les feuilles

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Felipe Lima

Muito prazer. Felipe. Nasci em Brasília, a cidade de concreto, feita para homens de concreto. Morei no Rio de Janeiro por dois anos, depois em Santiago por nove meses. Depois São Paulo, de volta Rio, agora por aí, em algum lugar. Tenho 27 anos, sou jornalista. Ou Observador Profissional, como prefiro. Já fui atendente de padaria, atendente de protocolo, auxiliar de escritório, tesoureiro assistente, repórter de cidades e cultura, auxiliar de serviços gerais em spa para homens (eufemismo), recepcionista em hostels e assessor de imprensa em escritório especializado em arquitetura, design e decoração; não exatamente nessa ordem. Cantante. Faço bicos de terapeuta. Danço de forma esquisita. Tenho fé. Apaixonado por arte e por contato humano. À parte tudo isso, e sobretudo, escrevo. Autor de Dentro da Pele, misto de ensaio e livro-reportagem sobre prostituição masculina em Brasília (sem edição) e As Nuvens Púrpuras, publicado na rede em limaofelipe.wordpress.com. Atualmente, dedico-me a escrever meu primeiro romance e dou andamento à performance #palavrassómudampessoas pelas ruas do país (se você esbarrou comigo por aí, faça-me saber usando a hashtag :D). Também me envolvo em projetos criativos em colaboração com outros artistas. Quer falar comigo? Escreva para [email protected]

Christina Aguilera, Lotus

Em Lotus, Christina Aguilera é a estrela do tamanho que sempre foi, mais segura e autoafirmativa que nunca - e também mais genérica


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A carreira da cantora norte-americana Christina Aguilera é curiosa sob diversos aspectos. Ela sempre pareceu subestimada pelo público, enquanto fazia escolhas menos óbvias que suas contemporâneas e atraía a atenção da mídia - quase sempre gerando alguma polêmica. Pessoas próximas, como a compositora Linda Perry, parecem concordar que existe um tipo de energia em torno dela, uma espécie de confusão com o tempo (aliada à personalidade de verdadeira Diva) que torna tudo mais difícil em sua vida e carreira, mas a cantora parece não dar a mínima. Garante que não lê o que publicam a seu respeito, e fica sabendo de boatos mais fortes pela publisher. Raramente se manifesta publicamente sobre eles.

Mas a verdade é que muito do circo em torno de seu nome acaba indo parar nas canções de seus álbuns. Depois de uma bem sucedida estreia homônima em 1999, com singles no número um da Billboard, lançou Stripped, Back to Basics e Bionic, três trabalhos acima da média entre as cantoras pop na grande indústria da música dos EUA, que lhe trouxeram prêmios mas nunca grande reconhecimento: não numa época em que temos estrelas pop mais plugadas como Katy Perry, Rihanna, Beyoncé, Gaga, Ke$ha e suas equipes de hitmakers repletos de refrões fáceis.

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Bionic foi o mais ousado de seus lançamentos, com canções produzidas por nomes da música alternativa e êxitos como Elastic Love, Monday Morning, Glam, My Girls, You Lost Me, Birds Of Pray, Bionic, Not Mylself Tonight - qualquer uma melhor do que quase tudo o que estava no topo das rádios pop durante todo 2010 (e agora). Mas o disco foi uma decepção comercial e inaugurou uma conturbada fase na vida de Christina, repleta de equívocos que serviram de munição para os detratores. Lançado em novembro de 2012, Lotus, o quinto álbum de estúdio da carreira, é uma resposta a quem pergunta quem é Christina hoje no mundo da música e onde ela estará no futuro. Tem um pouco de todos os outros, com resultados ambíguos, mas instigantes.

