léribi

Um pouco de mim, um pouco de você e um pouco de nós

Danielle Means

É professora. Também escritora. Vive num filme do Woody Allen, mas jura que Almodóvar também tem autoria. Dos Beatles, apaixonou-se pelo McCartney. Dos loucos e poucos, tem no gosto

Cuidado com o que você deseja

A versão de “Into the woods” para o cinema tem gerado opiniões diferentes: amadas e odiadas, principalmente para os que gostam de assistir à musicais. Como verdadeira apaixonada por este musical, especificamente, fui conferir.


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I wish...

“Into the woods” é um musical da Broadway, que estreou em 1987. Fez muito sucesso, ganhou vários prêmios e também uma produção televisiva, que eu tive o prazer de assistir num dos canais avulsos da (falecida) Directv. Fiquei encantada ao ponto de gravar - naquelas antigas fitas VHS - e assistir diversas vezes depois. Agora, finalmente, temos a tão esperada versão para o cinema.

O musical entrelaça os vários contos de fadas dos Irmãos Grimm. Os protagonistas têm origem dos contos "Chapeuzinho Vermelho", "João e o Pé de Feijão", "Rapunzel" e "Cinderela". A história principal envolve um padeiro e a esposa que não podem ter filhos, sua relação com a bruxa que lançou uma maldição sobre eles, e sua interação com outros personagens durante sua jornada into the woods.

Cada personagem tem um desejo. Algo mais que tudo na vida.

I wish... More than anything... More than life... More than jewels...

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Optei por não ler críticos de cinema antes de assistir ao filme. Meus amigos, esmagadoramente, rejeitaram. Mas, se aquela simples produção televisiva me encantou tanto, então, qual a probabilidade de não me emocionar com o cinema? Com cenários lindíssimos, interpretações sempre encantadoras e talentosas como da Meryl Streep, Emily Blunt, James Corden, Christine Baranski (a eterna Diane Lockhart, The good wife) e Johnny Depp. Como não amar? Eu pre-ci-sa-va assistir.

into-the-woods-trailer.jpgHello, little girl…

Irresistível. Lindíssimo. E mágico. Porém, a versão cinematográfica ficou mais curta. Senti falta da expressão corporal, da entonação teatral, mas sabemos, certamente, que teatro e cinema têm linguagens diferentes. Cenários e figurinos estão impecáveis. E as canções são fiéis às versões originais, que me fizeram cantar junto do início ao fim.

(ATENÇÃO AOS POSSÍVEIS SPOILERS)

Após realizarem seus desejos-maiores-que-tudo-na-vida, não existe um final feliz. Todos enlouqueceram com tudo aquilo que julgavam que os tornariam infinitamente felizes. Desejos não se realizam de graça. Tudo o que mais queriam no mundo não os fizeram felizes para sempre, e as terríveis consequências vieram juntas com cada escolha. A realidade não é um conto de fadas, mesmo nos contos de fadas.

Antes que você se levante da cadeira do cinema, embora goste de musicais, mas não aguenta ouvir as exaustivas historinhas infantis, não desista. Não desista da riqueza visual, das interpretações impecáveis, e, sim, da história criativa e reflexiva que os contos se transformam. “O príncipe não é quem eu esperava”, diz Cinderela.

into-the-woods-movie-screenshot-chris-pine-prince-charming-7.jpgFui criado para ser encantador, não sincero.

Não é uma historinha infantil. É uma reflexão sobre amadurecimento, pais e filhos, aceitação de responsabilidade, moralidade, realização de desejos e as suas consequências. A bruxa, protagonista, contrariando expectativas, não é apenas uma velha, feia, mal amada e nem uma vilã. É a mais verdadeira e sensata de todas as personagens. "Eu não sou boa, eu não sou legal. Eu sou apenas justa".

Que fique registrado que assim como amamos mais os livros do que suas versões para o cinema, também prefiro a Broadway. Lamento a participação tão pequena - porém não menos sensacional - do Johnny Depp, e senti falta do final triunfante que sempre fecha um espetáculo e nós aplaudimos de pé.

Mas, não desista! Assista! Já está na minha lista de riquezas.


Danielle Means

É professora. Também escritora. Vive num filme do Woody Allen, mas jura que Almodóvar também tem autoria. Dos Beatles, apaixonou-se pelo McCartney. Dos loucos e poucos, tem no gosto.
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