les feuilles

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Felipe Lima

Muito prazer. Felipe. Nasci em Brasília, a cidade de concreto, feita para homens de concreto. Morei no Rio de Janeiro por dois anos, depois em Santiago por nove meses. Depois São Paulo, de volta Rio, agora por aí, em algum lugar. Tenho 27 anos, sou jornalista. Ou Observador Profissional, como prefiro. Já fui atendente de padaria, atendente de protocolo, auxiliar de escritório, tesoureiro assistente, repórter de cidades e cultura, auxiliar de serviços gerais em spa para homens (eufemismo), recepcionista em hostels e assessor de imprensa em escritório especializado em arquitetura, design e decoração; não exatamente nessa ordem. Cantante. Faço bicos de terapeuta. Danço de forma esquisita. Tenho fé. Apaixonado por arte e por contato humano. À parte tudo isso, e sobretudo, escrevo. Autor de Dentro da Pele, misto de ensaio e livro-reportagem sobre prostituição masculina em Brasília (sem edição) e As Nuvens Púrpuras, publicado na rede em limaofelipe.wordpress.com. Atualmente, dedico-me a escrever meu primeiro romance e dou andamento à performance #palavrassómudampessoas pelas ruas do país (se você esbarrou comigo por aí, faça-me saber usando a hashtag :D). Também me envolvo em projetos criativos em colaboração com outros artistas. Quer falar comigo? Escreva para [email protected]

Ela

Drama de Spike Jonze é melancólica incursão sobre o amor na era virtual e atestado de que apaixonar-se é "uma forma socialmente aceitável de insanidade"


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Diretor de projetos com apelo cult, como Adaptação e Quero Ser John Malcovich, Spike Jonze ruma ao futuro de corações desolados e tecnologia de ponta em Ela (Her, EUA, 2013), seu mais novo drama. Em uma Los Angeles semelhante a Xangai de hoje, Jonze situa Theodore Twombly, um escritor solitário prestes a assinar o divórcio, que se descobre apaixonado por seu novo sistema operacional, criado para descobrir e satisfazer as necessidades do usuário.

A prerrogativa do longa pode soar curiosa e um tanto estranha, a princípio, mas o roteiro assinado por Jonze (premiado com o Globo de Ouro e indicado ao Oscar) desenvolve o argumento com tamanha naturalidade que torna tudo compreensível e passível de empatia. Afinal, celulares, tablets e computadores são próximos da realidade da maioria das pessoas, e a sociedade está tão familiarizada a contatos virtuais – muitas vezes até preterindo a realidade física, que não soaria tão absurdo prever que teríamos muitos relacionamentos não exatamente convencionais, como o do filme. Sobretudo se a voz de Scarlet Johansson fizesse parte do pacote.

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Scarlet cultivou um estereótipo complicado para si mesma. São muitos os que creem que a atriz está sempre interpretando o mesmo personagem, ou, o personagem Scarlet Johansson. Mas em Ela, talvez por não aparecer em cena, há, ao mesmo tempo, uma suavidade e uma perspicácia incomuns em seus demais papéis. Ela consegue dar vida à Samantha de maneira quase sempre crível, e com a dosagem exata de humor e humanidade que o personagem exige e que é essencial para o filme.

A química com Joaquim Phoenix também favorece sua performance. Em verdade, é difícil imaginar qualquer outro ator de sua geração compondo um papel delicado com tamanha destreza na mistura de estranheza e sensibilidade que formam o esqueleto de Theodore. Joaquim consegue tornar quase palpável a solidão de seu personagem, e o encantamento com a inteligência artificial dotada de intuição, que o escuta, conhece e entende.

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O bom entrosamento do casal, somado ao desempenho dos personagens secundários (Amy Adams, Rooney Mara, Chris Pratt e Olivia Wilde também fazem parte do elenco), é o que torna a história menos dramática do que poderia, e um pouco mais divertida e romântica, embora não se deva esperar de Ela necessariamente um filme engraçado, popularmente romântico ou algo do tipo. De certa forma, a perspectiva de Jonze para o amor romântico tem tons um tanto pessimistas e duros, pelo menos para os mais sensíveis, o que de maneira alguma compromete a graciosidade dessa espécie interessante de fábula moderna criada pelo diretor.

Her, trilha sonora por Arcade Fire

Parte da responsabilidade por trazer esse clima à produção vem da comovente e melancólica trilha sonora assinada pelo Arcade Fire, também indicada ao Oscar. A banda canadense providenciou instrumentais belíssimos que atuam quase como personagens, graças às soluções que o roteiro encontra para inserir as canções na história do casal, como fazem com Song Of The Beach e Photograph. Divorce Papers e Loneliness são alguns dos títulos das composições, e por aí é possível ter noção de como a jornada pode ser sofrida.

De forma intimista, sem pressa e interessado em vasculhar emoções, Jonze comanda todos esses elementos buscando deixar sua contribuição para discutir a necessidade e a esperança de redenção no amor, e como a dor, a confusão e a solidão são indissociáveis nesse processo. Nesse contexto, a melhor definição vem de Amy, personagem de Amy Adams, ao responder a pergunta de um apaixonado Theodore: "Qualquer pessoa que se apaixone é uma aberração. É uma coisa louca a se fazer. Como uma forma socialmente aceitável de insanidade". Muita filosofia contemporânea embutida em bom entretenimento.

No vídeo abaixo, uma das cenas do longa, ao som de Photograph:


Felipe Lima

Muito prazer. Felipe. Nasci em Brasília, a cidade de concreto, feita para homens de concreto. Morei no Rio de Janeiro por dois anos, depois em Santiago por nove meses. Depois São Paulo, de volta Rio, agora por aí, em algum lugar. Tenho 27 anos, sou jornalista. Ou Observador Profissional, como prefiro. Já fui atendente de padaria, atendente de protocolo, auxiliar de escritório, tesoureiro assistente, repórter de cidades e cultura, auxiliar de serviços gerais em spa para homens (eufemismo), recepcionista em hostels e assessor de imprensa em escritório especializado em arquitetura, design e decoração; não exatamente nessa ordem. Cantante. Faço bicos de terapeuta. Danço de forma esquisita. Tenho fé. Apaixonado por arte e por contato humano. À parte tudo isso, e sobretudo, escrevo. Autor de Dentro da Pele, misto de ensaio e livro-reportagem sobre prostituição masculina em Brasília (sem edição) e As Nuvens Púrpuras, publicado na rede em limaofelipe.wordpress.com. Atualmente, dedico-me a escrever meu primeiro romance e dou andamento à performance #palavrassómudampessoas pelas ruas do país (se você esbarrou comigo por aí, faça-me saber usando a hashtag :D). Também me envolvo em projetos criativos em colaboração com outros artistas. Quer falar comigo? Escreva para [email protected]
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