enquete:

“Você concorda com a definição de família como núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, prevista no projeto que cria o Estatuto da Família?”.

A enquete quer avaliar se os brasileiros são a favor ou contra ao Projeto de Lei 6583/13, do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que cria o Estatuto da Família. O desarquivamento do projeto foi uma das primeiras ações do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao assumir a presidência da Câmara Federal. Ele não só desarquivou, como também criou uma comissão especial para acelerar seu processo de aprovação.

Aberta no dia 11 de fevereiro, a enquete bateu o recorde na história do Portal da Câmara dos Deputados acumulando até agora quase 5 milhões de votos e muita polêmica. Entre os pontos polêmicos está a proibição de casais gays adotarem filhos.

E enquanto o deputado proíbe a adoção de crianças, por outro lado libera benefícios como o pagamento de passagens aéreas para as mulheres dos parlamentares.

eduardo-cunha1.jpg Câmara vai bancar passagens para mulher de deputado

Em protesto contra o estatuto, pessoas se manifestaram nas redes sociais a favor das famílias que são uma realidade no país (e que sempre foram) publicando depoimentos e fotos com a hashtag #emdefesadetodasasfamílias. Entre essas famílias está a do jornalista Gilberto Scofield Jr., Rodrigo Barbosa e o menino PH, que foi rejeitado por três casais heterossexuais porque foi considerado feio ou negro demais. E a do casal Rogério Koscheck e Weykman Padinho que adotou quatro crianças, três delas com HIV. Veja a matéria aqui.

Scofield.jpg Gilberto Scofield Jr. e Rodrigo Barbosa com o filho PH

Caro deputado Eduardo Cunha, eu entendo que o senhor seja homofóbico, que não goste de ver dois homens ou duas mulheres se beijando, afinal vai lá saber o que passa pela sua cabeça, né? Consigo aceitar tudo isso, mas não dá para entender que o senhor ache melhor que crianças fiquem em um orfanato porque não podem ser criadas por homens ou mulheres que se amam e que as amem. Que nome devemos dar a isso? Egoísmo? Falta de humanidade? Hipocrisia?

Não vou entrar em religião, falar sobre livre-arbítrio ou sobre o que cada um de nós tem a ver com o que outro faz em sua vida privada. Este é um texto sobre humanidade no seu sentido mais estrito, que quer dizer simplesmente: “Sensibilidade para com o humano, piedade na relação com os semelhantes”.


Érika Bazilio

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