léribi

Um pouco de mim, um pouco de você e um pouco de nós

Danielle Means

É professora. Também escritora. Vive num filme do Woody Allen, mas jura que Almodóvar também tem autoria. Dos Beatles, apaixonou-se pelo McCartney. Dos loucos e poucos, tem no gosto

Um pingo é letra?

Dizem que "para um bom entendedor, meia palavra basta", mas não há bons entendedores por aí.


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Na escola se aprende a interpretar textos e ler nas entrelinhas, para que quando você cresça, saiba que quando alguém chateado disser que você lhe deu um sorriso amarelo, você saiba que foi um sorriso sem graça, e não que seus dentes estão amarelados.

Uma parede verde vai ser sempre verde ou de uma forma poética pode trazer esperança ou lembrar os olhos, a roupa de alguém no contexto… Mas parede verde não vai ser rosa só porque você interpretou como rosa. Naquela casa só haverá um cachorro se ele aparecer na história ou se tiver indícios. Não há cachorro só porque é uma casa com quintal e você achou que poderia ter. Interpretação é matemática. Não é tão fácil quanto o resultado de 2+2, mas é tão certo quanto qualquer equação.

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Pessoas costumam justificar seus argumentos com sua interpretação pessoal. Esperado, claro. No entanto, lá na alfabetização, quando era preciso fazer exercícios de “Ligue”, você sabiamente ligava o osso ao cachorro, e o doce à criança. Então você cresce, se perde no caminho, e por uma série de razões, que não sei quais são, liga o osso à criança e diz que interpretação é algo pessoal. Tenta ligar o osso à criança numa entrevista de emprego, colega.

Tem gente que você não atende, não liga de volta, não responde e-mails, e ela não entende. Tem gente que começa a falar um assunto, e você muda. Ela tenta de novo, você muda. De novo, e de novo. Tem gente que liga, conta a vida, e você lá “então tá bom”, e ela continua. Tem gente que está na tua casa às tantas da noite, você bocejando, olhando o relógio, e ela continua.

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Não estamos falando dos problemas do mundo, crise econômica, aquecimento global, nada excepcional. Estamos falando do óbvio, do 8 ou 80, do preto e branco, da água e do vinho, de ligar o doce à criança. E isso também não é questão de cultura. É egocentrismo. É mente vazia, parada, e, em alguns casos, de inconveniência ou falta de educação (a que vem de casa) mesmo.

Você, que é mãe ou que convive com crianças, ajude. Quando seu filho for assistir a um filme, pergunte qual foi a história, ajude-o a lembrar a sequência. Peça-o para contar o seu dia, como foi o passeio, o que ele gostou ou não e o porquê. Nos dias de ganhar presente (aniversário, Natal, Dia das Crianças) ele vai querer aquele brinquedo que viu na tv, mas se você chegar em casa num dia qualquer, com um brinquedo educativo, ele vai achar sensacional. ESTIMULE interpretação!

Às vezes a gente vai entender errado, claro, até porque nem sempre a culpa é de quem deveria entender. Há aqueles que não sabem se comunicar adequadamente. Se já é tarde da noite, sua visita não foi embora e você está ótima, morrendo de rir, no maior papo, não espere que o outro adivinhe que você quer justamente o contrário. Aí a doida(o) é você.

Então, por favor, vamos facilitar a vida das pessoas. Analise os sinais e perceba que o sorriso amarelo que eu te dei não é culpa do meu dentista, ok?

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Danielle Means

É professora. Também escritora. Vive num filme do Woody Allen, mas jura que Almodóvar também tem autoria. Dos Beatles, apaixonou-se pelo McCartney. Dos loucos e poucos, tem no gosto.
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