Em Lotus, faixas como Red Hot Kinda Love, Army Of Me, Make The World Move, Circles, Blank Page, Sing For Me, Just a Fool, Shut Up e Empty Words, vêm, por diferentes motivos, acrescentar faces a uma artista que já se orgulha de imprimir algumas características muito peculiares com seu repertório. Outras, mostram que a cantora nunca esteve tão parecida com as outras (cantando melhor - muito melhor, é verdade - melhor e também mais alto. Se você já não era apreciador dos registros mais altos de Aguilera, vai querer passar longe de Lotus, todo centrado em sua voz gigantesca). Há um pouco de Rihanna e Beyoncé em Cease Fire e Around The World, outra de Kelly Clarkson em Light Up The Sky, outra de Ke$ha e Katy Perry em Let There Be Love, todas poderosas canções pop, com uma carga genérica que só fez Xtina parecer tão pouco específica assim em seu álbum de estreia. A diferença é que, felizmente, a performance de Aguilera é mais rica e sofisticada que a das colegas.

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Talvez por isso, nenhuma outra referência em Lotus é maior do que ela mesma - e é aí que estão os instantes de maior brilho. Sing For Me, por exemplo, é talvez sua balada mais comovente, em termos vocais. Mas não só isso: a letra não poderia soar mais intrínseca à cantora. Nela, Xtina canta a plenos pulmões que, estejam à vontade, reclamem do quanto ela berra, ela não se importa. Quem acompanha sua carreira sabe que esse é um dos principais argumentos dos haters: se exceder nas notas altíssimas. Sing For Me mostra que o problema não é usar, mas onde usar. Enquanto Aguilera abusa de heys, yeahs e hus em outras canções (e soe um tanto exaustiva por isso), aqui ela só precisa cantar o que está em seus versos para entregar o coração inteiro pela boca. A impressão, de modo geral, é que se houvesse mais de Aguilera em Lotus, tudo soaria mais representativo (reflexão que leva à certa decepção com o trabalho).

Lotus deve render bons hinos para uma geração obcecada por uptempos feitos sob medida para as pistas, com letras facilmente reconhecíveis e melodias elaboradas com cuidado para reproduzirem-se de maneira contagiosa. Por sorte, associados às batidas produzidas por talentosos operários do Top 40, há muito do bom humor, da malícia e da técnica de Christina em suas pequenas ousadias. Não deixa de ser uma receita inspiradora. Aguilera pode ter seu reinado de volta se tornando um sucesso em charts musicais (ou não), mas seus melhores momentos, aqueles que a tornam maior que as especulações, só serão revelados aos ouvidos mais curiosos. Abaixo, uma seleção deles:

I Got Trouble, de Back To Basics

Circles, de Lotus

I Love You, Porgy, na cerimônia de indicações ao Grammy em 2008

Elastic Love, de Bionic

Can't Hold Us Down, de Stripped

It's a Man's World, no Grammy 2007

Sing For Me, de Lotus

Candyman, de Back To Basics

Red Hot Kinda Love, de Lotus

Monday Morning, de Bionic


Felipe Lima

Muito prazer. Felipe. Nasci em Brasília, a cidade de concreto, feita para homens de concreto. Morei no Rio de Janeiro por dois anos, depois em Santiago por nove meses. Depois São Paulo, de volta Rio, agora por aí, em algum lugar. Tenho 27 anos, sou jornalista. Ou Observador Profissional, como prefiro. Já fui atendente de padaria, atendente de protocolo, auxiliar de escritório, tesoureiro assistente, repórter de cidades e cultura, auxiliar de serviços gerais em spa para homens (eufemismo), recepcionista em hostels e assessor de imprensa em escritório especializado em arquitetura, design e decoração; não exatamente nessa ordem. Cantante. Faço bicos de terapeuta. Danço de forma esquisita. Tenho fé. Apaixonado por arte e por contato humano. À parte tudo isso, e sobretudo, escrevo. Autor de Dentro da Pele, misto de ensaio e livro-reportagem sobre prostituição masculina em Brasília (sem edição) e As Nuvens Púrpuras, publicado na rede em limaofelipe.wordpress.com. Atualmente, dedico-me a escrever meu primeiro romance e dou andamento à performance #palavrassómudampessoas pelas ruas do país (se você esbarrou comigo por aí, faça-me saber usando a hashtag :D). Também me envolvo em projetos criativos em colaboração com outros artistas. Quer falar comigo? Escreva para [email protected]
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